Se você acha que crises não têm lados bons, está pessimista demais e olhando só para um dos lados. É lógico que cortar, reduzir, parar projetos, etc., etc., não tem nada de bom.
É óbvio também que dependendo de onde a gente é pego na crise, podem restar poucas notícias boas para nos animar. Mas, por outro lado, sempre há coisas interessantes para se observar em períodos de crise como o que estamos vivendo.
Ao cortar, enxugar, fechar, etc., muitas vezes descobrimos um monte de incompetências ou percebemos – por mais que isso irrite muitos – que é comum que menos gente produz mais do que mais pessoas. É comum notar também que a crise, muitas vezes, nos força a decisões que já deveríamos ter tomado há muito tempo.
Não quero dar uma de Polyana e ficar procurando um mundo cor de rosa no meio desse furacão. Não há mundo rosa e não tenho a menor idéia do tamanho, da força e da duração da tormenta.
Mas vejo coisas boas, além das óbvias oportunidades que as crises criam, o que abordei em artigo recente. Algumas delas:
- O vento está definitivamente em baixa, tanto pra compra, quanto pra venda. ;-). Já era tempo.
- Serviços e produtos reais. Coisas que as pessoas querem de verdade, continuam reais. Que bom.
- Pavlov continua valendo. Talvez com pequenos ajustes, mas valendo.
- Sábios, gurus e profetas da economia estão em baixa. Não cansa ler todo dia por aí que em 2010 isso, em 2014 aquilo? Hassim Taleb está certo.
- Criatividade, inovação e imaginação, especialmente se forem com baixos custos, têm cotações em alta. O que é mais do que merecido.
- Capacidade de enxergar onde dá pra reduzir e re-organizar, sem matar as oportunidades, é mercadoria com liquidez total no mercado.
- Consultores sem compromisso com a execução do que eles consultam, estão com problemas para renovar seus contratos.
- A capacidade de manter o gás e de se auto-motivar dos empreendedores é que vai fazer a diferença em um mundo mais real. Isso é bom.
- Veremos coisas incríveis acontecendo. Podemos até achar que elas aconteceram só por conta da crise, mas seja como for, aconteceram. Obama é talvez o exemplo mais forte. A fusão do Itaú e Unibanco é outro caso. E muitos mais virão. Pode aguardar.
- E bullshit não paga o almoço. Cut it!