Posts Tagged ‘empreendedorismo’

Quanto mais escarafuncho a área de empreendedorismo em nosso país, mais me surpreendo de forma positiva. Nosso potencial é imenso. Somos um povo novidadeiro, que não tem medo, que gosta de meter a cara e que, aos poucos, vai mostrando o seu valor. Em cada esquina (apesar de todos os pesares do Brasil), temos uma boa nova, gente fazendo, gente criando e as coisas acontecendo.

Recentemente achei o capítulo brasileiro da ONG Junior Achievement e descobri que eles ajudam mais de 100 mil jovens por mês!! (www.ja.org)

Há alguns meses descobri que existe uma faculdade que forma administradores de empresas com ênfase em empreendedorismo em Minas Gerais (oficializada pelo MEC).

Um grande portal de web me informou que uma das palavras mais buscadas em sua área de negócios é justamente Empreendedorismo.

Nosso curso de empreendedorismo no e-labSSJ está se mostrando muito interessante com vários jovens contemplando seriamente a opção empreendedora e, o mais legal, buscando se preparar para isso. (www.labssj.com.br)

Aqui no EmpresaBrasil! temos tido um enorme feed-back de todo o país, com pedidos de palestras, discussão de temas importantes e parabenização pela iniciativa.

Na semana passada, em editorial discutindo os Angels, acabamos descobrindo uma associação de um grupo de 15 investidores voltada para o fomento da atividade de investimento Angel. (www.gaveaangels.org.br)

Nessa semana travamos contato com 2 entidades interessantes que trabalham pelo empreendedorismo: YABT – Young Americas Business Trust – um fundo para jovens empresários das Américas e a AJORPEME – Associação de Joinville e Região da Pequena, Micro e Média Empresa. (veja artigo de um de seus membros http://empresabrasil.com.br/artigos/index.php?destinocomum=noticia_mostra&id_noticias=151&id_eventos= ).

Enfim, esse são alguns exemplos do que o brasileiro está fazendo pelo seu futuro, ou melhor, pelo seu presente.

Temos, contudo, uma turma lá em Brasília que ainda não acordou para a causa, nem percebeu como ela pode mudar (de fato) nosso país.

http://empresabrasil.com.br/artigos/index.php?destinocomum=noticia_mostra&id_noticias=145

Mas como empreendedor que sou e, portanto, otimista nato, acho que é só questão de tempo para isso acontecer e podermos vislumbrar dias melhores pela frente!

Outro dia, conversando com um amigo a caminho da Ilhabela, contando as novidades da minha vida, grandes mudanças, novidades, negócios novos, e algumas crises, etc, ele me disse: “puxa, como acontecem coisas boas com você, incrível, comigo não é bem assim…”.

Refleti por um instante e respondi a ele que não sabia se era esse mesmo o fato ou…. 2003 foi um ano muito duro, passei por enormes mudanças tanto profissionais quanto pessoais e, por um instante, dirigindo e papeando, deixei meu olhar distante e fiz um exercício de imaginar tudo de ruim que aconteceu em minha vida recentemente…. A lista ficou grande rapidinho: vi um monte de coisas. Lembrei das tristezas nos negócios, dos ex-sócios, dos ex-amigos, dos interesseiros que sumiram (ainda bem)… lembrei também das minhas relações pessoais, das ex-mulheres e das nossas separações, dos amigos e dos ex-amigos…. e a lista foi crescendo….crescendo

Mas isso tudo não durou mais do que alguns segundos. Não tenho paciência, me irrito comigo mesmo e, em 3 segundos eu estava de volta olhando para as milhares de coisas boas que aconteceram comigo e, principalmente, com todas as que acontecerão comigo.

Talvez eu simplesmente mantenha a capacidade de focar nas coisas boas, no futuro, nas coisas por fazer, nas coisas por construir…

Me dá uma energia enorme pensar em coisas novas, em criar, em mudar, em renovar minha energia com novas idéias, novas pessoas, novos empreendimentos… e, por incrível que possa parecer, muitas das coisas ruins que me acontecem acabam por me motivar ainda mais para a batalha do dia-a-dia.

