Certa vez uma jornalista me indagou, afimando: Empreendedores gostam de risco, me explique como é isso?. Pensei por alguns segundos e, me espelhando em minha própria experiência vivida, respondi:empreendedores são seres tão auto-confiantes (ou estão assim em certo momento de suas vidas) que pensam que ter o destino em suas próprias mãos implica em menos riscos do que sob o comando de alguém. Eles não gostam por definição de risco. Aceitam o risco inerente a empreender de forma positiva.
Fui conversar com alguns amigos, empreendedores e especialistas no assunto e ouvi alguns comentários interessantes que corroboram a minha tese (ao menos em parte).
José Carlos Dornelas – Professor de Empreendedorismo do IBMEC, nos diz: Os verdadeiros empreendedores sabem que se não assumirem certos riscos calculados, dificilmente conseguirão atingir grandes resultados. Assumir risco por assumir não significa ser empreendedor, e sim um inconseqüente.
Já Luiz Sakuda, da BSP, ele mesmo um empreendedor e apaixonado pela causa, comenta as diferenças de mindset do empreendedor e do não empreendedor: a maioria dos não-empreendedores não aceita riscos acima de um determinado patamar, mesmo que a relação seja atraente: a atenção é no risco, no potencial de perda, na renúncia do que já está garantido. O empreendedor foca no retorno: o que ele pode construir, aprender, ganhar.Se Sakuda estiver certo, vemos que a diferença está menos em aceitar ou não risco e mais em ver ou não o risco (e a oportunidade). Interessante, não?
Por fim, Leandro Cruz de Paulo, da ESPM, completa: não acho que empreendedor goste do risco. Empreendedor gosta de desafios e do prazer da realização. Isso não significa necessariamente gostar de risco.
Risco existe em viver. A cada segundo podemos nos deparar com algo que mude radicalmente nosso destino. Empreendedores, por sua vez, acreditam que já que é assim, eles mesmos podem (e devem) se tornar os agentes da mudança.
Empreender, a meu ver, é quase um estilo de vida. Vai muito além do fato de abrir negócios, empresas. É uma atitude frente à vida e, tenho observado, nos empreendedores ela se manifesta em quase tudo o que fazem. Da criação dos filhos aos hobbies, o empreendedor deixa sua marca, quer ser sempre diferente, criativo e ousado (ao menos os outros enxergam assim, pois para ele é normal, sua natureza) em tudo. Há uma olhar constante nas oportunidades e pouco no que se pode perder.
Costumo dizer: se não tentarmos, o NÃO já temos!
Se a coisa toda for por aí mesmo, temos uma bela explicação para alguns fatos como o dos empreendedores serem tão alheios à formação acadêmica (auto-confiança exacerbada) ou mesmo para o fato de encontrarmos tantos empreendedores iludidos com seus projetos, absolutamente apaixonados e pouquíssimo informados sobre os mesmos.
Convém ressaltar, contudo, que isso não é bom nem ruim, uma vez que muitas empresas de sucesso de hoje nasceram exatamente assim, da pura paixão dos seus criadores e de forma muito inocente. Os racionais e as explicações para o sucesso, muitas vezes, só apareceram depois!
E você, o que acha de tudo isso? Você gosta de risco? O Empreendedor é um jogador, ele gosta de viver perigosamente?
Mande sua opinião, participe!