Empreendedores são seres muito ansiosos. Há exceções, imagino, mas ainda não os conheci! (risos). Vivemos com nossas idéias sempre à flor da pele, nosso pensamento não pára um minuto e é muito comum nos pegarmos em locais como bares com amigos, por exemplo, totalmente aéreos ao que está acontecendo ali. Aéreos com o ambiente, é bom que se diga, pois estamos nesses momentos ligadíssimos em alguma idéia, problema ou solução do mesmo.
Acontece com você? Comigo é direto. Em dias muito bons ou muito ruins, é quase impossível pensar em outra coisa.
Nos últimos 2 anos estou passando por um processo de re-invenção de mim mesmo, investindo em coisas novas, em pessoas novas, em idéias novas e, mais do nunca, minha ansiedade anda querendo me dominar, mandar nos meus movimentos e nos meus atos.
Nos momentos de incertezas e dúvidas ou, na outra ponta, de muito sucesso, é quando a ansiedade vai aos píncaros. Mas é, exatamente nesses momentos, que a gente tem que saber controlá-la melhor. O risco de você se mover apenas pela ansiedade, normalmente em círculos viciosos, é enorme. A capacidade de novas idéias, novas visões, novos caminhos, fica normalmente muito reduzida nesses momentos e a infelicidade e a angústia são totais. Ou, se você estiver em momento positivo, o risco de você se empolgar e exagerar na dose também é alta demais se a sua ansiedade não estiver controlada.
Tenho uma legião de amigos ansiosos. Para onde olho, lá estão eles agitados, pensando sem parar (às vezes totalmente em círculo), falando sem parar (às vezes com eles próprios) e com aquele olhar de “quero fazer mais!!!”, “isso não está bom!!!”, “preciso sair dessa hoje!!!” e assim por diante.
Como disse, nesses últimos anos, me re-inventando, passei por tudo isso e tive (tenho) que administrar minha ansiedade constantemente. Domênico di Masi, autor do livro “O ócio criativo”, que não li (tenho uma ansiedade maluca de nos finais de semana ler todos os livros que me chegam às mãos, menos os de negócio – by the way “Não me chamo Johnny” do Ricardo Fiúza foi o último que li e é maravilhoso!) aparentemente já fez um tratado sobre o que quero comentar hoje (leiam e me contem, por favor).
Tem horas que é preciso não fazer nada. Explico melhor, tem horas que é preciso fazer com seu cérebro não esteja fazendo nada relacionado ao seu projeto, à sua empresa, ao seu sonho.
Mais claro assim?
Não é não fazer nada fisicamente, ficar na janela olhando a cidade horas a fio, se sua mente estiver na empresa, nos problemas ou não coisas boas que estão acontecendo. É a capacidade de apagar tudo o que se refere a isso do cérebro e fazer outra coisa. Dirigir na estrada é, para mim, um momento de organização dos meus pensamentos. Dirijo e converso comigo mesmo e chego onde for com minha cabeça melhor, mais organizada, mas dificilmente me desligo dos problemas, da empresas, dos desafios e dos meus sonhos. Não é um momento de “não fazer nada”. Minha mente está lá cada quilômetro da estrada.
Já, por outro lado, ler um bom livro, daqueles que você leva pro banheiro de tão bom, é algo que me tira totalmente do círculo vicioso (ou virtuoso) dos negócios. É uma coisa ótima, me dá novos horizontes, me abre a cabeça e me tira o peso de ter que resolver ou pensar em tudo o tempo todo. Esse é um dos meus verdadeiros “não fazer nada”.
Cada pessoa tem que encontrar o seu “não fazer nada” pessoal, algo que de fato o desligue do mundo. Muitas vezes esse não fazer nada é, na verdade, fazer muita coisa como andar de moto, consertar coisas em casa, brincar com o cachorro, etc, etc.
O que parece ser o mais difícil para nós empreendedores é admitir que não estamos fazendo nada pelo nosso sonho naquelas horas! Verdade? Acontece com você? Duro isso, não?
Não é à toa que eu estou aqui na Ilhabela, nessa manhã de sábado linda, sentado em meu micro alimentando um dos meus sonhos mais queridos: o EmpresaBRASIL! (risos)
Mas já estou acabando… e já tenho um Saramago emprestado por uma amiga me olhando aqui na mesa! Fui “não fazer nada”!