Por que resolvi escrever tudo isso? Tenho escrito, observado e pensado muito a respeito do empreendedorismo e dos empreendedores e uma das minhas observações é de que os empreendedores são pessoas mais ou menos assim.

Derrotas são apenas pequenos desvios do caminho, fracassos têm a devida dimensão (pequena e relativa) e todas essas coisas “ruins” nunca podem abater a energia de fazer as coisas, correr atrás.

Naturalmente empreendedores não são super-homens e também têm seus momentos “down”, suas crises, suas depressões… mas normalmente elas não duram mais do que realmente devem durar!

Se você coloca junto algumas pessoas com mente empreendedora, pode crer, em pouco tempo você verá brotar dezenas de oportunidades onde a maior parte das pessoas só vê problemas. Está nas veias dos empreendedores se desligar do lado negativo das coisas, soltar e deixar que a cabeça trabalhe e encontre brechas e as transforme em oportunidades.

Alguns chamam isso de sonhar. Eu chamo isso de Empreender!!!

Difícil? Tente fazer o exercício!

How a startup called Method roused a tired category and turned household cleaning products into objects of desire.

Neste final de semana, lendo a revista americana Business2.0, me deparei com esse artigo aí de cima. Li e comecei a refletir. Não me considero Americanófilo, morei 1 ano nos EUA e pude testemunhar tudo o que aquele país incrível também tem de ruim, como qualquer país.

É inegável, por mais que se queira negar, a capacidade que os americanos têm de empreender, de buscar o novo, de inventar e de, em última análise, enxergar oportunidades. Eles são mestres em enxergar espaço para novas idéias e novas empresas onde todos imaginam não existir muito espaço.

No artigo mencionado, é contada a história de 2 rapazes que no auge do boom pontocom resolvem montar uma empresa em uma área sem graça e antiga: produtos de consumo. Apesar de ser um espaço ocupado por gigantes como Procter, Unilever, Palmolive, eles perceberam uma oportunidade e foram atrás.

Passeando pelas gôndolas de supermercados e “grocery stores” notaram que todas as embalagens se parecem muito e que o que muda entre uma e outra é praticamente apenas a marca. Além disso, perceberam que a exploração dos espaços para a marca e para os atributos do produto é tão grande nas embalagens que ninguém tem vontade de deixar o produto à vista na sua casa. Olhando tudo isso, com a experiência adquirida em agências de propaganda que atendiam a produtos de consumo e com a ousadia que é particular aos americanos, foram a luta. Montaram a empresa na garagem e no começo faziam eles mesmos as misturas dos produtos. O diferencial: bons produtos, com embalagens bonitas (que as pessoas tivessem vontade de deixar à vista) e, claro, com preços competitivos em relação aos produtos “normais”. Visitaram centenas de “grocery stores” e começaram a emplacar seus primeiros produtos. Nessa altura, levantaram capital (um mecanismo interessantíssimo, muito comum nos EUA e muito raro por aqui ainda, infelizmente) e começaram a crescer. Faturaram 10 milhões de dólares em 2003 (pouco para o mercado americano, mas muito para o estágio da empresa) e já têm uma presença nacional naquele país através de uma rede de lojas que vendem seus produtos.

Enfim, a empresa vai bem obrigado, seus clientes pedem diariamente que ela ofereça mais categorias de produtos e até mastodontes como a Procter os vê como concorrentes!

Trouxe tudo isso a você pois, como disse no início, li esse artigo (ah, o link está lá embaixo) e comecei a refletir: como ainda somos limitados aqui em terras tupiniquins, como pensamos sempre em copiar tudo e como achamos que não podemos inovar e criar coisas novas. Não quero ser injusto, há exceções, claro mas, de forma geral, vejo uma dificuldade enorme do brasileiro em inovar, em acreditar que pode fazer diferente algo que já é feito igual há anos.

