Posts Tagged ‘empreendedorismo’

Essa semana estarei moderando um debate a convite de um grande amigo – Eduardo Bom Angelo – autor do recém publicado livro ‘Empreendedor Corporativo’. (veja em www.empresabrasil.com.br/evento)

Fiquei refletindo em como conduzirei o debate e me ocorreram diversas perguntas. Um delas, contudo, me provoca insistentemente.

Existe, afinal de contas, esse tal do Empreendedor Corporativo? Se ele é empreendedor de fato, como controla sua vontade de criar coisas? Como trabalha a ansiedade natural a todo empreendedor? Como se relaciona com os típicos seres corporativos? E, por outro lado, o que significa esse corporativo? Que ele tem que aturar todo o tipo de ‘corporate bullshit’? Que ele se ‘enquadra’ bem no ’sistema’? Que ele é um empreendedor como todos os outros, mas que é financiado por uma corporação?

Difícil responder a tudo isso, não é? Também acho. Quem sabe no debate a gente tenha algumas respostas. ;-)

De qualquer maneira, pensando um pouco mais no assunto, cheguei a algumas conclusões:

1 – Muitos executivos descobriram no termo empreendedor corporativo uma maneira super cool de dizerem o que fazem quando, na real, não são nada além de executivos corporativos como todos os outros.

2 – Existem empresas que, de fato, entendem que o empreendedor corporativo tem um papel importante e que criam condições para que eles existam (isolamento do mundo corporativo, budgets separados, liberdade, desafio, etc). Nessas empresas, penso, podemos de fato encontrar os tais dos empreendedores corporativos. São raras, muito raras, aqui no Brasil, no entanto.

3 – Existe uma característica que me parece muito importante nas corporações nos dias de hoje que é o Espírito Empreendedor. Esse sim, mais um atributo do que uma denominação faz de executivos pessoas mais abertas a novidade, a mudanças, a inovação, ao risco e ao erro. Espírito empreendedor pode e deve ser ensinado e estimulado nas corporações. Penso até que as empresas já esperam essa característica de seu corpo de executivos. Sabemos que grandes corporações apenas se renovam com times que tenham um espírito empreendedor aguçado e atuante. Mas espírito empreendedor é diferente de empreendedor corporativo.

4 – Empreendedores corporativos de fato acabam sendo muito parecidos com os empreendedores ‘comuns’, a maluquice, a ansiedade, a esquizofrenia estão todas lá e as empresas que resolvem tê-los em seus quadros devem estar abertas e preparadas para isso. Não conheço muitos deles. De fato, acho que só o próprio Eduardo que, quanto mais o conheço, mais o vejo como empreendedor de fato. Você conhece algum, conta para a gente!

Mas afinal o que é importante desse papo todo? Duas coisas, penso.

Primeiro: existem cada vez mais oportunidades para quem tem a pulguinha do empreendedorismo e não necessariamente quer (ou pode) ter a sua própria empresa.

Segundo: espírito empreendedor está se tornando uma qualidade cada vez mais admirada no mundo corporativo o que, em princípio, representa uma nova oportunidade para quem está no mercado de trabalho.

Vamos ver se no debate a gente aprende mais!

Outro dia uma amiga me criticou, no sentido positivo da coisa claro, dizendo que nos meus textos eu apresento sempre o empreendedor (costumo grafar empreendedor com maiúscula, o que vou deixar de fazer daqui pra frente em função deste) como se fosse um ser especial, bem dotado, único.

Discordei dela e ficamos numa troca de e-mails, até que entendi o que ela dizia.

Por apresentar os empreendedores como ovelhas negras, esquizofrênicos e solitários posso eu, às vezes, passar a impressão de que os mesmos são seres especiais, únicos, super dotados. Não é o que quero dizer e não é o que penso, de fato. Perdoe-me o leitor se acabou ficando essa sensação, errada.

O empreendedor é, na verdade, um ser comum, igualzinho a cada um de nós.

Penso que ninguém É empreendedor mas sim ESTÁ empreendedor e que, esse ESTAR pode aparecer (e desaparecer) em qualquer momento da vida de qualquer pessoa. Naturalmente existe talento para arte, para vendas, para política, assim como existe talento para estar empreendedor mas isso não significa que alguns poucos podem e outros não. Todos podem.

