uma semana onde o que mais se viu e ouviu foi sobre os drinks do presidente com o NYT, vivi uma maravilhosa experiência ao palestrar sobre empreendedorismo em Santa Maria, no Rio Grande de Sul.
O presidente da empresa Jr da Universidade Federal de Santa Maria – Bruno Weiblen – estava à minha caça desde o ano passado. Por e-mail e por telefone, persistentemente, tentava me convencer de que meu investimento em tempo e dedicação valeria à pena. Não só me convenceu como me fez convidar alguns amigos para me acompanhar. Um deles mordeu minha isca e, apesar de todas as dificuldades (distância, inexistência de vôo para a cidade e nenhuma remuneração), percebeu que tínhamos na mão algo interessante e lá fomos nós.
Obrigado MAK!
Chegando lá, logo na entrada da universidade, minha primeira surpresa: haviam cartazes anunciando nossa palestra por tudo quanto é lugar. Cartazes impressos, bem feitos, divulgando o evento. Interessante! Além dos cartazes, Bruno mandou rodar alguns flyers também e, olhando um deles atentamente, notei um “pequeno” detalhe: a palestra era paga. Estava muito bem impresso: investimento R$ 5,00! Aquilo me chamou a atenção. Incrível. Não disse nada ao Bruno, que esperava um público de cerca de 350 pessoas (pagantes!!!), mas pensei comigo mesmo…. será que vai dar certo?
Deu!
Chegando ao local da palestra já se podia notar o burburinho e, com apenas 10 minutos de atraso, começamos nosso papo para mais de 450 jovens estudantes. 450 pagantes, note bem! Inacreditável.
Comentei com o Bruno que no “eixo Rio/SP” ninguém consegue colocar 450 estudantes pagando R$ 5 em lugar nenhum a não ser que seja na balada (ou festa, como eles dizem lá). Fiquei impressionado. O evento estava pago com a bilheteria! Alguém viu isso acontecer por aqui em São Paulo? Eu não vi!
Outra coisa que me chamou a atenção foi o interesse. A platéia permaneceu atenta, focada e em silêncio por 3 horas e 30 minutos seguidos! (calma, não palestramos por mais de 3 horas, claro. Antes do MAK e de mim, houve alguns discursos políticos, além do mestre de cerimônias, que seguia lentamente o seu ritual de apresentações).
Findo o evento, seguimos para a “janta” (como os gaúchos se referem ao jantar). Tínhamos ainda que dirigir quase 4 horas para Porto Alegre para tomar o avião de volta no dia seguinte cedo, mas não dava para não participar. Eles contavam com isso e queriam mais alguns minutos conosco. Estavam felizes por estarmos lá e queriam nos proporcionar algo bom: a janta!
Todos os 27 “executivos” da Objetiva Jr, a empresa Jr. da EFSM, estavam presentes para jantar conosco. O restaurante era de um cliente da Objetiva Jr e, portanto, parceiro do evento. Numa enorme mesa quadrada, presidida pelo Bruno, aqueles jovens riam, se divertiam, brincavam porém, mais do que tudo isso, faziam planos. Pedimos que todos se apresentassem e que falassem um pouco sobre o que faziam e de seus projetos, idéias e sonhos. Foi inebriante presenciar aquela energia. Nos confins do país, vendo aquela moçada sonhando alto, querendo fazer diferença num mundo tão igual, bebendo do conhecimento que eles tanto batalharam para levar até lá, me deixou sem palavras. Olhava aquelas cenas com um misto de felicidade, esperança, otimismo e indignação. Está na hora do país fazer alguma coisa por quem está disposto a mudar, não?
Saímos de lá estarrecidos. MAK vinha comentando na estrada: “Bob, que coisa incrível, que energia boa, que oportunidade maravilhosa que tivemos”. E eu não consegui dizer nada além do concordar totalmente com ele.
Foi impressionante.
Já que só se fala nos drinks do presidente e como meu último editorial (feito antes do caso Lula/NYT!!) falava do Jack (o Daniels), queria então enviar um brinde à turma de Santa Maria e ao Bruno em especial. Continuem assim! Vai dar certo!
Prosit!!
MAK = Marco Aurélio Klein