Vejo coisas interessantes acontecerem, reconheço a capacidade dos empreendedores e empresários brasileiros mas, de uma forma geral, se alguém chegasse a você numa roda de chopp e dissesse: vou criar uma empresa para competir com a Unilever e a Procter….. antes mesmo de ouvir o que ele tinha a dizer, você já estaria pensando: “se toca, cara, competir com esses monstros?, Você está louco… monta uma franquia e sossega! ou então arruma um emprego e não se mete a besta!”, não é? Sei que é. Talvez você, leitor do EB!, já esteja em outro momento da sua vida mas, assim mesmo, o que você responderia a si mesmo se pensasse em competir com a Unilever? Hum?

Na mesma edição da Business2.0, há uma empresa de malas de viagens que apresenta um série de novidades e que foi criada por um ex-piloto comercial que sentia na pele o quanto eram ruins as soluções de malas criadas por gente que viaja muito menos do que pilotos!

Interessante, não? Cool business opportunities, no?

Esse final de ano, depois de um ano stressado (mas bom), resolvi buscar algo totalmente novo, diferente, e que pudesse ao mesmo tempo exorcizar 2003 e energizar 2004. Fui para o Oriente. Visitei apenas 2 lugares: Hong Kong e Beijing (China), por falta de mais tempo, mas o que vi foi inspirador, motivador e extremamente interessante.

Fora os aspectos culturais e do povo, claro, o que me chamou muito a atenção foi à capacidade empreendedora de um povo se expressando de maneira incrivelmente forte. Uma gente que, até pouco tempo atrás, vivia sob as rédeas de um governo comunista, centralizador e pai de todos, se mostra ávida por fazer coisas, por mudar, por assumir riscos, por empreender.

É quase que assustador passear por Beijing e ver milhares de chineses vendendo (e comprando) de tudo, tudo mesmo o que você possa imaginar, em enormes “Promocenters”, alguns deles a céu aberto em pleno inverno de 4 graus. O amor pelo comércio e pela negociação parecem ter renascido de maneira incrível nos chineses.

Infelizmente, é muito difícil se comunicar com os chineses se você não fala a língua deles, mas dá pra perceber que aquele país será um dos líderes das próximas décadas, isso me parece um caminho sem volta. E tudo por lá é superlativo, pois não faltam chineses dispostos a consumir e a melhorar seu estilo de vida.

Então que tenhamos um 2004 bem chinês!!!

Esta semana realizamos uma entrevista especial – Kaleil Isaza Tuzman -criador da GovWorks que teve seu boom e sua queda documentadas no filme Start-up.com. Foi um papo maravilhoso. Quase 2 horas de fitas gravadas, com vários pontos altos, discussões acaloradas e conclusões interessantes.

Mas não vou falar disso agora, pois ainda precisamos terminar a edição da entrevista – ela só vai ao ar no final dessa semana – mas para discutir um pouco como o empreendedor é um grande vendedor. Kaleil é um desses exemplos.

Não falo daquela imagem antiga que temos do vendedor, o chato, o típico caixeiro viajante, aquele que te faz levar o produto só para você se ver livre dele… falo do vendedor apaixonado, que ama (sinceramente) o que está vendendo e que é, por conseqüência, um ser interessante, cheio de histórias, repleto de saídas e meandros para quando a venda empaca e uma pessoa capaz de vender sonhos!

Esse é o empreendedor!

Muitas pessoas me perguntam se elas que não nasceram com esse dom “vendedor” então não podem (ou devem) se tornar empreendedoras. Fazem uma referência natural a pessoas que conhecem da mídia – Nizan Guanaes sendo muito citado – como exemplo de pessoas extrovertidas, brincalhonas, cheias de tiradas ótimas e que “vendem” seus negócios o tempo todo de maneira brilhante e, como não se enxergam Nizans, se intimidam e até se questionam se podem ser empreendedores.

Minha resposta é sempre que SIM! Não por uma coisa Polyana, boba, mas sim porque acredito mesmo que quando a pessoa resolve montar o seu negócio a paixão é tão grande que mesmo o mais tímido dos seres humanos arruma um jeito de ser “vendedor”. Já vi de japonês fechado a engenheiro típico vendendo seu negócio de forma brilhante – original, sem dúvida – mas brilhante.

