Archive for the ‘Pessoal’ Category

aviaoPor conta do final do ano, recesso, planejamento, revisões de planos, etc, etc, eu fiquei mais ácido, venenoso e questionador em meus textos e talvez um dos lados do ato de empreender tenha ficado meio de lado. Alguns leitores comentaram, então vou um pouco pro outro lado.

No meu livro o @nizanguanaes disse: “Empreender é como a gravidez. É uma hecatombe. Um negócio que pega a sua mulher, que é uma gostosinha, e deforma ela, fica com o nariz inchado, a cara chorosa, os peitos enormes. Mas aquilo vai formando um lado bom SEU e, no final, ela dá à luz e você entende todo o processo” e acho que ele não poderia ter explicado melhor o que é essa maluquice de empreender.

Read the rest of this entry »

Picture 19Uma das coisas mais hipócritas dos tempos atuais é desejar coisas fantásticas nesta época do ano via cartões de Natal, e-mails e mais recentemente via Twitter, para as pessoas que mal conhecemos, muitas vezes odiamos, mal respeitamos e o fazemos apenas por fazer, por convenção, por interesse em negócios ou por pura inércia.

Faz algum tempo que procuro ficar de fora disso, assim como faz uns 15 anos que não vejo TV aberta.

Nos 2 casos, penso, ganho imensamente. ;-) Read the rest of this entry »

vinho-e-chocolateDivagando um pouco num dia entediado, imagino um filme com as cenas a seguir.

Recebo uma ligação de uma pessoa com um certo sotaque estrangeiro, difícil de decifrar, dizendo que outra pessoa, que também não consegui identificar exatamente, havia visto uma palestra minha e que recomendava que ele me procurasse e por isso me ligava. Queria me convidar para um almoço.

O restaurante sugerido era dos bons – gosto de comida – mesmo sem entender bem do que se tratava, mas como sou curioso por natureza, desmarco mentalmente um compromisso desmarcável, e topo o almoço.

Read the rest of this entry »

crappyHá 2 meses, alguns acompanharam de perto e outros de ouvir apenas, nossa Crappy estava enfrentando uma crise renal aguda. Ontem ela nos deixou.
Crappy se juntou à nossa pequena família há 5 anos. Bia e eu achamos o canil, queríamos uma dálmata, apesar de alguns sites afirmarem que a raça era das mais burras – Crappum viveu pra nos provar que não é nada disso! – e fomos lá olhar. Eram 2 filhotes, 2 irmãos, e assim que chegamos perto, um deles logo veio se aninhar com a Bia: estavam escolhidas por ambas! O nome dela seria Crappy, já que tínhamos vivido um monte de “craps” na nossa vida recente e queríamos rir um pouco daquilo tudo. Eu reparei que a perninha de trás dela era toda meio amarelada – poderia ser só de xixi, mas e se não fosse, pensei – mas como a paixão dela e da Bia já tinha acontecido, nada falei. Dois ou 3 dias depois fomos buscá-la – com 3 meses – no canil numa sexta-feira à noite de Mr. Jens, já a caminho da Ilhabela. Nem chegamos na Marginal e a moça já tinha feito 2 cocôs, muitos puns e 2 xixis. Alguns “pára-limpa-desinfeta” depois, Crappy já tinha virado Crappum, por razões óbvias e, a essa altura, já se aninhara no colo da Bia, para nunca mais sair! Crappum vomitou apenas 1 ou 2 vezes em viagens e logo percebeu que a vida dela estaria ligada a um Land e muitas estradas, então adotou o Mr. Jens como sua segunda casa, ou primeira, em muitos momentos, e a estrada como um lugar seguro, aconchegante, onde seu pai (eu) me sinto bem, relaxo, penso na vida e renovo minhas energias. Read the rest of this entry »

eu-e-mrjens2Essa semana lançamos o número 6 da nossa revista de fotografia (Fotosite) e, como fazemos em todo lançamento, promovemos um debate. O convidado e homenageado dessa edição foi o fotógrafo octogenário Thomaz Farkas, um dos personagens vivos mais importantes da fotografia brasileira. Amigos dele de longa data foram prestigiá-lo, fizeram discurso, elogiaram… a juventude, que mal sabe quem ele é, também estava lá, querendo beber da fonte de sabedoria. Foi emocionante, bonito, verdadeiro. Muito mais do que um debate, foi uma grande lição de vida.

Dividi com meu sócio no Fotosite: “espero chegar aos 80 ainda na ativa e, como o Farkas, ainda com coisas para dizer e com gente que queira me ouvir” e, contando para um amigo como tinha sido o evento narrei: “o Farkas é o avô que todos querem, que todos merecem. Pessoa boa, generosa e otimista com a vida”.

