Li outro dia uma pesquisa que dizia que os executivos estão perdidos. Não sabem como reagir à crise, se devem cortar ou se não nem em que áreas e quais projetos devem ser sacrificados. Os que têm caixa não sabem aproveitar o momento para fazer aquisições, consolidar ou se devem investir e onde aplicar. Está todo mundo navegando sem radar nem GPS, ou seja, às cegas.
E não paro de ouvir a mesma explicação para tudo, tanto coisas boas quanto ruins a culpa é da crise. Tá vendendo mais: “a crise, sabe, meu produto é de baixo valor….”. Parou de vender: “a crise, meu cliente parou de comprar geral…”.
Ler jornal, então, se transformou em ler “crise” a cada dez ou 20 palavras. É crise pra isso, crise pra aquilo. Tudo tem uma explicação por conta da crise. E, como disse, algumas coisas boas também. Outro dia li que o Wal-Mart está aumentando as vendas. Explicação: as pessoas estão indo menos a restaurantes e comendo mais em casa… hum, sei… Mas então, nesse ritmo de cortar custos não deveria haver muitas outras áreas em deveria acontecer o mesmo? Está acontecendo?
O bizarro é que a crise também virou ótima desculpa para dispensar projetos que você não gosta, demitir gente que queria demitir por outro motivo e não o fez, promover mudanças que já tardavam e até mesmo investir em novos projetos – geralmente mais baratos e/ou com redução de custos – que estavam na gaveta. Alguns usam a crise também para dizer que branding é pra outros momentos e que agora é preciso vender. Como se antes não fosse e como se branding só se construísse na bonanza.
A verdade verdadeira, como dizia minha avó, é que lendo tudo o que me cai nas mãos e na tela, conversando com amigos, clientes e empresários, e vivendo o mundo dos negócios no meu dia-a-dia, só consigo chegar a uma conclusão: ninguém tem a mais vaga idéia do que está acontecendo, qual o fundo do poço, como sair do buraco que o mundo nos colocou, quando isso vai acontecer e o que devemos fazer.
Então, joga tudo pra crise. Ah!, e se acontecer alguma coisa boa ao invés de um desastre? Aí a gente dá um jeito de dizer também que é graças à crise.
Santa crise, hein?