O que tento mostrar, por outro lado, é que aquelas pessoas comuns que resolvem, por qualquer razão que seja, se tornar empreendedores acabam tendo características um tanto quanto parecidas entre elas.

A esquizofrenia, a solidão, a determinação, a auto-confiança, a paixão pelo que se propõem a fazer, a maluquice de ir contra tudo e contra todos me parecem estar presentes em uma grande parte dos empreendedores ou melhor, daquelas pessoas comuns que resolvem empreender. Talvez a coisa seja até o contrário. A tarefa de empreender é que acaba exigindo dessas pessoas uma atitude, criando os tais dos empreendedores.

Pouco importa. O importante é entender que, por princípio, acredito que qualquer um possa se tornar empreendedor, que gestão empreendedora pode ser aprendida, que ninguém precisa ter um dom especial para empreender e que, de fato, muita gente tem esse jeito maluco típico dos empreendedores mesmo sem ESTAR empreendedor.

Como diz minha amiga: ‘com 3 filhos e 1 marido para cuidar, a gente acaba virando uma super empreendedora da família…’ Verdade verdadeira, como costuma brincar minha avó!

Outro dia um amigo empreendedor me convidou para um almoço. Queria dividir algumas impressões pessoais e ouvir a minha versão para o que estava propondo.

Começou a conversa: você sabe como é solitário o ato de empreender… o que não pude discordar…. e continuamos nossa conversa com idéias maravilhosas de como ajudar os empreendedores nessa trilha solitária…..

Fiquei pensando após nosso almoço. Por quê concordei de cara com ele e por quê empreender é um ato absolutamente solitário? Não cheguei a grandes conclusões mas como tinha que fazer um editorial e estou numa semana sem grandes idéias, resolvi discutir o assunto aqui. Ok?

Em primeiro lugar, você concorda com isso?

Se sim, disque 0900 7766… ops, brincadeirinha, mas seria muito legal que você leitor participasse enviando um email para euvoto@empresabrasil.com.br. Concorde ou discorde e diga o porque!

Uma primeira conclusão a que cheguei é que todo empreendedor é um esquizofrênico por natureza, nada grave, patológico, mas assim mesmo, um belo exemplo para qualquer analista se divertir. (SIC) Uma grande parte da solidão do empreendedor, me parece, vem da sensação dele próprio de que ele é um ser especial, diferente, que ninguém o entende e, portanto, de nada adianta tentar explicar nada para ninguém. “Ninguém sabe o que eu vivo”. Da esquizofrenia vem também a mania de perseguição a que todo (ou quase todo) empreendedor está preso. “Vão me copiar, me dedar, me entregar para a concorrência, me atrapalhar no mercado”.

E aí? O que acha agora? Mande seu email com o que pensa disso também…..

Seguindo no meu raciocínio, fiquei tentando pensar se existem soluções para isso. Uma coisa que, a meu ver, bloqueia muito a abertura de empreendedor é o interlocutor – ok, ok, sei que estou sendo metido como um empreendedor, o que sou de fato – mas se trata de um fato real. Falar com alguém que não vive a nossa loucura é muito difícil, desgastante e frustrante.

Os americanos criaram algo que, a meu ver, parece ser muito interessante: os tais Advisory Boards (ou conselhos consultivos) e que, aos menos em terras yankees, parecem funcionar bastante bem.

Aí continuei pensando. Será que um Advisory Board funciona aqui no Brasil? Tenho minhas dúvidas…. tentei fazer um na minha empresa e nunca fomos muito além de uns choppinhos e belos churrascos no Jardineira… inabilidade minha? Pode ser? Questões culturais? Também. O brasileiro é bem “mineirinho” e, apesar de extremamente aberto para muitas coisas, fica meio cabreiro de abrir sua vida, ou a vida da sua empresa…. e os Advisory Board Members cabreiros de opinar francamente. As exceções me parecem exceções mesmo!

E você, a essa altura, o que pensa? O que sua experiência mostra? Manda no email…..

Como empreendedor não gosta de desistir fácil, pensei mais e acho que existem mais 2 saídas: uma é a de ter um Board (conselho) na sua empresa, independentemente do tamanho dele. Crie um Board de verdade e leve isso a sério. Você verá como é interessante TER QUE discutir a sua empresa com terceiros de tempos em tempos. Funciona muito! E o segundo, e acabei voltando à conversa com meu amigo, é de criar grupos informais de empreendedores onde, de forma mais solta, em happy-hours e almoços, eles possam dividir problemas, dúvidas, sofrimentos e realizações e, dessa forma, se sentirem menos solitários.