E, inevitável, me lembrei de meu avô. Mr. Jens como o chamavam (alguns de vocês já devem ter lido coisas minhas sobre ele, perdoem-me se me repito) não era um Farkas, não deixou tantas realizações e marcas como o Thomaz, mas era, assim como ele, uma pessoa especial, dessas que não quer só passar pelo mundo, mas quer viver intensamente, experimentar, ousar, acontecer.

Como empreendedor – e esse será o único link desse texto com o tema, fiquei na verdade com vontade de escrever sobre Mr. Jens – é fundamental que tenhamos algum modelo, alguém que nos guie mentalmente, alguém para se espelhar… e meu avô é esse modelo para mim. Assim como o Farkas o é para tantos fotógrafos.

Mr. Jens era um grande aventureiro, aquele tipo de pessoa que se entrega à vida, mergulha de cabeça no que faz e vive intensamente. Uma pessoa que gosta de gente, tem curiosidade pelas pessoas, pelo ser humano e que fez da sua vida uma história verdadeira e única.

Mr. Jens me mostrou que o que se leva dessa vida é a vida que se leva. Sem exageros na loucura, mas sem exageros na normalidade também. Ser normal, igual, é muito chato. Mr. Jens me mostrou que os sonhos que se sonha acontecem mesmo se não tivermos dinheiro, poder, riqueza. Me mostrou que muitas vezes não ganharemos todo o dinheiro que queríamos e que isso é OK e que não impedirá você de ser feliz. Ser feliz é mais importante do que ser rico. Mr. Jens me mostrou que a convivência com pessoas especiais pode ser muito mais gratificante do que dinheiro no banco ou carrão na garagem. Mr. Jens me mostrou como coisas simples na vida, como tomar um copinho de cerveja todo dia às 11h da manhã, só para saborear, sorvendo lentamente cada gole, pode ser tão mais saboroso do que um porre. Mostrou também que quando se precisa de um belo porre, deve-se tomá-lo dignamente. Mr. Jens me mostrou que existe um mundo lá fora, muito além do nosso bairro, do nosso trabalho, do boteco da esquina ou da balada de quinta, esperando para ser descoberto, desvendado e experimentado. Mostrou também que um bom vizinho pode ser ótimo. Mr. Jens me mostrou que a gente vê o mundo conforme os nossos olhos e que se mudarmos nosso olhar o mundo também muda. Mr. Jens me mostrou que viver vale a pena, mesmo quando parece que não. Mr. Jens me mostrou que laços de família são coisas formais, às vezes bons, às vezes ruins. Mr. Jens me mostrou que não existe sonho impossível, projeto impossível. Mostrou também que muita coisa não vai dar certo na nossa vida mas que, afinal, isso é normal, tantas outras darão. Mr. Jens me mostrou que é preciso viver o instante presente e que viver sempre no futuro, no projeto, no condicional, é péssimo. O tempo passa rápido e o tal futuro não chega nunca. Mr. Jens me mostrou que o mundo é lindo e que quando parece o contrário é porque não estamos vendo direito. Mostrou também que existe gente do mal e que para essas nada resta. Ignore-as. Mr. Jens me mostrou o lado da vida de aventura e que viver é em si uma grande aventura. Mostrou que a felicidade está dentro da gente, não nas coisas ou nas outras pessoas. Mostrou que nossa busca deve ser por realização pessoal, íntima e não pelas coisas que o mundo nos dita, nos impõe. Me fez ver que devemos seguir nossa intuição e não a manada que segue numa direção sem saber porque. Mr. Jens me ensinou a ser simples, a ver o simples, a dar valor pro simples. Mr. Jens me mostrou que o sofisticado, elaborado, é delicioso, saboroso, mas que se não pudermos obtê-lo, tudo bem, podemos ser felizes assim mesmo.

E me mostrou que viver intensamente é a única chance de não nos arrependermos quando chegarmos aos 80, 90, e que não existe nada mais triste do que alguém que passou por essa vida e não viveu, como dizia o poeta.

Obrigado Thomaz Farkas pela sua história. Obrigado Thomaz Farkas por ter me feito mentalizar meu avô dessa forma tão intensa. Obrigado Mr. Jens por ter me ajudado a ver o mundo desse jeito especial e otimista.

Abenção vocês 2!

Photo_122706_001Considerando que você compartilha a idéia de que o que se leva dessa vida é a vida que se leva, viajar é preciso. Viajar para mim é, na verdade, sagrado. É caro, admito. Mas é demais.

