É senso comum que a maior parte dos empreendedores tem uma causa.

Ela pode ser nobre, altruísta e pelo bem da humanidade ou, em outra ponta, absolutamente pessoal, pequena e egoísta. Pouco importa. É raro encontrar um empreendedor que, ganha a oportunidade, não descambe falando de sua causa. Concorda?

Isso é bom, pois dá uma energia especial à vida. Empreender é emoção, é energia concentrada e ter uma causa seja, talvez, algo muito parecido com isso. Sem causa, por outro lado, é difícil demais sustentar um empreendimento. Concretamente a empresa é tão pouco palpável que a causa dá um equilíbrio para o empreender, parece.

O que não é senso comum, contudo, é que esse fato – aliás como tudo na vida – tem o seu lado negativo.

Esta semana almocei com um amigo empreendedor. Como em pedem várias pessoas, ele buscava uma ajuda, alguma orientação.

Num certo momento percebo que a conversa, que havia se iniciado via e-mail, passa a estar centrada justamente na nova causa do meu amigo. Fico observando que a energia e a intensidade que ele dedica à causa são enormes. Sinto também que ela assume papéis de redentora, salvadora da pátria e, quase como uma fórmula mágica, irá resolver a maior parte de seus problemas. A causa irá posicioná-lo no mercado e, como tal, sua empresa encontrará um rumo, uma missão.

Questiono meu amigo, cutucando-o para que observe que a causa defendida está muito distante do seu negócio na prática (teoricamente faz sentido, claro) e que, enquanto ele ficar trabalhando por ela, seus concorrentes (atuais e novos) farão seus negócios crescerem e prosperarem…pois estarão mais centrados nos negócios, e menos numa causa qualquer. Faço-o notar que ele se apaixonou pela causa e que, por isso mesmo, não consegue focar no seu negócio de forma mais intensa e profunda. O negócio dele, nesse momento, não é uma boa causa, está meio perdido, precisando se encontrar e não o permite muito mover multidões como ele gostaria…. já a causa….

Volto do almoço pensando no assunto e noto que já vi isso acontecer com outras pessoas…. penso mais e concluo que já aconteceu comigo mesmo em mais de uma ocasião…

Reflito mais ainda e me pergunto: como evitar isso? Me ocorre 1 dica: – pense na sua causa, então imagine que ela se realizou 100% e tente pensar se seu negócio ficou muito diferente por conta disso. Sim? Ótimo, sua causa está próxima do seu negócio, siga em frente. Não? Hum, está na hora de re-pensar a causa, ou talvez o negocio!

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