Nessa semana participei de 2 eventos na área de Empreendedorismo. O primeiro, uma palestra na Faap para alunos do seu MBA e o segundo o lançamento de um program de capacitação em Empreendedorismo que estou implementando junto a Fapesp/Endeavor, com apoio do Sebrae.

Em ambos fiquei, mais um vez, impressionado como o tema desperta o interesse das pessoas. Como sou um empreendedor e não um palestrante ou professor (*), sinto que as pessoas querem me sugar, saber tudo, extrair tudo e, em muitos casos, sinto olhares de admiração, idealização até saio dos eventos ‘drained’, como tão bem definiriam os gringos – sugado, talvez em Português – pela intensidade que se discutem os temas, as perguntas e como as pessoas estão inebriadas por conhecimento ou informação.

Na Faap, em plena terça-feira, 14hs, palestrei para uma audiência grande, atenta, interessante e que, ao contrário de muitos outros locais por onde passei, me pareceu procupada com seu futuro profissional e que já percebeu que o tal do tão sonhado emprego não existe mais. As perguntas foram pertinentes e incisivas. Um delas, que penso vale reproduzir aqui, foi mais ou menos assim: o que mais aprendi nos meus momentos de insucesso (faço sempre questão de deixar claro que os tive e os tenho aos montes!)? Quais as dicas que daria? Pensei um segundo: a primeira – converse com você mesmo. Em 99% dos casos você sabe o que fazer, sabe a resposta para o problema e apenas tem dificuldade de ver isso claramente ou, na maior parte das vezes, de agir! Fazer o que tem que ser feito às vezes é doloroso, demanda um esforço especial. É comum que eu ande pela quadra falando comigo em voz alta! É conveniente não fazer isso na frente das pessoas que podem achar que você tem outros problemas também! E a segunda dica é: relaxar. Muitas vezes você fica procurando respostas, soluções, saídas ou novas alternativas para sua vida profissional e sua cabeça fica como que girando em círculos, como que num labirinto mental. É preciso apagar isso. É preciso dar uma espécie de ‘re-boot’ em seu cérebro. Se você não se abrir para outras coisas, muitas vezes a solução mais óbvia de seus problemas não aparece. Foi assim, contei para a turma, que apareceu meu mais recente negócio: o Fotosite. Num momento de baixa, me dediquei um pouco à Fotografia como hobby…. e após publicar um trabalho pessoal no Fotosite, nasceu uma relação de trabalho que está extremamente interessante, tanto do ponto de vista do negócio como pessoal.

Nos EUA o insucesso (ou fracasso, apesar dessa palavra ser forte demais e até errada para a situação de um negócio que não vingou, penso) é valorizado. Um investidor pensa que alguém que já ‘não deu certo’ tem mais experiência em negócios e até mesmo está mais vacinado pessoalmente contra loucuras típicas de empreendedores principiantes. Um sócio que já teve a experiência de ‘não vingar’ será também um sócio mais prudente e é sempre útil saber como a pessoa agiu no momento da crise. Isso pode evitar grandes surpresas em momentos difíceis.

No final do evento, caímos em uma discussão que, penso, é importantíssima. Temo até estar me tornando repetitivo e monotônico, mas ouso mais uma vez trazer à tona a questão. Apesar de ser totalmente favorável a que as pessoas tenham uma vida decente e tenham o que comer, sou contra o ‘mood’ que o governo federal vem dando à solução dos nossos problemas. Sou contra FomeZero, por exemplo, por várias razões: é assistencialismo puro; cupons de comida são comprovadamente a forma errada de erradicar probreza; é um mecanismo perverso e que permite muita corrupção e não existem recursos para sustentabilidade mas, afora tudo isso, existe um fator que a meu ver é o pior de todos: o Fome-Zero não favorece em nossa sociedade a noção de co-responsabilidade, de auto-responsabilidade e baixa ainda mais a nossa auto-estima. O leitor pode pensar: não seria justamento ao contrário? Penso que não. É um programa que, por mais nobre que a causa seja, nos faz lembrar o tempo todo que uma parte enorme do país não come (isso é meio polêmico tambem…) e que se não ‘dermos’ a nossa colaboração, isso não vai mudar. Hum? Mais colaboração? Os mais de 50% de impostos sobre tudo o que produzimos não bastam? Hum? E, por outro lado, não se cria auto-suficiência em nada, nem no programa e muito menos na cabeça do cidadão. Péssimo isso!

Na pesquisa que publiquei semana passada sobre os universitários face ao Empreendedorismo, vemos claramente isso se refletindo: perguntados o que esperam do governo em relação ao empreendedorismo deram uma resposta acachapante: TUDO!. Apenas 6% foram capazes de dizer: ‘que não se meta!’.

Pena. Mas, como Empreendedor que sou, mantenho meu otimismo e penso que somos maiores do que qualquer PT ou PSDB ou ACM e que eu viverei o suficiente para ver o Brasil se tornar o país do presente! O futuro já foi!

(*) Nada contra palestrantes ou professores, muito pelo contrário. Contra sim aqueles que professam experiência de algo que não tem.

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