Será que funciona? Manda no email!

Nessa semana participei de 2 eventos na área de Empreendedorismo. O primeiro, uma palestra na Faap para alunos do seu MBA e o segundo o lançamento de um program de capacitação em Empreendedorismo que estou implementando junto a Fapesp/Endeavor, com apoio do Sebrae.

Em ambos fiquei, mais um vez, impressionado como o tema desperta o interesse das pessoas. Como sou um empreendedor e não um palestrante ou professor (*), sinto que as pessoas querem me sugar, saber tudo, extrair tudo e, em muitos casos, sinto olhares de admiração, idealização até saio dos eventos ‘drained’, como tão bem definiriam os gringos – sugado, talvez em Português – pela intensidade que se discutem os temas, as perguntas e como as pessoas estão inebriadas por conhecimento ou informação.

Na Faap, em plena terça-feira, 14hs, palestrei para uma audiência grande, atenta, interessante e que, ao contrário de muitos outros locais por onde passei, me pareceu procupada com seu futuro profissional e que já percebeu que o tal do tão sonhado emprego não existe mais. As perguntas foram pertinentes e incisivas. Um delas, que penso vale reproduzir aqui, foi mais ou menos assim: o que mais aprendi nos meus momentos de insucesso (faço sempre questão de deixar claro que os tive e os tenho aos montes!)? Quais as dicas que daria? Pensei um segundo: a primeira – converse com você mesmo. Em 99% dos casos você sabe o que fazer, sabe a resposta para o problema e apenas tem dificuldade de ver isso claramente ou, na maior parte das vezes, de agir! Fazer o que tem que ser feito às vezes é doloroso, demanda um esforço especial. É comum que eu ande pela quadra falando comigo em voz alta! É conveniente não fazer isso na frente das pessoas que podem achar que você tem outros problemas também! E a segunda dica é: relaxar. Muitas vezes você fica procurando respostas, soluções, saídas ou novas alternativas para sua vida profissional e sua cabeça fica como que girando em círculos, como que num labirinto mental. É preciso apagar isso. É preciso dar uma espécie de ‘re-boot’ em seu cérebro. Se você não se abrir para outras coisas, muitas vezes a solução mais óbvia de seus problemas não aparece. Foi assim, contei para a turma, que apareceu meu mais recente negócio: o Fotosite. Num momento de baixa, me dediquei um pouco à Fotografia como hobby…. e após publicar um trabalho pessoal no Fotosite, nasceu uma relação de trabalho que está extremamente interessante, tanto do ponto de vista do negócio como pessoal.

Nos EUA o insucesso (ou fracasso, apesar dessa palavra ser forte demais e até errada para a situação de um negócio que não vingou, penso) é valorizado. Um investidor pensa que alguém que já ‘não deu certo’ tem mais experiência em negócios e até mesmo está mais vacinado pessoalmente contra loucuras típicas de empreendedores principiantes. Um sócio que já teve a experiência de ‘não vingar’ será também um sócio mais prudente e é sempre útil saber como a pessoa agiu no momento da crise. Isso pode evitar grandes surpresas em momentos difíceis.

No final do evento, caímos em uma discussão que, penso, é importantíssima. Temo até estar me tornando repetitivo e monotônico, mas ouso mais uma vez trazer à tona a questão. Apesar de ser totalmente favorável a que as pessoas tenham uma vida decente e tenham o que comer, sou contra o ‘mood’ que o governo federal vem dando à solução dos nossos problemas. Sou contra FomeZero, por exemplo, por várias razões: é assistencialismo puro; cupons de comida são comprovadamente a forma errada de erradicar probreza; é um mecanismo perverso e que permite muita corrupção e não existem recursos para sustentabilidade mas, afora tudo isso, existe um fator que a meu ver é o pior de todos: o Fome-Zero não favorece em nossa sociedade a noção de co-responsabilidade, de auto-responsabilidade e baixa ainda mais a nossa auto-estima. O leitor pode pensar: não seria justamento ao contrário? Penso que não. É um programa que, por mais nobre que a causa seja, nos faz lembrar o tempo todo que uma parte enorme do país não come (isso é meio polêmico tambem…) e que se não ‘dermos’ a nossa colaboração, isso não vai mudar. Hum? Mais colaboração? Os mais de 50% de impostos sobre tudo o que produzimos não bastam? Hum? E, por outro lado, não se cria auto-suficiência em nada, nem no programa e muito menos na cabeça do cidadão. Péssimo isso!

