Costumo pautar meus artigos e editorias pelo que os leitores pedem, reclamam ou sugerem. Na semana que passou, Lucas Marinho, estudante universitário, me mandou um e-mail que coloca: ‘muitos de nós temos sonhos de empreender, mas cadê a grana?’.

Fiquei pensando no que poderia responder ao Lucas e a tantos outros leitores que, tenho certeza, têm a mesma dúvida e resolvi elaborar um pouco meu pensamento, como diria nosso ministro da cultura.

Antes de sugerir caminhos ou respostas, gostaria de dividir um pensamento. Estive nos últimos anos envolvidos com investimentos em novas iniciativas, start-ups, sou eu mesmo um empreendedor de longa data e também fiz muitos negócios com grandes fundos de investimento. Atuei, portanto, nas várias pontas, ora como investidor, ora como investido e sempre como empreendedor e, posso afirmar seguramente que a fórmula INVESTIDOR-EMPREENDEDOR é muito interessante. Gente com dinheiro que quer investir em gente com projetos e energia é uma idéia vencedora. Claro que não são relações fáceis, que conflitos existem e que é uma arte manejar esses relacionamentos comercias mas, por outro lado, a complementaridade é fantástica e pode levar a resultados muito promissores. Precisamos fazer com que isso aconteça mais e mais em nosso país. Precisamos fazer com que o governo entenda que pode estimular isso (via fomento, legislação, etc) sem colocar necessariamente recursos e precisamos fazer os empreendedores entenderem que a relação só será positiva se cada parte entender seu papel: investidor quer retorno financeiro e empreendedor quer alguém que o ajude a viabilizar seu negócio.

Interessante, não? Mas o Lucas deve estar se perguntando: afinal, onde arrumo a grana, pô?

Não tenho a resposta exatamente, mas vou tentar apresentar alguns caminhos que me parecem interessantes.

Em primeiro lugar, está realmente complicado se conseguir um investidor para um projeto iniciante pequeno. Se pensarmos nos fundos, são raros no país os que realizam investimentos de pequena monta e em projetos iniciantes, muito raros. Isso significa, sem dúvida, uma grande barreira, mas não pode significar a desistência.

O Brasil é um país pródigo, surpreendente, e tudo aqui deve ser olhado com atenção e cuidado. A área de investimentos não deve ficar de fora, penso. Existe uma modalidade de investidor pessoa física nos EUA que é conhecida como ‘Angel Investor’ (ou Investidor Anjo) que costuma ser composta de pessoas endinheiradas, muitos deles empreendedores bem sucedidos, que acreditam na fórmula INVESTIDOR-EMPREENDEDOR e que aportam os recursos iniciais para que o negócio comece (por isso anjos). Essas pessoas têm uma visão de que há risco envolvido, claro, mas desejam retorno sobre seu dinheiro. Isso é importante que seja entendido e que fique claro na relação.

No Brasil, formalmente, temos pouquíssimos Angels mas, como em todo o resto, nossa informalidade é enorme e todo o dia escuto alguém dizendo: ‘conseguimos uma grana para começar com um amigo do meu tio’, ou ‘o fulano tá botando uma grana, depois a gente acerta com ele’…. Os anjos estão por toda a parte e a criatividade do brasileiro é impressionante.

Tenho certeza de que uma parte enorme do que se cria no Brasil em termos de novas empresas tem um (ou vários) anjos por trás, mesmo que nenhum deles saiba disso. O importante, penso, é que na maioria das vezes esquece-se que esse anjo quer retorno, merece respeito e tem suas próprias demandas. Se o empreendedor entende isso, a relação é muito mais fácil, transparente e fluída. Outro problema é que as práticas ainda são muito novas e coisas como a perda total do investimento, por exemplo, fato absolutamente normal e até esperado, é pouco discutido e quando acontece (na maioria das vezes, por razões naturais) gera um enorme mal estar entre as partes. Quanto mais falarmos e discutirmos o assunto, mais anjos teremos por aí e mais negócios poderemos criar.