Não é o estilo que importa, nem mesmo a forma. O que vale é pensar no seu negócio como algo que deve ser “vendido” o tempo inteiro, vendido pro seu pai (quando você vai contar para ele que aquela faculdade maravilhosa não serviu para você virar um grande executivo), pra namorada (quando você disser que a partir daquele momento a grana e o tempo estarão curtos), para um sócio (quando você quer que ele ponha dinheiro no negócio), para um investidor, para um cliente, para a imprensa e, em última análise, para você mesmo!

E, se no último dos últimos casos, você ainda achar que é tímido demais para a coisa, você ainda tem uma saída: arrume um sócio ou contrate alguém que cumpra esse papel!

Não tem desculpa não, se a pulguinha te mordeu, vá em frente!

Tem dias que a gente acorda achando que é melhor ficar na cama, não fazer nada, nem sair para a rua, pois algo nos diz que não vai ser um bom dia, não tem?

Dá aquela vontade de ligar pro chefe e dizer que não vai, não dá?

Hum…. mas e se o chefe é você mesmo? Como fica? Se você enveredou por essa coisa do emprendedorismo e se tornou seu próprio patrão e ainda arrumou um monte de patrões nos seus clientes, colaboradores, gerentes dos bancos, fornecedores, etc, etc… você não pode mais se dar a esse ‘luxo’.

Ligar para você mesmo é bobagem!!??

O que você faz? Faz!! Levanta, toma um banhão e vai pra luta! E, sabe de uma coisa, na maior parte das vezes o dia acaba não sendo tão ruim quanto parecia. E, como você se mexeu, muitas vezes nem lembrará que o dia começara assim.

Tem 2 definições que podem nos ajudar a entender melhor essa história da motivação do empreendedor:

A primeira delas, ouvi outro dia em um debate sobre Empreendedorismo Corporativo que eu estava moderando. Robert Wong, da Korn&Ferry disse-nos que a diferença entre um empreendedor e um empregado está justamente na maneira que cada um deles é motivado. De fato, segundo Wong, um empregado é motivado, tanto de forma positiva, com prêmios, viagens, bônus, etc, assim como de forma negativa, perder o emprego, não ser promovido, etc.

Por outro lado, um empreendedor não é motivado por nada externo mas é INSPIRADO, o que é algo dele próprio, interno, e que não depende de nenhum fator externo. O empreendedor faz as coisas por sentir que deve fazer, que tem uma missão, que vai mudar o mundo, que tem uma responsabilidade para com as pessoas e assim por diante. Tudo dele próprio.

Faz sentido, não faz? Naquela manhã, depois de 3 minutos de vontade de não levantar, o empreendedor se inspira pelas coisas que poderá fazer naquele dia, pelos desafios, pelo tesão de resolver os problemas que parecem insolúveis, etc, etc. e levanta e toca pra frente.

Outra definição, que não é exatamente uma definição mas uma característica, ouvi quando preparava meu livro e entrevistei o publicitário Fábio Fernandes da F/Nazca. A certo ponto disse ele: ‘não tenho paciência para ficar deprimido, para ficar melancólico. Me enche o saco isso!’

Acho que empreendedores são bem isso. Até têm seus momentos ‘down’ mas esse momentos são passageiros e eles até acabam os transformando em algo positivo. Inspirados por coisas internas e sem paciência para baixo astral os empreendedores vão criando seus negócios, contra tudo e contra todos e, muitas vezes, contra si próprios!

Esse editorial é fruto de um domingo que acordei meio pra baixo com a vida, tive vontade de nem atualizar o EB! mas, em questão de minutos me inspirei pela missão que tenho no EB!, pelo tesão de receber e-mails com pessoas dizendo que se entenderam melhor através dos meus escritos e, como disse acima, transformei o ‘pra baixo’ no tema da coluna, que acabou sendo algo ‘pra cima’ para você leitor, espero!