Na pesquisa que publiquei semana passada sobre os universitários face ao Empreendedorismo, vemos claramente isso se refletindo: perguntados o que esperam do governo em relação ao empreendedorismo deram uma resposta acachapante: TUDO!. Apenas 6% foram capazes de dizer: ‘que não se meta!’.

Pena. Mas, como Empreendedor que sou, mantenho meu otimismo e penso que somos maiores do que qualquer PT ou PSDB ou ACM e que eu viverei o suficiente para ver o Brasil se tornar o país do presente! O futuro já foi!

(*) Nada contra palestrantes ou professores, muito pelo contrário. Contra sim aqueles que professam experiência de algo que não tem.

Estudo realizado pela EmpresaBrasil! em parceria com a Invent mostra que a grande maioria dos estudantes universitários pensa em empreender.

Numa iniciativa da EmpresaBrasil! com o apoio estratégico da Invent, empresa especializada em investimentos na Internet, foi realizado um estudo junto a universitários de todo o país com vistas a entender o que pensam do Empreendedorismo, como se posicionam, quais os fatores motivadores e quais os limitantes, onde vêem as dificuldades e o que esperam de suas carreiras face ao Empreendedorismo.

O estudo foi realizado através do envio de um convite a um mailing de 20mil estudantes universitários de todo o país que fazem parte do cadastro da “O Carteiro” – uma das empresas Invent. Não havia brindes, incentivos especiais ou qualquer tipo de recompensa para quem respondesse.

Logo de cara, uma surpresa muito animadora: nos 3 dias seguintes ao disparo do convite aos 20000 e-mails (fizemos um único disparo), tivemos 2750 respondentes (questionários completos) o que dá uma taxa excepcional de quase 14% da base. Note-se que não houve qualquer tipo de motivação especial como prêmios, concursos, nada.

Não é óbvia a cena de um jovem estudante, preocupado com suas festas, namoradas, roupas que usa, marcas que consome, carro que tem (ou quer ter), parar o que estiver fazendo para responder a 9 perguntas sérias sobre o que pensa de um assunto qualquer, concorda? Ainda mais sem nenhum benefício visível e palpável sendo oferecido, além de um muito obrigado ao final.
Podemos então inferir, sem medo de errar, que o assunto está na cabeça do jovem, além, claro, de estarmos trabalhando com uma base boa.

Nossa primeira pergunta era a natural: você pensa em Empreender? E, de novo, uma surpresa animadora – 86,1% disseram que SIM, sendo 42,8% – Sim, muito e 43,3% – Sim. Sabemos que declarações desse tipo em sondagens são sempre subjetivas pois estamos perguntando coisas hipotéticas e tentando entender atitudes futuras mas, mesmo assim, esse resultado de mais de 80% de SIM é muito importante. Sabíamos, ou quem sabe intuíamos, que a questão do Empreendedorismo vinha crescendo muito na cabeça dos estudantes e sabemos também que o emprego formal, bem remunerado e atraente, vem se reduzindo muito no mundo todo, fatos que levam a uma atenção especial com novos caminhos. O que não tínhamos noção é que esses índices já fossem tão altos, que o assunto fosse tão “top of mind” na cabeça da moçada a ponto de investirem (não acho mais que pensaram estar perdendo) tempo para responder o questionário.

Um vez respondida a primeira pergunta, dividimos os entrevistados em 2 grupos: aqueles que pensam em Empreender e os que não o querem. Procuramos, a partir daí, entender as principais razões que os levam a pensar em empreender, assim como as maiores dificuldades. Perguntamos também o que esperam do Governo, se o ambiente influencia ou não, se a crise atrapalha o Empreendedorismo, o que é mais importante para o Empreendedorismo e por fim, como os jovens vêem os empreendedores brasileiros.

