Uma das coisas mais complexas na vida de um empreendedor que luta para implantar o seu sonho é distinguir a diferença entre a persistência – componente mega necessário para a execução de qualquer projeto empreendedor – da teimosia, fase onde o empreendedor já passou de todos os limites e deveria começar a pensar em parar.

O desafio é que muitos teimosos acabam dando certo depois, e passam a chamar o que parecia uma bela teimosia, de persistência. E, muito provavelmente, o inverso também é verdadeiro, ou seja, alguns persistentes desistem e passam a entender que estavam apenas sendo teimosos, turrões, sem querer admitir que seus projetos não dariam certo.

O mundo digital trouxe um complicômetro novo e enorme para essa equação: o grátis. Hoje, muita coisa na web “dá certo” do ponto de vista de público, audiência e mesmo de relevância, mas por ser tudo gratuito, o negócio “dá errado”.

Muitas vezes nem há negócio, como aconteceu com o caso clássico do YouTube, que virou um sucesso explosivo, mas que se não tivesse sido comprado pelo Google, não daria certo.

Alguns acham que ele não deu certo até hoje justamente porque foi comprado pelo Google… mas os fundadores do YouTube provavelmente não compartilham dessa ideia! ;-)

Escrevo essas linhas muito mais numa auto-conversa comigo mesmo do que tendo a resposta para a pergunta que me coloquei, pois a linha que separa a teimosia da persistência é mutante, tênue e quase invisível.

E, ainda para complicar mais, um momento de “desistência” quando o empreendedor conclui que estava sendo teimoso, pode gerar ótimas ideias e alternativas e elas podem salvar o negócio e ele desiste de desistir, mata a coisa da teimosia e volta a ser persistente.

Complicado. Ou eu estou com meu pensamento complicado, pode ser.

A única coisa que tenho certeza é que empreendedor precisa esgotar todas as possibilidades, pois morrer na praia é algo que empreendedor não consegue aceitar, e o fará morrer de desgosto por anos e anos.

Isso faz com que muitos de nós se excedam na linha da persistência, andem um tempo na fase teimosia, mas evita que nos precipitemos e joguemos fora nosso sonho, justamente por falta de persistência.

Como diz aquela placa de trânsito “na dúvida, não ultrapasse” eu diria “na dúvida, persista”.

9 Responses to “Teimosia ou persistência?”

  • Gus says:

    Eu chamaria apenas, eventualmente, de “a persistência teimosa”, necessária para manter o negócio!

  • Bob,
    Isso me lembra 2 conversas que tive com empreendedores esse ano.

    Uma foi com Fábio Seixas e ele falou que a maior dica que pode dar para um empreendedor é ter persistência, “tem que tomar muita porrada na cabeça” como diria o próprio.

    Outra foi com Bruno Medeiros da Compra3 que falou “Cara, com certeza eu vou ter sucesso. Se não for com a Compra3, vai ser com outra. Eu não vou parar”.

    Sem dúvidas a diferença entre teimosia e persistência é muito tênue e o que é mais legal é que absolutamente ninguém vai conseguir dar uma resposta com precisão, o que torna a questão ainda mais complexa.

    Parabéns pela reflexão, se um dia eu aprender a diferenciar minha teimosia da persistência te aviso.

    Abraços!

  • Há um tempo atrás eu escrevi um post, exatamente sobre este mesmo assunto:
    http://blog.marcelo.com.br/persistencia-sim-teimosia-nao

    Três anos depois, relendo este seu post e o meu, eu percebo que ainda poderia complementar este raciocínio com algo a mais.

    Acho que a teimosia nos leva a perder tempo na vida, enquanto que a persistência, nos leva ao crescimento.

    Se eu for olhar como eu estava a 11 anos atrás e como estou hoje, me vejo muito melhor, em todos os sentidos e com uma empresa que tem hoje a maior base de currículos da América Latina, portanto, concluo que estou sendo persistente, e não teimoso, pois houve crescimento constante, durante todo o tempo.

    O fato é que nem sempre as coisas são rápidas.

    Por exemplo, um pé de abacate leva 7 anos para dar seu primeiro fruto.
    Se você desconhece o tempo de maturação desta árvore, e a compara com um pé de feijão que dá fruto em pouquíssimo tempo, acharia que está sendo “teimoso”, porque está tendo que esperar muito tempo para colher o fruto, e você provavelmente a cortaria e acharia que teria sido sábio em “não ser teimoso”.

    Cada coisa tem suas dificuldades próprias e particulares, seus momentos e seu tempo próprio, tudo muito particular.

    Não compreender e não saber respeitar o tempo INDIVIDUAL de cada coisa, já não é nem mais teimosia ou persistência, é ignorância.

    Se um pé de feijão levar 2 anos para dar fruto, e você o mantiver, provavelmente estará sendo teimoso. No entanto, se aguardar apenas 5 anos para desejar um fruto do pé de abacate, você não estará sendo nem teimoso, nem persistente, estará sendo ignorante.