Como acontece com o Fábio Fernandes, também não tenho muita paciência para o baixo astral e meu domingo já está ótimo! Estou já na metade do 3o livro do Elio Gaspari sobre os anos duros da ditadura, maravilhoso trabalho, e ainda muita coisa vai rolar, até o sol apareceu, mas isso já é outra história……

Em tempo: não acredito que ser inspirado e não ter paciência para o baixo astral sejam coisas natas. Não acredito que empreendedores são seres escolhidos. Várias dessas característica são apreendidas, desenvolvidas e cultivadas ao longo dos anos.

Essa semana um amigo empreendedor me mandou um e-mail relatando como a coisa estava complicada no seu negócio. Respondi: se quiser conversar, me ligue. Ligou

A sua primeira pergunta foi: o que faço Bob? Tenho trabalhado como um cachorro, dou tudo de mim, faço o meu melhor. O meu produto é bom, os clientes gostam, todo mundo elogia (a não ser em um ou outro momento esporádico) e não consigo faturar o que deveria, portanto não ganho nada e não pago minhas contas! Já viram esse cenário? Pois é, típico de negócios que estão iniciando, negócios onde os clientes te dizem ‘adorei tudo, mas sabe como é, vocês estão ainda muito no começo, assim que tiverem mais algum tempo e outros clientes de peso, fica mais fácil justificar com meu chefe…’ e você lá pensando…’mas se nenhum deles for o primeiro, como vou ter mais clientes? Essa conta não vai fechar nunca!’.

Em primeiro lugar disse a meu amigo que é preciso ter calma, clareza de olhar e que às vezes sair fora por umas horas, ou mesmo dias, pode ser muito bom. Ok, ok, disse-me ele, mas o que faço, p…?

Não tenho a fórmula para solucionar todos os problemas, claro. Se dissesse que tenho estaria mentindo ou, no mínimo, sendo muito estúpido em não ganhar rios de dinheiro com isso. E, diga-se de passagem, ninguém tem!

Mas, voltando ao problema do meu amigo, comecei a provocar nele um exercício de perguntas e resposta e de simulações do que ele faria em cada caso. Uma primeira coisa que perguntei foi ‘e se a empresa tiver que fechar, parar mesmo, você tem alguma idéia do que você faria nesse caso?’ Ao que ele me respondeu que sim, tinha pensado em 1 ou 2 últimas cartadas. ‘E por quê não acionar alguma delas já?’ perguntei. Se a coisa está preta mesmo, mas ainda há fôlego para mais alguns meses, a chance dessa solução radical funcionar pode ser maior agora. Continuei perguntando e ele me respondendo sobre o seu negócio e novas idéias foram surgindo. Várias delas um tanto quanto heterodoxas e pouco usuais mas que, à medida que foram aparecendo em nosso brainstorm, começaram a aliviá-lo. Havia caminhos. As saídas existem e, ao contrário do que lhe pareciam antes de começarmos a conversar, ele mesmo conhecia várias delas. Eu apenas fiz a provocação, o exercício de pensar nos ‘n’ caminhos e formatos diferentes e ele foi me respondendo.

Ao final do papo, posso assegurar que ele estava bem mais tranqüilo, com várias coisas para pensar (desde ações concretas para amanhã, até idéias do que fazer se nada der certo mesmo, o que pode acontecer, claro) e eu fiquei pensando no que aprendi com esse episódio.

E cheguei a uma resposta: na hora que a vaca está mesmo afundando, o negócio é ser criativo, ousado, heterodoxo e até mesmo cogitar coisas que você não faria se a vaquinha estivesse bonitinha lá no pasto.

CRIATIVIDADE é a grande resposta para os momentos de apuro. (Para os outros também, obviamente). Não a criatividade de publicitário, de escrever frases de impacto ou de fazer milhares de pessoas EXPERIMENTAREM uma cerveja! A criatividade nas ações, na busca de soluções para problemas aparentemente insolúveis.

Pratique sempre o exercício mental de repassar todas as possibilidades pela sua cabeça, inclusive a derradeira, pois o stress total é grande fonte de criatividade.