A seguir apresentamos as conclusões mais importantes. Caso seja de seu interesse, disponibilizamos a apresentação completa do estudo.

O DESEJO DE EMPREENDER
Ao contrário do que se pudesse pensar, as maiores razões para Empreender apontadas pelos jovens são Realização Profissional (35%) e Desejo de Ter o Próprio Negócio e não a Falta de Emprego (11%). É interessante como, ao menos na cabeça dos entrevistados, eles não percebem o Empreendedorismo só como uma saída, ou a última saída, para suas vidas profissionais. Enxergam sim realização pessoal e têm vontade de montar negócios. Interessante.

O NÃO DESEJO DE EMPREENDER
O grupo que diz que não pensa em empreender afirma que não o faz por uma razão predominante – Falta de Capital (36%), mas 35% dos respondentes diz ter outras razões para não fazê-lo que não as apontadas na pergunta (Capital, Falta de Preparo, Preconceito, Desconhecimento). Aqui, precisaríamos estudar mais para entender a que se deve essa resposta. Lembre-se que estamos falando de cerca de 14% dos respondentes apenas.

A DIFICULDADE
Perguntamos aos jovens onde eles julgam estar a maior dificuldade para realizar seus sonhos de Empreender. Naqueles que querem Empreender, uma parcela significativa (46%) acredita que a falta de capital é a principal dificuldade a ser superada. Convém notar que no grupo dos que não pretendem Empreender, a falta de Capital não se mostra tão importante (25%) e a Falta de Oportunidades aparece em seguida como um item importante (24%).

PATERNALISMO
Quando perguntamos o que eles esperam do governo, os jovens (de ambos os grupos) dividem suas respostas de forma quase igualitária entre Facilite a Entrada de Capitais (25%), Fomentador – Ex. Sebrae (24%), Financiador – Ex. BNDES (26%) e Faça as Reformas (19%). A alternativa Não se Meta foi escolhida por apenas 6% dos respondentes. Essa pergunta não nos reserva grandes surpresas. Vemos que os jovens ainda estão muito influenciados por décadas de governos paternalistas e que coisas como o velho coronelismo ainda fazem parte de nossa cultura. Infelizmente ainda esperamos que ALGUÉM faça algo por nós.

O MAIS IMPORTANTE
Tentando complementar a informação das maiores dificuldades, perguntamos ao jovens o que eles julgam ser mais importante para o Empreendedorismo. Capital aparece em primeiro lugar (38%), coerentemente com a resposta da maior dificuldade. Em seguida, encontramos Acesso a Informação (32%). Educação é o próximo item, com 18% apenas. Alarmante? Talvez, mas buscando refletir com calma sobre o que esses números nos dizem, pensamos que eventualmente a melhor tradução desses resultados é a de que os jovens não vêem na educação um caminho natural para o Empreendedorismo e, quando pensam em se preparar para Empreender, pensam mais em cursos, leituras, etc que podem ter sido englobados em Acesso a Informação (32%). Seja como for, é para se pensar, não?

O EMPREENDEDOR BRASILEIRO
Para terminar nossa questionário, perguntamos ao jovens como eles vêem o Empreendedor Brasileiro. Criativo (39%) responderam os que pensam em Empreender, com Competente (21%) e Inovador (20%) vindo em seguida. Já os que não pensam em Empreender não consideram o Empreendedor brasileiro tão criativo (26%) e o vêem mais Competente (25%) e Inovador (25%). A diferença me parece mais relacionada ao próprio respondente (como ele se vê a si próprio) do que de fato a alguma diferença do Empreendedor. Em ambos os grupos, no entanto, há uma visão muito positiva da Empreendedor brasileiro. Incompetente aparece com apenas 6 e 7% (nos 2 grupos).

Vemos que os jovens estão sim considerando o Empreendedorismo como um alternativa de carreira e de realização pessoal.

Essa talvez seja a conclusão mais importante do estudo pois nos coloca cara a cara com outras várias questões: como ajudar esse jovem a se formar? Como ajudá-lo, posteriormente, a Empreender? Como mudar nossa mentalidade “assistencialista”? Como fomentar o Empreendedorismo no país? Como? Como? Como?

Lembre-se, mais de 80% dos estudantes está contemplando essa possibilidade, portanto precisamos buscar algumas dessas respostas. Urgentemente.

