baleiando twitterQuando comecei a trabalhar com internet, lá pelos idos de 1995/96 (só você é jovem e acha que a internet surgiu em 2000, lamento decepcioná-lo, mas ela já existia um tanto antes, mesmo aqui no Brasil), tudo mundo que fazia palestra tinha que começar explicando o que era a tal da grande rede.
“A Internet é uma rede mundial livre de computadores” era a frase que eu mais ouvia por aí.

Um dia fui convidado para fazer a minha primeira palestra (imagino que como diz o Washington Olivetto pro sutiã, a primeira palestra a gente também nunca esquece) e fiquei pensando na tal da explicação do que é internet: “A Internet é uma rede mundial livre de computadores”… Afinal, teria que começar assim, pois as palestras eram pra gente que nunca tinha visto a tal da web!

Eu já tinha uma empresa de produção de sites, que na época era algo bem à la Gilberto Gil “criar um uebisaite, fazer uma rômipeige” e, olhando meus internéticos ali trabalhando (um bando de meninos malucos apaixonados pelo desconhecido) me ocorreu que a melhor definição para a web não era de uma “rede mundial livre de computadores”, mas sim de “uma rede mundial livre de gente”.

Falei isso na palestra e notei um certo espanto da audiência. Me lembro de alguns publicitários presentes e imagino que eles devem ter pensando: se é de gente, isso tem a ver comigo… “CLICK!” e também da turma mais técnica, que deve ter ficado meio decepcionada comigo: “o cara não entende nada de tecnologia”… “ANTI-CLICK!”.
;-)

Na época, o máximo dos máximos eram os chats, onde tudo mundo passava algum tempo (isso ainda rola??) e onde já dava pra ver que a internet tinha muito menos a ver com tecnologia do que gostariam os nerds. É feita de tecnologia, claro, mas para pessoas. E pessoas, bom, Freud já explicou.

As redes sociais, assunto de 10 em 10 rodas de bar de gente que mexe com isso e mesmo de quem não mexe, estão aí pra mostrar como minha frase era apropriada, talvez um pouco adiantada.
Uma rede de gente. E com uma bela dose de Freud.

O Twitter me parece ser o exemplo supremo desta compreensão. Certamente há nerds que o estão desenvolvendo, mas é Freud que motiva e cria as mudanças que o tornam cada vez mais bem sucedido.

Mostrar quantos te seguem, quem fala de você (ou se ninguém fala), a sua relevância (ou a falta dela), os RTs que você tem (ou não) e agora as listas que você está incluído (ou não) é o suprassumo da compreensão Freudiana e Jungiana do ser humano.
A tecnologia é uma mera conseqüência, quase que irrelevante de tudo isso, e os caras que criaram o Twitter sacam mesmo é de gente.

Se Biz Stone não tivesse criado o Twitter, daria um ótimo terapeuta!

4 Responses to “Twitter: Freud explica”

  • michel says:

    Oi Bob, engraçado lembrar daquela época! Mas mesmo então, existiam outras ferramentas de comunicação… além dos chats via web, existia o IRC, lembra? E poxa, pra mim, os BBSs eram praticamente as primeiras redes sociais, afinal quem se ligava lá, podia entre outras coisas, conhecer pessoas… e isso sim era PRÉ internet! Poda inclusive trocar mensagens com pessoas de outros paises via as redes de mensagens (ta bom com que elas podiam demorar mais de 1 dia pra chegar ao destino, mas em geral funcionava). Muita agua passou debaixo dessa ponte! ;)
    abs.

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