O jovem – e muitos que têm esse espírito mesmo não sendo cronologicamente tão jovens – fazem 15 coisas ao mesmo tempo e tratam todas elas como se fossem camadas em suas vidas, como os layers do Photoshop, pra quem conhece esse programa.
Outro dia fiz uma coluna sobre os riscos de se viver num eterno Alt-Tab ou Maçã-Tab, “multitaskeando” entre as milhares de coisas que fazemos na vida e nunca conseguirmos focar em nenhuma delas, num processo de ansiedade frenético e incontrolável e que, ao final de um dia, pode nos deixar exaustos, mas sem termos feito nada de importante.
Esta semana me caiu nas mãos um relato publicado em um blog (leia em http://fatorw.com/2008/02/15/abandonando-de-vez-o-modo-multitarefa/) onde seu autor narra as mudanças – pra melhor – que ocorreram na qualidade de sua vida e de seu trabalho, depois que deixou de agir como uma típica multitask person.
Lendo o blog e os comentários, dá pra gente pensar: será que de fato aprendemos a ser multitask, virou algo natural e produzimos melhor assim ou, em outra ponta, isso é mais um dos sintomas de uma sociedade que vive tempos de ansiedade, excesso de consumo e angústia generalizada?
Não sei, difícil saber.
Mas uma coisa a gente pode tentar saber: o que funciona para cada um de nós nas diferentes ocasiões, datas, tipos de trabalho, etc. Certamente temos dias multitask e multilayer e, aposto, também temos outros onde algumas horas monotask e monolayer produziriam resultados muito melhores!
Simplesmente aceitar que o mundo é assim e que os jovens tiram tudo isso de letra é simplificar demais as coisas. Não experimentar o que, como e quando funciona para você – e não pra todo mundo – é perder a oportunidade de um trabalho mais produtivo, mais feliz e mais realizado.
Depois de ler o texto no final de semana, escrevi uma reflexãozinha rápida e mandei no domingo pra toda a minha equipe. Não preguei nem mono nem multi, pedi que pensassem e fizessem tentativas e aí adotassem o que desse melhores resultados para cada um.
Provoco você leitor a refeletir: já pensou em pegar e-mails só 4 vezes ao dia? Ou desligar o MSN por 3 horas todo dia? Ou mesmo passar um dia trabalhando de casa pra ver como você se comporta sem a muvuca do escritório?
Tente, os resultados podem te surpreender!