Caro leitor, antes de mais nada, quero pedir desculpas. Prometi aqui que divulgaria os dados da pesquisa que fizemos semana passada com os jovens estudantes mas não o faremos.

Não estamos prontos ainda e não queremos correr os riscos de divulgar resultados que não sejam totalmente verificados.

Bem, desculpas à parte, essa semana recebemos um email de um aluno de Administração de Empresas de Itajubá, Minas Gerais, nos parabenizando e dizendo que existia um curso (o dele) de Administração de Empresas com especialização em Empreendedorismo regularizado pelo MEC.

De pronto fiquei boquiaberto e mais uma vez vi como o nosso país pode nos surpreender, reservando gratas surpresas quando menos esperamos.

Fui atrás, entrei no site da Universidade citada pelo rapaz e vi que ele tinha razão, que o curso existe há 5 anos e, pasmem, que a Universidade é Federal! Além, é claro, de estar totalmente fora do eixo RIO/SP que se entende pioneiro, avançado e inovador. SIC!

No instante seguinte, mandei um email ao aluno pedindo que me colocasse em contato com alguém da escola dele, mas antes mesmo que ele me respondesse, já tinha estabelecido contato com o coordenador
do curso, Prof. Fábio Fowler, ele mesmo um empreendedor.

Desse contato, geramos uma entrevista (logo abaixo) que nos revela como tudo começou e como o Prof. Fábio encara o empreendedorismo.Vale ler.

Que país incrível que vivemos, não? A cada esquina um susto (é verdade, a violência anda descontrolada), mas também uma surpresa ótima, como essa iniciativa em Itajubá.

Parabéns Prof. Fábio e equipe!

Boa semana,

Mais do que elogiar o que escrevi, até porque não havia nenhuma grande novidade ou sabedoria suprema, as pessoas queriam me agradecer pelo alívio, pela identificação e pelo conforto que o artigo lhes deu.

Ao responder aos emails no final de semana procurei entender o que se passava e vi que:

1 – Meu artigo está certo ao menos em um ponto: empreender é íntimo e pessoal, e os empreendedores se sentem os únicos malucos da terra, totalmente imcompreendidos. Vivem meio que isolados nos seus próprios sonhos (o não significa isolados do mundo) e, muitas vezes, desconhecem que tantos outros passam por sentimentos muito semelhantes. E, quando descobrem isso, ficam mais tranquilos.

2 – Existem muito poucas alternativas, sejam elas revistas, programas de TV, consultorias, escolas ou universidades, grupos de encontro, orgãos governamentais ou de fomento ou mesmo ongs que entendem essas questões e que se proponham a ajudar os empreendedores onde eles mais precisam: se auto-conhecerem. Coisas formais existem de monte. Cursos de empreendedorismo dados por “não-empreendedores” estão nascendo como erva daninha e gente que “entende” de empreeendedorismo brota como água da terra. Mas isso pouco ajuda e tenho reparado que a grande maioria das pessoas que participam dessas coisas não são empreendedores.

O EmpresaBrasil!, na sua mais modesta atuação, nasceu exatamente para isso. Queremos ir a fundo nas questões, queremos discutir o âmago do problema. E, claro, entender os melhores caminhos que o país deve seguir com relação ao Empreendedorismo.

Não resolvi escrever um editorial cabotino, falando de como somos bons e legais, muito pelo contrário, estamos no começo, apenas colocamos a sementinha na terra e tudo ainda está por germinar.

Assim, venho até você, leitor, convidá-lo a participar, a pensar como saimos da situação que estamos e, como disse no meu artigo, a entender como podemos brigar pela causa do empreendedorismos juntos!

O que você faria? O que espera do EmpresaBrasil!? O que deixamos de fazer? Quais as idéias que gostaria de expressar? Esperamos seus comentários!

