crappyHá 2 meses, alguns acompanharam de perto e outros de ouvir apenas, nossa Crappy estava enfrentando uma crise renal aguda. Ontem ela nos deixou.
Crappy se juntou à nossa pequena família há 5 anos. Bia e eu achamos o canil, queríamos uma dálmata, apesar de alguns sites afirmarem que a raça era das mais burras – Crappum viveu pra nos provar que não é nada disso! – e fomos lá olhar. Eram 2 filhotes, 2 irmãos, e assim que chegamos perto, um deles logo veio se aninhar com a Bia: estavam escolhidas por ambas! O nome dela seria Crappy, já que tínhamos vivido um monte de “craps” na nossa vida recente e queríamos rir um pouco daquilo tudo. Eu reparei que a perninha de trás dela era toda meio amarelada – poderia ser só de xixi, mas e se não fosse, pensei – mas como a paixão dela e da Bia já tinha acontecido, nada falei. Dois ou 3 dias depois fomos buscá-la – com 3 meses – no canil numa sexta-feira à noite de Mr. Jens, já a caminho da Ilhabela. Nem chegamos na Marginal e a moça já tinha feito 2 cocôs, muitos puns e 2 xixis. Alguns “pára-limpa-desinfeta” depois, Crappy já tinha virado Crappum, por razões óbvias e, a essa altura, já se aninhara no colo da Bia, para nunca mais sair! Crappum vomitou apenas 1 ou 2 vezes em viagens e logo percebeu que a vida dela estaria ligada a um Land e muitas estradas, então adotou o Mr. Jens como sua segunda casa, ou primeira, em muitos momentos, e a estrada como um lugar seguro, aconchegante, onde seu pai (eu) me sinto bem, relaxo, penso na vida e renovo minhas energias.
De bebê mimada no colo da Bia ela passou a viajar sempre com a cabeça deitada no meu colo no Mr. Jens e assim fomos e viemos inúmeras vezes para a Ilha e pra muitos outros lugares. Desse mesmo jeitinho, no meu colo bem tranqüila, ela veio pra cá ontem, curtindo um dos momentos que eu e ela mais gostamos.
Com cerca de 9 meses de vida da Crappy, resolvemos ir de Land pro Atacama no Chile e nossa Crappy não poderia não ir. Desta viagem temos lembranças ótimas e todos os certificados de vacinação dela carimbados como se fosse um passaporte canino – os Chilenos são chatos com bichos, apesar de que San Pedro de Atacama poderia ser até chamada de San Pero de Atacama, dada a quantidade de dogs nas ruas, diz a Bia. Dos 4 dias pra ir e 3 para voltar, Bia e Crappy dormiram o que não tinham dormido no ano inteiro! Lá no Atacama nossa valente menina parecia uma verdadeira aventureira, correndo por tudo, investigando tudo e andando com a gente em qualquer lugar. Ganhou creme no nariz e nas patas por conta da secura e, claro, protetor solar no focinho, por conta dos raios UVs fortíssimos da região. Graças à Crappy – levamos 1 hora e meia para atravessar a fronteira Chilena – conhecemos um casal de franceses que dava a volta ao mundo num Land com 2 filhos, de 3 anos e 1 aninho, o que os fez levar também 2 horas para completar toda a burocracia Chilena. Desta hora e meia de espera surgiu uma amizade. Nossos amigos depois nos visitaram em SP e na Ilhabela e hoje velejam ao redor do mundo em um Catamaran.
Crappy virou companheira nossa de colo – foi um passo para que ela conseguisse subir em nossa cama e não mais sair – de viagens, de aventuras, de festas, de trabalho (estava sempre conosco quando ficávamos em casa no computador trabalhando) e de vida. Ela era uma doguinha “gente”. Temos outros dogs e observamos que eles são mais bichos, mais ligados nos outros cachorros, nos barulhos, em pegar passarinho, correr atrás do gato. A Crappy gostava da gente, estava sempre ligada na gente e era, até, mega ciumenta conosco. Ninguém podia chegar perto do Land na balsa da Ilha, por exemplo, sob o risco de levar uma mordida da Crappum!
Nos últimos anos fomos várias vezes para Itapeva, um lugar de minha infância que até hoje está lá intacto, e lá nossa Crappy se esbaldava. Descobriu que adorava o mar, corria em direção às ondas e afundava o focinho num mini mergulho e, claro, sempre olhava de volta pra gente para ver se estávamos reparando nas artes dela. A brincadeira mais divertida dela era olhar para pessoas na praia – de preferência mais gordinhas – e sair correndo em disparada em direção a elas e passar pertinho como se fosse dar uma mordiscada no bumbum delas! Apesar de algumas vezes isso ter criado alguns problemas pra gente, dava pra ver a diversão no olhar dela, quando voltava correndo pra gente como se estivesse morrendo de rir por dentro… sabíamos que ela não morderia ninguém e nós, assim que a pessoa passava e tínhamos pedido desculpas, também nos divertíamos a valer com a cena! Não foram poucas nossa risadas nas caminhadas matutinas. Duas semanas em Itapeva eram para ela a mais pura diversão, praia, mar, ficar solta, dormir muito na poltrona da casa da minha mãe e aproveitar o máximo da natureza, que acho que ela gostava muito. Nossa Menina vivia intensamente aqueles dias, muita estrada, muito Mr. Jens, praia, mergulhos, dunas…
Crappy era uma doguinha moça, como disse, e adorava estar limpa e cheirosa. Nem gostava tanto do banho em si, mas depois de seca, limpinha e cheirosa, dava pra ver a felicidade no olhar dela. Sabia que cheirosinha nossos colos e a cama estavam mais garantidos, penso!
Há 1 ano – já com a Rumba junto – fizemos outra viagem internacional com nossas dogs, desta vez ao Uruguay. Fora Punta Del Este, um pouco chique demais para dogs aventureiras como as nossas – a Crappy aproveitou mais uma vez a nossa maluquice de sair por aí com elas em punho. Em um dia, almoçando perto de Punta deixamos as 2 no carro meio longe do restaurante por falta de vaga. O dia estava meio nublado mais foi abrindo e enquanto ainda estávamos no couvert, achamos que começou a fica quente demais pra elas…. Nesta hora abre uma vaguinha bem em frente ao restaurante e resolvo ir buscar o carro que, de fato, estava meio quente. Pego a vaga, dou água para elas mas acho que ainda está quente, então como estamos bem em frente do restaurante, resolvo deixar o carro ligado com o ar-condicionado funcionando. Volto ao restaurante, a Crappy e a Rumba pulam para os bancos da frente e quando me sento de volta à mesa, passamos a nos divertir com as pessoas caminhando em frente ao Mr. Jens ligado (com aquele barulhinho típico de motor a diesel) e vendo as 2 “peras” sentadas nos bancos da frente. Todo mundo passava, olhava, ria, se surpreendia e um menininho, espantando e feliz, diz rindo para sua mãe: “Mama, mira, mira, las peras estan a manejar!!”
Nossa Crappum vivem com a gente 5 anos super gostosos, repletos de aventuras e viagens e com uma intensidade gostosa de ser vivida. Crappum descansa agora aqui na Ilhabela, um lugar que ela amava de paixão, e suas histórias, caretas, puns, mergulhos em Itapeva, corridas no Atacama, colo no Mr Jens e calorzinho na cama nos dias de inverno, ficarão sempre como lindas memórias em minha cabeça e queria dividir algumas delas com vocês.

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