Tirei uns dias na Páscoa e fui visitar um dos lugares mais incríveis do mundo: Galápagos. Além de paisagens belíssimas, uma fauna e uma flora super interessantes e pré-históricas, de ser o lugar onde Darwin incrementou boa parte de sua Teoria da Evolução das Espécies, Galápagos é um lugar mitológico para mim: meu avô – Mr. Jens – grande aventureiro, meu melhor amigo, companheiro e modelo de vida, perambulou por lá durantes alguns meses nos anos 20 do século passado. Foi de veleiro, morou numa caverna, quase morreu numa calmaria de 3 meses na volta e contava histórias fantásticas do lugar. Essa viagem foi quase um re-encontro para mim.
De tempos em tempos, “converso” com meu avô buscando luzes para minhas dúvidas, incertezas, angústias e tristezas.
Falando em dúvidas… como o empreendedor, lá no fundo é cheio de dúvidas, não é? Ele parece, pro mundo ao redor, saber tudo, ser o senhor da razão, das idéias, das soluções… mas lá no fundo, no íntimo e muito provavelmente de uma forma muito pouco admitida, estamos repletos de dúvidas.
Concorda?
Quando se volta de uma viagem como essa para São Paulo é quase que impossível não termos uma crise súbita. A não ser que a pessoa seja muito insensível e que adore seguir com a manada, é inevitável se perguntar: o que estamos fazendo numa vida e numa cidade como São Paulo. Trabalhando hoje para pagar o jantar de hoje? Muitas vezes o de ontem! Girando dinheiro para poder ir ao melhor restaurante, comprar as roupas mais bonitas, o carro mais chique? Pra quê? Ganhar e gastar num ritmo alucinado e deixar a vida ir passando? Quê sentido?
O estopim foi num restaurantezinho de umas 6 mesas tocado por um senhor italiano de uns 70 anos lá em Galápagos – que por sinal leva uma bela vida, vai 1 vez por ano para a Itália, tem seu barquinho, umas terrinhas no alto da ilha…hum, sei… Enquanto o Signori corria sozinho tentando atender as 4 meses ocupadas ao mesmo tempo, reparamos num anúncio na parede escrito à mão. Título: Ready to Cruise. Um casal – ele espanhol, ela japonesa – se oferecendo para pagarem sua ida a Polinésia (or beyond!!!, como dizia o anúncio) ajudando a tripular um veleiro que estivesse nessa rota e que precisasse de ajuda. Paramos, lemos aquilo, olhamos um pro outro, e minha cabeça girou: tem gente levando uma vida muito diferente da nossa! Viajei.
Chegamos de volta na quinta-feira e passei o dia assim. Entre o “Ready to Cruise” e o trânsito de São Paulo, do Signori Ristorante aos nãos das propostas que havia lançado antes de viajar, do “or beyond” ao jornais contando as novidades (ou velhidades, pois não havia nada de novo) do nosso Lula & cia ilimitada.
O “or beyond” foi o que pegou mais fundo! Beyond é onde o empreendedor quer sempre chegar, não importando muito onde ele fique….
Quinta-feira péssima.
Como empreendedor é auto-motivado, se auto-alimenta e se auto-resolve (na maior parte dos casos), minha sexta-feira foi ótima. Começou as 7h30 num belo café da manhã de negócios onde pude falar de alguns dos meus “beyonds” e acabou num outro café entre amigos de mundo do trabalho as 19h30, onde pudemos rir um pouco de nós mesmos.
Uma crise de 1 dia só. Boa, pois me fez prestar atenção aos meus planos, me fez questionar se estou indo com a manada ou para onde tracei, me provocou e me fez relembrar que se eu não estiver fazendo uma diferença, para mim não tem sentido algum. Boa crise, me fez agir.
Alguma semelhança com a sua realidade?