Posts Tagged ‘empreendedor’

bob-crocsOutro dia, assistindo ao seriado americano Sex & The City, meu pensamento viajou. Na verdade, sempre que assisto ao seriado, viajo literalmente a Nova Iorque, onde tive a sorte de ter morado por um ano da minha vida e onde a vida acontece de um jeito intenso, interessante e atraente. Nova Iorque é Nova Iorque e, verdade seja dita, parece cada vez mais bonita, segura e interessante. Num parêntese: é prova concreta que dá pra se viver bem num aglomerado de alguns milhões de seres humanos.

Mas não é dessa viagem que quero falar hoje. Fiquei observando a Carrie discutindo com ela mesma todas as suas questões de vida, se fica com esse ou com aquele, se deve ou não se importar com a idade, se casar é melhor do que namorar e assim por diante e, num certo momento, ela senta num restaurante para almoçar – sozinha – e começa a conversar consigo mesma: “Coragem, seja forte. Você pode almoçar sozinha numa boa, sem ajuda de uma revista sequer”.

Olhei aquilo e me identifiquei totalmente. Não com o assunto – na verdade, também com o assunto – mas especialmente com o modo como o seriado é produzido com a voz dela em Off narrando o seu próprio pensando, quase que numa conversa.

Algumas das minhas melhores decisões na vida eu tomei assim, falando comigo mesmo e fazendo com que eu mesmo respondesse às minhas maiores indagações.

Observando os empreendedores em minhas andanças por aí, vejo que muitos deles fazem isso também e consigo próprios resolvem seus maiores desafios. Já contei em algum texto no passado que chego às vezes a sair do escritório e dar umas voltas na quadra conversando comigo mesmo em voz alta, como a Carrie.

Descobri também mais recentemente e talvez enfrentando barras mais pesadas, que às vezes é bom deixar “você mesmo” pensar, sabe? Dormir uma noite em cima do problema ou tomar umas cervejotas para que o pensamento flua melhor…e conversar com “você mesmo” no dia seguinte, ou na semana seguinte. Tarefa, diga-se de passagem, nada fácil para empreendedores, não é?

E então, empreendedor é gente que faz? Ou gente que pensa sem parar, e por isso mesmo faz? Gente inquieta demais? Gente tipo a Carrie, que não pára de se questionar de tudo? Não sei, mas já estou aqui pensando e falando mentalmente comigo mesmo e, tenho certeza “eu mesmo” me responderei em breve…. (Risos) O que você acha?

Em tempo, detesto comer sozinho e uma revista ou o laptop são ótimas companhias, não? Ah, você não se importa? Duvido!

Esta semana retomei alguns contatos com amigos nos EUA e, claro, inevitável, falamos dos drinks do Lula e da expulsão do jornalista americano.

Ao receber um link de um artigo americano comentando a decisão do nosso presidente de expulsar o jornalista, enviei um e-mail em resposta dizendo que me sentia envergonhado da barbaridade da republiqueta. (não vou mais discutir o tema, todo mundo já o fez, a coisa já está resolvida e isso já nos cansou..). Quero olhar outro ângulo.

No momento me sentia efetivamente envergonhado, assim como me incomoda ouvir nosso presidente falando errado e engolindo letras a torto e a direito, e minha resposta expressava isso.

Qual não foi minha surpresa quando recebo, em segundos, uma resposta do meu amigo: “se você se sente envergonhado aí, imagina nós aqui com tudo o que está acontecendo com o nosso presidente!”

Parei para refletir. É verdade. O que me envergonhava naquele dia não passava de um deslize momentâneo (corrigido em seguida) e, mais do que isso, era algo bobo, sem maiores conseqüências. Os erros do Lula continuam me incomodando mas, na real, são quase inofensivos.

Tudo isso se formos comparar ao que estamos vendo acontecer nos EUA é café pequeno, como diria minha mãe. É nada.