Outro caminho que julgo interessante destacar é chamado nos EUA (não sou americanóide, mas eles padronizam tudo e acabam criando, quase sempre, os conceitos mundiais) de Corporate Investment (investimento corporativo). Grande empresas chegam a criar áreas dedicadas apenas a fazer investimentos. A Intel, por exemplo, tem uma área de investimentos enorme voltada para projetos que sejam relacionados aos produtos Intel. O que é interessante é que muitas empresas menores também acabam criando suas áreas de investimento e gerando oportunidades para os empreendedores. Aqui em nosso país, isso está apenas começando, engatinhando mesmo, mas o empreendedor deve ficar atento a essa possibilidade. Ou até mesmo gerar ele mesmo a oportunidade, procurando uma empresa da mesma área de seu projeto para que ela se torne investidora.

Nesse ano um amigo queria que eu investisse em seu projeto, uma nova revista. Mostrei a ele que o tipo de recursos que costumo investir não é compatível com as necessidades de uma revista. Ele insistiu, persistiu e eu também. Seria irresponsável de minha parte investir num projeto desses sem os recursos para 1 ou 2 anos de prejuízos. Como ele é amigo, entendeu e continuou amigo. Pediu dicas de como fazer, de como sair dessa sinuca. Todos os investidores com quem falou adoraram o projeto mas queriam algo mais maduro! Sugeri a ele procurar uma editora como investidor, idéia que ele mesmo já tinha tido e eu apenas reforcei. Foi lá, contou sua história. Fechou negócio e lançou a revista Seu Sucesso pela Editora Europa nesse ano. Viabilizou o início do seu negócio e está construindo seu sonho de empreendedor.

Outra forma de realizar as coisas sem dinheiro é sendo criativo, inclusive com o próprio dinheiro. Clientes, muitas vezes, viram o financiador de empresas iniciantes. Fazer coisas sem dinheiro é, muitas vezes a única saída. Use de tudo: permutas, escambos, trocas de favores. Numa das empresas que sou sócio nos aconteceu um desses momentos criativos. Certo dia, nos procuraram 2 meninas que queriam montar uma pequena produtora de web mas não tinham dinheiro para divulgação e nem eram conhecidas no mercado. Acharam que nossa empresa era uma boa vitrine e nos propuseram re-fazer o design do nosso portal (www.fotosite.com.br) sem nos cobrar nada. Em troca nos pediram que divulgássemos para o mercado de fotografia o trabalho delas. Topamos. O site ficou lindo e nós fizemos nossa parte. Hoje elas têm trabalho até março do ano que vem, estão se estruturando, crescendo e, como nós também crescemos, acabamos gerando um belo faturamento para elas todos os meses.

Então Lucas, sei que não respondi totalmente e de forma definitiva a sua pergunta, até porque essa forma definitiva e única não existe. Concordo com você que a grana no Brasil para investimentos é curta mesmo e está super difícil ter acesso a ela. Tudo isso é verdade mas, por outro lado, todo o dia as pessoas pensam formas novas de iniciar seus projetos, metem a cara e muitos são bem sucedidos nessa empreitada.

O dinheiro é um dos fatores importantes, é verdade. É um limitador em muitos casos, mas, ao contrário do que muitos pensam, não é impossível empreender com muito pouco dinheiro. Muitas histórias de sucesso começaram com capital baixíssimo (se algum) e encontraram formas criativas de se financiar.

Tem uma outra maneira de fazer: durante muito tempo a American Express era minha sócia investidora, toda a vez que eu tinha que pagar salários na empresa e não tinha dinheiro em caixa!!! Não sugiro que você faça isso para viabilizar seu negócio, mas se preciso for….

;-)

One Response to “E aí, cadê a grana pra gente montar nosso negócio?”

  • JOEL IGNACIO says:

    Tenho 03 projetos para setor automotivo, que é o GHV ( GÁS HIDROGÊNIO VEICULAR)…. IGNITRON …. HIBRIDO. é unico projeto no mundo que não altera as características dos motores patente requerida, precisamos de um investidor retorno garantido negócio com lucro espetacular.
    OBS: projeto é utilizado água para produzir água, não é sistemas de eletrólise.

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