Maridos pescando e mulheres no Guarujá? Homens esquiando e mulheres em Paris? Os meninos no Rally e as moças em Punta? Urgh, não é pra mim. Sempre desconfiei dos casais que, quando saem de férias, vai cada um pro seu lado em tribos diferentes. Read the rest of this entry »

jensirmaclaubob

Vou até a cozinha e sinto o cheiro de Itapeva. Conectado estou. O mundo tem cores, sons, emoções, mas sou ligado nos cheiros. Uma nesga odorífica qualquer me transporta imediatamente para 20 anos atrás. Um perfume me sintoniza naquela que já fez parte da minha vida. Uma comida que chega à mesa me liga a lugares, pessoas e coisas de um passado que está todo lá, como que em caixinhas ou escaninhos, esperando que um nariz qualquer comande o re-encontro. Assim me parece. Tenho bom nariz e as emoções batem forte. Não me conecto em cheiros que me lembrem coisas ruins, talvez por eu ser um otimista incurável.

Itapeva é um lugarejo místico na vida da minha família. É lenda e memória viva em todos nós, não escapa um. Nos pegou faz tempo e até hoje. Preciso sentir Itapeva ao menos 1 vez por ano. Fica no sul, numa praia perto de Torres. Foi desvendada para a família por meus avós – Irma e Jens – há uns 80 anos, mais ou menos. Tudo começa com um casal – os Black – que lá montam uma pensão de férias pelos anos 20 onde meus avós passam férias e se apaixonam pelo lugar. Surge um loteamento e com muito sacrifício eles compram um pequeno lote, tipo 10 por 10. O loteamento vai à falência, as ruas e as benfeitorias nunca são feitas mas meus avós- inebriados com a magia do lugar – fazem subir um chalezinho simples com a ajuda de um marceneiro local (outra lenda na família, o Vitor) o qual batizam de Tatuira, pois ambos têm os olhos pra trás (no caso da casinha, as janelas dos quartos). Tatuira se ergue, pequena e charmosa, em um campo verde imenso, sem ruas, sem postes, sem luz elétrica, sem água encanada, só com o essencial. Por coisas do destino, meu pai andou por Itapeva antes da minha mãe ser candidata a minha mãe e quando isso já era o caso, ainda mais. Minha infância foi literalmente e intensamente vivida em Itapeva. Shopping Center? Disney? Sapatos? TV? Cidade grande? Nada dessas coisas desnecessárias que criamos e depois achamos que são necessárias. Não são!

Itapeva gerou em mim um olhar especial do mundo, me fez mais humano, menos bicho. Me fez colocar o pé no chão, mexer com terra, sentir a força da natureza, a chuva forte batendo na cara, as areias escaldantes das dunas, o passado nos sambaquis (sítios arqueológicos), o marzão imponente, zangado à vezes, mas sempre aberto para um mergulho. Vivi as brincadeiras simples das crianças, percebi o valor da gente simples bebendo e contando causos na venda (lojinha do Seu Luis, outro personagem especial do lugar). Itapeva me fez valorizar o que se leva dessa vida – o prazer, a emoção, as pessoas verdadeiras – e dar o devido peso pro resto, o dinheiro, as coisas materiais, as pessoas falsas, as porcarias do mundo.

Cheiro de Itapeva é cheiro de travessura, de engenhocas infindáveis com meu avô, grande aventureiro e meu melhor amigo, da carne assada fantástica e deliciosa feita em fogão à lenha pela dona Quinha (mulher do Seu Luis da vendinha). Cheiro de Itapeva é cheiro de banho gelado de balde, de luz de lampião, de pôr do sol logo depois da “janta” (como se diz no sul), de milho frito feito pela vó, de chucrute também feito por ela, de sorvete em Torres, da tinta dos quadros do meu pai, do ovo frito no café da manhã da minha mãe, da primeira namorada, do primeiro beijo, de vida.

Que bom que fui até a cozinha.

Enquanto preparo essas linhas, Chopin toca ao fundo, e vou deixando as palavras surgirem.

Vó, falar para ti não é fácil. Não queria ser óbvio, dizer que es uma vó maravilhosa, especial, isso ou aquilo, afinal todos já sabem disso!

Tenho você impregnada nas minhas entranhas. Tenho certeza que sabes disso, mas achei que podia te contar pessoalmente e que hoje era um bom dia pra isso.

Me pego Vó na cozinha, quando preparo uns bifinhos altos de filet na manteiga que me transportam para aqueles anos deliciosos em Santos, me fazem os olhos brilhar e perceber como algo tão simples como um bom bifinho na manteiga pode ser maravilhoso.