Saudações

Certa vez uma jornalista me indagou, afimando: Empreendedores gostam de risco, me explique como é isso?. Pensei por alguns segundos e, me espelhando em minha própria experiência vivida, respondi:empreendedores são seres tão auto-confiantes (ou estão assim em certo momento de suas vidas) que pensam que ter o destino em suas próprias mãos implica em menos riscos do que sob o comando de alguém. Eles não gostam por definição de risco. Aceitam o risco inerente a empreender de forma positiva.
Fui conversar com alguns amigos, empreendedores e especialistas no assunto e ouvi alguns comentários interessantes que corroboram a minha tese (ao menos em parte).
José Carlos Dornelas – Professor de Empreendedorismo do IBMEC, nos diz: Os verdadeiros empreendedores sabem que se não assumirem certos riscos calculados, dificilmente conseguirão atingir grandes resultados. Assumir risco por assumir não significa ser empreendedor, e sim um inconseqüente.
Já Luiz Sakuda, da BSP, ele mesmo um empreendedor e apaixonado pela causa, comenta as diferenças de mindset do empreendedor e do não empreendedor: a maioria dos não-empreendedores não aceita riscos acima de um determinado patamar, mesmo que a relação seja atraente: a atenção é no risco, no potencial de perda, na renúncia do que já está garantido. O empreendedor foca no retorno: o que ele pode construir, aprender, ganhar.Se Sakuda estiver certo, vemos que a diferença está menos em aceitar ou não risco e mais em ver ou não o risco (e a oportunidade). Interessante, não?
Por fim, Leandro Cruz de Paulo, da ESPM, completa: não acho que empreendedor goste do risco. Empreendedor gosta de desafios e do prazer da realização. Isso não significa necessariamente gostar de risco.
Risco existe em viver. A cada segundo podemos nos deparar com algo que mude radicalmente nosso destino. Empreendedores, por sua vez, acreditam que já que é assim, eles mesmos podem (e devem) se tornar os agentes da mudança.
Empreender, a meu ver, é quase um estilo de vida. Vai muito além do fato de abrir negócios, empresas. É uma atitude frente à vida e, tenho observado, nos empreendedores ela se manifesta em quase tudo o que fazem. Da criação dos filhos aos hobbies, o empreendedor deixa sua marca, quer ser sempre diferente, criativo e ousado (ao menos os outros enxergam assim, pois para ele é normal, sua natureza) em tudo. Há uma olhar constante nas oportunidades e pouco no que se pode perder.
Costumo dizer: se não tentarmos, o NÃO já temos!
Se a coisa toda for por aí mesmo, temos uma bela explicação para alguns fatos como o dos empreendedores serem tão alheios à formação acadêmica (auto-confiança exacerbada) ou mesmo para o fato de encontrarmos tantos empreendedores iludidos com seus projetos, absolutamente apaixonados e pouquíssimo informados sobre os mesmos.
Convém ressaltar, contudo, que isso não é bom nem ruim, uma vez que muitas empresas de sucesso de hoje nasceram exatamente assim, da pura paixão dos seus criadores e de forma muito inocente. Os racionais e as explicações para o sucesso, muitas vezes, só apareceram depois!
E você, o que acha de tudo isso? Você gosta de risco? O Empreendedor é um jogador, ele gosta de viver perigosamente?
Mande sua opinião, participe!

Caros leitores,

Antes de mais nada, gostaríamos de agradecer a todos as manifestações e votos de sucesso e, claro, a visitação que vocês nos têm dado. Obrigado.

Nesta semana, fomos ao Brasil real. Aquele que vem de baixo, que luta para sair da fome, das ruas. Um Brasil sofrido, mas sempre alegre (essa é uma característica impressionante do nosso povo!), que não se entrega apesar de tudo.

Conversamos com o David (pronucia-se Deivid, pois ele diz que globalizou seu nome),o camelô carioca que virou o rei do marketing (e das palestras). David morou nas rua e hoje vive de palestras, diz que fatura 160mil reais por mês, chacoalha sem preconceito as chaves de seu Audi A4 e nos dá lições de vida simples que às vezes ficam esquecidas.
A cada instante, durante nosso papo, reforça o criente tem sempre razão. Tá certo o homem!
Diz que tem um sonho: ter um programa de TV só seu, afinal seu colega de profissão
(referindo-se ao Silvio Santos) tem um, por quê ele também não pode? Sonha alto
e diz, ao final, o Brasil sem educação não tem solução!. Confira o papo em TV.

Fomos às ruas de São Paulo e entrevistamos outros Deivids anônimos (e bem menos ricos, por hora). Ouvimos coisas incríveis, outras lições de vida. Não deixe de ver.

Novos artigos também estão no ar e convidamos você a participar. Envie suas
opiniões.

Até a próxima.

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