Virou lugar comum as pessoas que desejam empreender reclamarem que no Brasil não existe apoio, que o capital é muito limitado, que o incentivo inexiste e assim por diante.
Concordo em vários desses pontos e, em muitos deles, existem estatísticas que comprovam o que as pessoas dizem.
Outro dia, numa palestra para jovens estudante do ensino médio, uma aluna me perguntou se é mais fácil empreender nos EUA ou na Europa do que aqui.
Respondi a ela que não. Concordo que em países como os EUA existe um enorme fomento ao empreendedorismo e que até mesmo a cultura do país incentiva a iniciativa. Mas, apesar disso, penso que no Brasil vale aquele velho ditado: “em terra de cego, quem tem um olho é rei”. Existe uma pequena parcela da população que tem acesso a estudo, internet, informação, etc face à enorme fatia da população que só se preocupa em sobreviver. Nos EUA, por exemplo, se de um lado existe mais incentivo, de outro, existe muita mais gente capacitada tentando empreender.
Se falta capital, apoio, incentivo, por outro lado também faltam projetos bons e consistentes. O conhecimento de Planos de Negócios é novo, recente, e muita gente ainda pensa que ele é um plano qualquer para se convencer alguém a financiar nossa maluquice. E, assim, fazem qualquer coisa do seus planos de negócio. Erram feio. Não convencem a ninguém e perdem a oportunidade de testar suas idéias, seus projetos e suas capacidades de planejar um negócio.
No meu livro perguntei a várias pessoas qual a importância do Plano de Negócio. Antonio Bonchristiano, hoje no GP Investimentos e um dos fundadores do Submarino, nos diz que o Plano de Negócios é uma ferramenta importante para o investidor pois permite medir a capacidade de síntese e análise do empreendedor. “Todos sabem que não será seguido à risca, mas é ótima ferramenta para se conhecer o empreendedor e seu projeto”. Sandra Chemin, empreendedora da área de web, por sua vez, arremata de forma brilhante: “Planos de Negócios? Tem que ter, nem que seja num guardanapo de papel!”.
Temos a ilusão de que um Plano de Negócios é algo formal, inútil e que fazemos para alguém outro. Não pode haver engano maior. Se alguém de fato se beneficia de um Plano de Negócios bem feito é o próprio empreendedor.