Mas um pouco de sorte, ajuda sempre, claro. Certa vez, há alguns anos atrás, minha empresa estava numa dessas fases onde se deve um monte de dinheiro, pagam-se as contas de hoje com o dinheiro de amanhã, faturamos mas não damos lucro suficiente para pagar nossas despesas e não podemos parar de rodar a empresa de jeito nenhum pois aí sim, quebramos de vez. A figura é da bicicleta, se parar de andar, cai. Certo dia, tínhamos que pagar a fatura do jornal Estado de São Paulo e tínhamos que publicar também alguns anúncios de nossos clientes. Como os grandes veículos não são bobos nem nada, se você não paga a fatura, não anuncia! A bicicleta pára. O desastre vem. Nos faltavam uns 5 mil dólares, pouco para muitos, mas muito para nós naquele dia. Meu rapaz financeiro estava entrando em crise, já se via sem emprego, empresa fechada, credores na porta, etc, etc. Depois de acalmá-lo, mostrando que o problema era meu e não dele, pedi que ele verificasse novamente as contas e disse a ele que eu iria ver como resolver aquele probleminha, seguro como se tivesse a solução na manga do colete. Não tinha! Dez minutos depois volta ele entre sorridente e tenso e me diz: ‘não sei de onde seu Bob, mas tem um depósito na nossa conta exatamente do valor que precisamos!!!???’ Mais do que depressa, pagamos o Estadão (em dinheiro, sacado do banco no minuto seguinte!!), publicamos nosso anúncio e não deixamos a bicicleta parar! Ufa! Tínhamos passado mais uma! Tudo não passou de um grande engano do banco, que havia depositado um dinheiro que não era nosso em nossa conta, mas como isso tudo só se esclareceu em 10 dias, aí a bicicleta já estava mais longe e melhor!!!

Boa sorte!

Costumo pautar meus artigos e editorias pelo que os leitores pedem, reclamam ou sugerem. Na semana que passou, Lucas Marinho, estudante universitário, me mandou um e-mail que coloca: ‘muitos de nós temos sonhos de empreender, mas cadê a grana?’.

Fiquei pensando no que poderia responder ao Lucas e a tantos outros leitores que, tenho certeza, têm a mesma dúvida e resolvi elaborar um pouco meu pensamento, como diria nosso ministro da cultura.

Antes de sugerir caminhos ou respostas, gostaria de dividir um pensamento. Estive nos últimos anos envolvidos com investimentos em novas iniciativas, start-ups, sou eu mesmo um empreendedor de longa data e também fiz muitos negócios com grandes fundos de investimento. Atuei, portanto, nas várias pontas, ora como investidor, ora como investido e sempre como empreendedor e, posso afirmar seguramente que a fórmula INVESTIDOR-EMPREENDEDOR é muito interessante. Gente com dinheiro que quer investir em gente com projetos e energia é uma idéia vencedora. Claro que não são relações fáceis, que conflitos existem e que é uma arte manejar esses relacionamentos comercias mas, por outro lado, a complementaridade é fantástica e pode levar a resultados muito promissores. Precisamos fazer com que isso aconteça mais e mais em nosso país. Precisamos fazer com que o governo entenda que pode estimular isso (via fomento, legislação, etc) sem colocar necessariamente recursos e precisamos fazer os empreendedores entenderem que a relação só será positiva se cada parte entender seu papel: investidor quer retorno financeiro e empreendedor quer alguém que o ajude a viabilizar seu negócio.

Interessante, não? Mas o Lucas deve estar se perguntando: afinal, onde arrumo a grana, pô?

Não tenho a resposta exatamente, mas vou tentar apresentar alguns caminhos que me parecem interessantes.

Em primeiro lugar, está realmente complicado se conseguir um investidor para um projeto iniciante pequeno. Se pensarmos nos fundos, são raros no país os que realizam investimentos de pequena monta e em projetos iniciantes, muito raros. Isso significa, sem dúvida, uma grande barreira, mas não pode significar a desistência.

O Brasil é um país pródigo, surpreendente, e tudo aqui deve ser olhado com atenção e cuidado. A área de investimentos não deve ficar de fora, penso. Existe uma modalidade de investidor pessoa física nos EUA que é conhecida como ‘Angel Investor’ (ou Investidor Anjo) que costuma ser composta de pessoas endinheiradas, muitos deles empreendedores bem sucedidos, que acreditam na fórmula INVESTIDOR-EMPREENDEDOR e que aportam os recursos iniciais para que o negócio comece (por isso anjos). Essas pessoas têm uma visão de que há risco envolvido, claro, mas desejam retorno sobre seu dinheiro. Isso é importante que seja entendido e que fique claro na relação.