    Levando isto para o business, olhe para o seu negócio e o analise PARTICULARMENTE, dentro da natureza, momento de mercado e especificidades dele. Analisando-o individualmente acredito que saberá dizer se estará sendo persistente ou não.

    Há ainda outra comparação que eu gosto de fazer.
    Que é analisar com o que estamos sendo persistentes.

    Se você puder analisar o DNA de um negócio, assim como teoricamente podemos olhar o DNA de algumas coisas, saberíamos se o negócio tem potencial e é promissor, ou não.

    Por exemplo, está sendo persistente e suportando que tipo de negócio?
    Algo que amanhã ficará pequenininho, ou algo que amanhã poderá ficar muito grande?

    No mesmo paralelo botânico, a pergunta que eu te faço é, o que você tem na mão, uma Murta, árvore que chega no máximo a uns 5 m de altura ou uma Sequóia, uma árvore que ultrapassa os 110 m de altura?

    Eu seria muito mais persistente para suportar o início de uma Sequóia, mas não seria tão persistente se o meu negócio parecesse mais com uma Murta.

    Por fim, sempre me lembro que a Credicard levou mais de 10 anos para entrar no Azul e muitos não acreditavam que o dinheiro de plástico teria a força que hoje tem.

    Portanto, acho que tudo tem também muito a ver com visão.
    Para alguns, de vista curta, alguns estão sendo teimosos.
    Mas para outros, de visão de maior alcance, estes estão sendo persistentes.
    ;-)

    Abração

  • Reni Puls says:

    Bob,
    você não está sendo complicado, quase todo dia a gente pensa nisso. Mas tem dias que a acha que está sendo apenas teimoso e cinco minutos depois vê que é assim que tem que ser.

    Seus textos são uma pausa para recarregar as baterias!
    Abraço

  • Marcos says:

    show!!! é isso mesmo sem tirar uma virgula

  • Oportuno seu post. Excelente para reflexão.

    Quero adicionar um “complicômetro” contemporâneo, digo, “contextualizando” para os dias de hoje…

    Falo de 2009, de 14 meses de crise global. Nao tenho conseguido ser conclusivo na análise com respeito a empreender no ano de uma super crise global (marolinhas à parte…). O que tenho dito que é bem complicado entender se nesse periodo em particular, se as idéias originais do seu empreendimento, válidas na “CNTP”, quem sabe adaptadas para cruzar esse maremoto, ofuscaram-se devido à retração, à paranóia de mercado. Em outras palavras, seria nesse caso oportuno persistir, até que a nuvem de poeira dissipe totalmente para entao decidir (isso é, se for possível continuar respirando..) ? Ou o melhor caminho fosse o justamente o oposto ao seu comentário , tipo, na duvida não persista…

    Acho que vai muito claro do caso a caso, mas acho “bottom line” há um componente que parece formar um trinômio aí

    teimosia X persistência (ou perseverança, se preferir) X CORAGEM

    Saudações

  • Bob says:

    Complicômetro totalmente aceito.

    De fato são tantos elementos – pois não podemos esquecer os específicos do negócio, tipo mercado, briga de sócios, perspectivas de futuro diferentes, etc, etc – que a coisa fica beeeeem complicada.

    E como cita o Marcelo Abrileri aqui nos comentários… talvez uma teimosia que dá certo se transforma em persistência e vice-versa.. e mesmo com o argumento dele que repetir a mesma coisa é teimosia, na verdade nunca repetimos a mesma coisa pois o mundo mudou, a empresa mudou, o cenário mudou, nós mudamos…

    Enfim… a discussão é infinita, provavelmente.

    Acrescento sem dúvida o fato coragem que pode mudar a decisão entre “na dúvida persista” ou “na dúvida, desista”!

    Abraços e todos que participaram deste debate bacana!

  • Bob,

    Para mim as tentativas só param se eu estiver a ponto de morrer. Se o médico disser que eu ainda tenho saúde (no caso, dinheiro e tempo) eu continuo tentando. Só vou parar se perceber que se investir mais tempo e dinheiro eu quebro. Caso contrário, vou até o fim do mundo pela minha idéia.

    Nessa busca, não podemos esquecer que empreender é que nem sintonia uma rádio no dial. Sintoniza aqui, ali, e depois de várias tentativas acerta o mercado.

    Para mim TODAS as empresas quebram antes de completar 1 ano de idade. O fato é que 30% dos empreendedores são flexíveis o bastante para reinventar a idéia quando o primeiro sinal de quebradeira aparece. 70% são teimosos e teimam em não sintonizar com o mercado que escolheu (se realmente escolheu algum).

    ARREBENTA!!!

    Ricardo Jordão Magalhães
    http://twitter.com/bizrevolution
    http://www.bizrevolution.com.br

  • Ana says:

    Adorei o texto… preciso deixar de ser teimosa…rs!

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