Este final de ano fiquei 2 semanas semi-desplugado. Baixei meus e-mails a cada 2 dias, dei uma olhadela na web, tuittei direto do iphone 1 ou 2 vezes apenas mas, no geral, estava unplugged.
Algumas rápidas conclusões: faz menos falta do que achamos e faz um bem enorme se livrar um pouco da vida corrida que se move pela web.
Li alguns livros (meu Kindle quebrou, então não foi um verão de leituras digitais ainda) entre eles 2 que falavam de buscas de auto-conhecimento: Comer, Rezar e Amar, mega-super-bestseller “de mulherzinha”, como dizem por aí, foi uma surpresa agradabilíssima. Leitura gostosa, rápida, um bate-papo muito bom com a escritora em suas buscas por se encontrar depois de vários relacionamentos mal sucedidos e um outro que narra a história de um pai e seu filho que saem dos EUA e resolvem cruzar o cabo Horn com um veleiro muito pequeno para o desafio, também em busca de se conhecerem melhor.
Talvez esses livros tenham caído em minhas mãos pois estou num momento de reflexão, de busca por auto-conhecimento, por me entender melhor, pode ser, e é até provável que por conta disso, tenha gostado do que li…. Mas recomendo Comer, Rezar e Amar.
Entre uma viagem e outra ficamos 2 dias aqui em SP e aproveitei para ver várias das palestras do TED que não havia ainda visto (artigo anterior aqui) e mais uma vez pude experimentar uma sensação de aprendizado, de busca por conhecimento, de encontro de coisas especiais e gente especial.
Ontem, já em casa pra evitar as 8h (ou mais) de trânsito na volta da Ilhabela, voltei a me plugar, especialmente nas tais das redes sociais e pude observar algumas coisas:
1. A sensação de você não conseguir acompanhar tudo o que está rolando é enorme e gera frustração e ansiedade. A minha aumentou na hora.
2. Como disse o Rudolf Giuliani em palestra que assisti na HSM ano passado, 90% das coisas que nos parecem urgentes, na verdade não são urgentes, mas quando você se pluga nas redes sociais, há uma persistência em que as sintamos urgentes. E as sentimos, na maior parte das vezes.
3. A sensação de que não há tempo pra nada deixa a gente com pouquíssimo tempo para pensar na gente mesmo. Tuitando, postando, e acompanhando o que rola, sobra pouco tempo pra refletir.
4. Os 140 caracteres são ótimos, mas permitem uma quantidade enorme de tuites, o que torna impossível acompanhar e, mais, de se aprofundar e concentrar em qualquer coisa.
5. O Twitter, que publica as audiências das pessoas (followers, listas, retuites, etc), é a mais insana das ferramentas pois classifica todo mundo ali na cara e as pessoas passam a agir para ter mais seguidores, listas e etc. E acaba ficando muito parecido com os jornais populares em busca de venda na banca. Já vi até gente ofender o amigo mas não perder a tuitada (e os retuites e os novos seguidores).
6. E, por fim, observei nestes dias off – e ontem voltando, mas um pouco mais ainda como observador – que as tais das mídias sociais são um mundo onde todo mundo sabe tudo, onde todo mundo tem opinião sobre tudo, onde todo mundo tem um link incrível para mostrar, onde tudo mundo fala dos outros com o maior desprendimento, onde a sabedoria é instantânea e geralmente pessoal. É um mundo EU.
Sou marinheiro velho dessa coisa chamada web – em 96 eu já estava lá, numa época em que a maioria acha que nem existia a Internet, e sou extremamente apaixonado pela web e por toda a revolução que ela está criando mas, sempre é preciso pensar criticamente e colocar alguns mas na vida, é bom ficar atento como a gente se relaciona com esse mundo, como a gente lida com 250 seguidores ou 30mil seguidores, como a gente entende os retuites e o que fazemos para obtê-los, como administramos nossa “persona digital” face a “persona real” que somos, como nos expomos neste mundo deixando um rastro digital para todo o sempre na cibersfera, como lidamos com o auto-conhecimento, como buscamos nos aprofundar em nossos sonhos e projetos ou deixamos nos iludir com uma esfera que é só imaginária.
É tudo o máximo, repito, mas não custa pensar um pouco.
Entre no seu Twitter, onde só tem os seus próprios tuites, leia um pouco e veja se aquele é você mesmo.
Se for, show de bola, siga em frente.
Se for “médio” você, hum… fique atento, mas ok, ninguém é 100% autêntico o tempo todo, temos nossas personas, é normal..
Mas se você encontrar “outro alguém” no seu próprio Twitter, se ligue, talvez seja bom refletir e pensar.
Ou não. Você decide.
Pois é Bob, tive uma sensação parecida nesse final de ano. Estar plugado e virtual pode nos distanciar da realidade. Parece que viramos “Zumbis Digitais”. Percebi isso ao começar a correr pela manhã, ouvindo os pássaros cantando e sentindo o cheiro da natureza. Pode ser bobeira mas pra quem é acostumado a correr em academia com uma TV de plasma na frente e com a esteira informando cada caloria perdida, é uma grande mudança. Essa busca pelo auto-conhecimento é ainda mais importante agora que temos tanto o que ver, ouvir, assistir e fazer. O filtro é o que nos fará realizar tudo o que queremos e ainda ter tempo para sentir e estar perto de todos que amamos. Forte abraço pra você e um ótimo 2010!
Jorge
Já li estes livros, realmente são bons, especialmente o primeiro. Dá uma olhada neste site, acho que vc vai gostar. http://www.skoob.com.br é uma rede social para leitores.
Abs. :-)
Oi Bob
Excelente artigo, parabéns!
Concordo totalmente com você e deixo uma dica a você e a todos que te acompanham:
Vão assistir AVATAR
Lá, de uma outra forma, tudo isto que você falou será abordado e algumas (se não muitas) fichas cairão.
É um excelente filme.
Ficção, futurista, novidade, etc, etc, etc…
Mas a história é tocante, mostra de uma forma muito forte, se toda esta tecnologia está realmente nos levando, ou não, ao caminho certo.
Tá dada a dica
Abração e um Feliz 2010 para você e para todos nós
Feliz Ano Todo
:-)
Falou tudo!
Por eu ser especialista em tecnologia móvel, tem gente que acha que eu fico 24h por dia conectada. Na verdade, eu chego a ficar 2 ou 3 dias sem levantar a tampa do notebook e não deixo meu smartphone em modo “push”, com notificações o tempo todo. Checo emails quando *eu quero* e não quando o aparelho manda eu checar. E só abro programas de mensagens instantâneas quando tenho pendências a resolver com algumas pessoas, pois é mais ágil que email quando a situação não me permite usar telefone. E mais barato também, já que vivo de DDD :)
O grande barato da mobilidade é a disponibilidade, simples assim. Hoje tive que esperar um cliente por meia hora para uma reunião, e nesse período escrevi um artigo e esvaziei meu inbox. Essa é a verdadeira liberdade que a tecnologia nos proporciona.
Abraços!