No Brasil, formalmente, temos pouquíssimos Angels mas, como em todo o resto, nossa informalidade é enorme e todo o dia escuto alguém dizendo: ‘conseguimos uma grana para começar com um amigo do meu tio’, ou ‘o fulano tá botando uma grana, depois a gente acerta com ele’…. Os anjos estão por toda a parte e a criatividade do brasileiro é impressionante.

Tenho certeza de que uma parte enorme do que se cria no Brasil em termos de novas empresas tem um (ou vários) anjos por trás, mesmo que nenhum deles saiba disso. O importante, penso, é que na maioria das vezes esquece-se que esse anjo quer retorno, merece respeito e tem suas próprias demandas. Se o empreendedor entende isso, a relação é muito mais fácil, transparente e fluída. Outro problema é que as práticas ainda são muito novas e coisas como a perda total do investimento, por exemplo, fato absolutamente normal e até esperado, é pouco discutido e quando acontece (na maioria das vezes, por razões naturais) gera um enorme mal estar entre as partes. Quanto mais falarmos e discutirmos o assunto, mais anjos teremos por aí e mais negócios poderemos criar.

Outro caminho que julgo interessante destacar é chamado nos EUA (não sou americanóide, mas eles padronizam tudo e acabam criando, quase sempre, os conceitos mundiais) de Corporate Investment (investimento corporativo). Grande empresas chegam a criar áreas dedicadas apenas a fazer investimentos. A Intel, por exemplo, tem uma área de investimentos enorme voltada para projetos que sejam relacionados aos produtos Intel. O que é interessante é que muitas empresas menores também acabam criando suas áreas de investimento e gerando oportunidades para os empreendedores. Aqui em nosso país, isso está apenas começando, engatinhando mesmo, mas o empreendedor deve ficar atento a essa possibilidade. Ou até mesmo gerar ele mesmo a oportunidade, procurando uma empresa da mesma área de seu projeto para que ela se torne investidora.

Nesse ano um amigo queria que eu investisse em seu projeto, uma nova revista. Mostrei a ele que o tipo de recursos que costumo investir não é compatível com as necessidades de uma revista. Ele insistiu, persistiu e eu também. Seria irresponsável de minha parte investir num projeto desses sem os recursos para 1 ou 2 anos de prejuízos. Como ele é amigo, entendeu e continuou amigo. Pediu dicas de como fazer, de como sair dessa sinuca. Todos os investidores com quem falou adoraram o projeto mas queriam algo mais maduro! Sugeri a ele procurar uma editora como investidor, idéia que ele mesmo já tinha tido e eu apenas reforcei. Foi lá, contou sua história. Fechou negócio e lançou a revista Seu Sucesso pela Editora Europa nesse ano. Viabilizou o início do seu negócio e está construindo seu sonho de empreendedor.

Outra forma de realizar as coisas sem dinheiro é sendo criativo, inclusive com o próprio dinheiro. Clientes, muitas vezes, viram o financiador de empresas iniciantes. Fazer coisas sem dinheiro é, muitas vezes a única saída. Use de tudo: permutas, escambos, trocas de favores. Numa das empresas que sou sócio nos aconteceu um desses momentos criativos. Certo dia, nos procuraram 2 meninas que queriam montar uma pequena produtora de web mas não tinham dinheiro para divulgação e nem eram conhecidas no mercado. Acharam que nossa empresa era uma boa vitrine e nos propuseram re-fazer o design do nosso portal (www.fotosite.com.br) sem nos cobrar nada. Em troca nos pediram que divulgássemos para o mercado de fotografia o trabalho delas. Topamos. O site ficou lindo e nós fizemos nossa parte. Hoje elas têm trabalho até março do ano que vem, estão se estruturando, crescendo e, como nós também crescemos, acabamos gerando um belo faturamento para elas todos os meses.