Me sinto Vó, quando embarco no meu Land Rover rumo ao longo curso e, dirigindo, vou me lembrando das viagens de Kombi, dos acampamentos, do posto Chá Tupi, do tecido xadrez do estofamento, do cheiro de aventura, de liberdade, do prazer com as coisas simples e vejo que, ao meu modo, também tenho trilhado meus próprios caminhos e estradas.

Me enxergo Vó, quando me lanço aos meus escritos pessoais e me inspiro nos diários das tuas viagens, que lia e relia sem parar na minha infância e que até hoje estão absolutamente vivos na minha memória.

Me emociono com a Vó, cada vez que chego em Itapeva e um turbilhão de boas lembranças e emoções desaba sobre mim. As cortinas verdes, os pratos na parede, o banho quente na garagem, o par de esquis noruegueses, as férias juntos, o chocolate Kri-Kri, o chucrute que nunca fica pronto, o pão torrado quase queimado…

Me espelho na Vó, quando opto pela vida simples, verdadeira, onde dinheiro não é o grande valor e onde ser feliz é possível, apesar dele, ou da falta dele.

Me projeto na Vó, quando a vida me dá uns tropeços, desanimo e preciso me levantar, e vejo o que a energia boa e positiva com a vida é capaz de fazer.

Me energizo com a Vó, quando a luta para ser feliz requer obstinação, garra e determinação e abro o envelope onde guardo aquela velha cópia de um divórcio litigioso do início do século passado.

Me rio todo com a Vó, como ela mesma adora fazer, quando me lembro dela contando piadas e, ao mesmo tempo, sendo a pessoa que mais ri.

Me provoco com a Vó, para sempre viver o hoje, o tempo presente, nem um passado que já foi, nem um futuro que talvez nunca chegue, quando a vejo pedindo a meu pai que me envie um e-mail para que eu procure algo na Internet sobre o famoso violino dela. O tempo da Vó é hoje.

Me instigo com a Vó quando a vejo rir de suas próprias desgraças, sem se levar a sério demais.

Me fortaleço com a Vó quando ela me diz, aos 99 e logo depois de se curar de uma bela ferida na perna, “dessa vez passou perto, Roberto, mas agora estou boa!”.

Me inspiro na Vó, quando penso no que quero para minha vida pessoal e afetiva e viajo nas minhas lembranças e nas tantas histórias dela e do Mr Jens.

Me identifico com a Vó, quando ela trata minha jovem esposa, a Bia, na verdade uma menina, bem mais jovem do que eu, com enorme carinho, sem preconceito algum e de igual para igual, e com isso aceitando integralmente o meu jeito meio amalucado e diferente de ser.

Me aproprio da Vó, quando conto pros amigos grandes histórias de família, como aquela do porquinho que disparou a buzina da Kombi no meio da noite ou como ela e um rapaz da pá virada acabaram se conhecendo em Porto Alegre e vivendo juntos por anos e anos… sem nunca se casarem, mas casadíssimos,

Me reconheço Vó, quando percebo que as relações das pessoas estão mais ligadas às próprias, e muito menos as convenções, família ou seja lá o que o ser humano criar.

Me tranqüilizo com a Vó, quando a cena dela e do vó, ambos já velhinhos, vendo TV de mãos dadas me vem à cabeça.

E, por fim, ME DESCUBRO VÓ, quando procuro me conhecer melhor, me auto-orientar na vida, buscando sempre ser alguém do bem, estar feliz comigo próprio, deixar uma marca da minha passagem por esse planeta maluco e fazer alguma diferença nesse mundo tão indiferente.

Parabéns Vó! Aos 99 quero ser ainda mais Vó!

Empreendedorismo no Twitter
Licença de uso
Sinta-se à vontade para utilizar os artigos aqui publicados, sempre colocando o autor e o link para esse site.
Assine EmpresaBrasil!

Digite aqui seu e-mail:

Apresentação Empreendedorismo
  • Richard Branson em 90s
    A gente já publicou algumas historinhas da Moving UP, uma série produzida pela Universidad de Palermo, que conta diversas histórias de empreendedores famosos, em até 90 segundos... [[ This is a content summary only. Visit my website for full links, other content, and more! ]] […]
  • Você precisa de um novo logo?
    Falar da importância de um logotipo para um negócio parece meio óbvio. Neste artigo publicado pela AllBusiness, por exemplo, o autor justifica que... [[ This is a content summary only. Visit my website for full links, other content, and more! ]] […]
  • Curso: Desenvolvimento de Produtos sem Enrolação
    Ainda estão rolando vagas para o curso Desenvolvimento de Produtos sem Enrolação, realizado pelo pessoal do Empreendemia. O conteúdo das aulas é... [[ This is a content summary only. Visit my website for full links, other content, and more! ]] […]
Arquivos
Entrevista
FormSpring Me