Refleti um pouco mais, e me voltei a algo que já discuti aqui nessa tribuna: a nossa auto-estima. Ela é, em geral, tão baixa que daria quase que para chamar de baixa-estima (eu sei, eu sei… é só um trocadilho infeliz e que sugere um erro (do mesmo tipo dos descuidos do presidente)… mas não resisti…).

Como morei fora, precisamente nos EUA, as pessoas me perguntam muito como é trabalhar lá. Sempre respondo que é igualzinho no conteúdo e que apenas muda um pouco na forma. Uso sempre um exemplo. Um brasileiro que tem uma reunião às 11h chega sem problemas às 11:30h e acha isso quase normal. Um americano, 2 minutos para as 11h liga e diz que vai se atrasar 15 minutos, 2 minutos para as 11:15h liga de novo e reforça que precisa de mais 15. No fim, os 2 atrasam, o fazem de uma forma diferente mas dá tudo na mesma, não dá?

Quando olhamos os países e nos perguntamos por que somos 3º mundo e eles 1º, podemos sustentar nossa resposta em inúmeros fatores, questões históricas e assim por diante… mas será que a diferença real não está só na auto-estima deles que está sempre na lua e a nossa, sempre na fossa?

Simplista demais? Pode ser, mas olhe você mesmo, quando sua auto-estima está em alta não parece que as coisas acontecem? Que os seus sonhos se realizam, que a energia a sua volta o faz brilhar?

O empreendedor, por exemplo, é uma pessoa com auto-estima altíssima!

Se hoje me perguntarem o que o empreendedor americano tem de melhor em relação ao brasileiro, respondo na lata: auto-estima mais alta. Só! O resto são apenas características de um ou de outro. Nada de melhor ou pior. A auto-estima, essa sim, é anos-luz maior. Pro bem e pro mal, claro.

Outro dia uma amiga me criticou, no sentido positivo da coisa claro, dizendo que nos meus textos eu apresento sempre o empreendedor (costumo grafar empreendedor com maiúscula, o que vou deixar de fazer daqui pra frente em função deste) como se fosse um ser especial, bem dotado, único.

Discordei dela e ficamos numa troca de e-mails, até que entendi o que ela dizia.

Por apresentar os empreendedores como ovelhas negras, esquizofrênicos e solitários posso eu, às vezes, passar a impressão de que os mesmos são seres especiais, únicos, super dotados. Não é o que quero dizer e não é o que penso, de fato. Perdoe-me o leitor se acabou ficando essa sensação, errada.

O empreendedor é, na verdade, um ser comum, igualzinho a cada um de nós.

Penso que ninguém É empreendedor mas sim ESTÁ empreendedor e que, esse ESTAR pode aparecer (e desaparecer) em qualquer momento da vida de qualquer pessoa. Naturalmente existe talento para arte, para vendas, para política, assim como existe talento para estar empreendedor mas isso não significa que alguns poucos podem e outros não. Todos podem.

O que tento mostrar, por outro lado, é que aquelas pessoas comuns que resolvem, por qualquer razão que seja, se tornar empreendedores acabam tendo características um tanto quanto parecidas entre elas.

A esquizofrenia, a solidão, a determinação, a auto-confiança, a paixão pelo que se propõem a fazer, a maluquice de ir contra tudo e contra todos me parecem estar presentes em uma grande parte dos empreendedores ou melhor, daquelas pessoas comuns que resolvem empreender. Talvez a coisa seja até o contrário. A tarefa de empreender é que acaba exigindo dessas pessoas uma atitude, criando os tais dos empreendedores.

Pouco importa. O importante é entender que, por princípio, acredito que qualquer um possa se tornar empreendedor, que gestão empreendedora pode ser aprendida, que ninguém precisa ter um dom especial para empreender e que, de fato, muita gente tem esse jeito maluco típico dos empreendedores mesmo sem ESTAR empreendedor.

Como diz minha amiga: ‘com 3 filhos e 1 marido para cuidar, a gente acaba virando uma super empreendedora da família…’ Verdade verdadeira, como costuma brincar minha avó!

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