Então Lucas, sei que não respondi totalmente e de forma definitiva a sua pergunta, até porque essa forma definitiva e única não existe. Concordo com você que a grana no Brasil para investimentos é curta mesmo e está super difícil ter acesso a ela. Tudo isso é verdade mas, por outro lado, todo o dia as pessoas pensam formas novas de iniciar seus projetos, metem a cara e muitos são bem sucedidos nessa empreitada.

O dinheiro é um dos fatores importantes, é verdade. É um limitador em muitos casos, mas, ao contrário do que muitos pensam, não é impossível empreender com muito pouco dinheiro. Muitas histórias de sucesso começaram com capital baixíssimo (se algum) e encontraram formas criativas de se financiar.

Tem uma outra maneira de fazer: durante muito tempo a American Express era minha sócia investidora, toda a vez que eu tinha que pagar salários na empresa e não tinha dinheiro em caixa!!! Não sugiro que você faça isso para viabilizar seu negócio, mas se preciso for….

;-)

Em nossa pesquisa junto aos jovens vimos que umas das coisas que eles mais valorizam em relação ao empreendedorismo é a INFORMAÇÃO. Mais até do que educação! Mas cabe aqui um parêntesis, isso se explica, penso eu, pelo fato da educação no Brasil estar vencida, precisando de uma chacoalhada geral e ao buscar se preparar para o empreendedorismo (algo tão pouco acadêmico e tão prático) é natural que se diga que se está em busca de mais informação do que educação.

Semântica à parte, quase todo dia recebo e-mails de jovens (só hoje foram 2 – Bruno Weblein de Santa Maria no RS e Gabriel de Lemos – Piracicaba em SP) pedindo que os ajude com mais informações, literatura, seminários, palestras e o que mais eu puder imaginar. Nos 2 casos, são estudantes que percebem o que o futuro os reserva e sacam que a coisa do empreendedorismo será importante.

O Gabriel, por exemplo, é estudante de Engenharia Agronômica mas tem a pulguinha empreendedora e já está até montando seu primeiro negócio, um trailer de lanches com os amigos. É incrível – e muito prazeroso – ver um jovem como o Gabriel criar um negócio, gerar empregos e fazer parte daqueles que mudam o país aos poucos sem pensar em programas assistenciais como o Fome-Zero ou Primeiro Emprego. O Gabriel está focado no Primeiro Negócio.

O Bruno, por outro lado, da distante Santa Maria, dirige a Empresa JR da faculdade e me manda um e-mail quase que implorando por mais informação. Já te respondi por e-mail, Bruno, organize tudo que estarei por aí, sim, tentando despertar seus colegas para a oportunidade do empreendedorismo em nosso país. Imensas, penso eu.

Algumas coisas nesses e-mails (Bruno e Gabriel são apenas os de hoje, aproveito para agradecer publicamente a todos que se manifestam) me chamam em especial a atenção:

1 – Muitos deles são de fora do eixo Rio-SP. A maior parte, diria eu.

2 – Quase que 100% deles são de pessoas muito jovens, estudantes ainda que, a rigor, nem precisariam estar preocupados com isso, mas estão.

3 – Há uma consciência crescente das oportunidades que o empreendedorismo pode representar para as pessoas e para o país.

4 – Apesar de existir muita informação por aí, há uma sensação de absoluta falta dela. Por quê isso se dá? Não sei, mas tenho um palpite: há um erro de linguagem. Ou se fala de Empresários (Abílios, Ermírios, Gerdaus) ou se fala de Pequena e Média, micro-crédito, micro empresa, com uma linguagem voltada para esse público. Há um hiato, a meu ver, criando essa sensação de vazio nos jovens estudantes, que não se vêem como Empresários mas tão pouco como pequenos e médios qualquer coisa.

Tudo isso me faz pensar, como empreendedor que sou, na oportunidade que está na nossa cara, hum?

Obrigado Bruno, obrigado Gabriel. Quem sabe não plantamos a semente de um belo projeto de levar informação a respeito do empreendedorismo país afora?

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