Posts Tagged ‘empreender’

run“É doença, é vício, é cachaça, é maluquice total…. mas é bom demais” é um resumo do que escuto de empreendedores, e de mim mesmo, quando se fala de empreendedorismo.

Empreender é fazer acontecer, é botar para fazer, mas é também muita ansiedade, muita angústia, muita incerteza.

É viver eternamente na corda bamba, é subir ao topo e descer ao fundo do poço, várias vezes ao dia. Read the rest of this entry »

Não é de hoje que acho a Web maravilhosa. Em 95, quando dei meus primeiros passos neste novo mundo, o tempo para se convencer alguém de que a Web seria um bicho revolucionário era enorme, era tarefa quase insana.

Depois, lá pelos idos de 98, 99, convencer as pessoas de que a Web iria revolucionar tudo, mas não acabar com tudo, era algo que também foi bem complicado. Em tempos de “nova economia” – lembra? – ser menos do que um trator era ser tímido e não enxergar o futuro, um verdadeiro míope.

Aí, passa o tempo, a bolsa estoura e, lá por 2001, 2002 ficou semi-impossível convencer alguém de que, apesar da crise, a Web continuaria a crescer e que mudaria muitas indústrias como talvez nunca antes. Parecia que estávamos de volta a 95, tentando mostrar para as pessoas que o futuro era digital.

Mais água passa por debaixo da ponte e hoje, de novo, é quase impossível achar alguém que não tenha certeza – novamente – que a Web vai mudar o mundo!

Conclusão?

Erramos demais as nossas previsões e estamos sempre excessivamente ligados ao momento em que vivemos. Durante o boom pontocom tudo daria certo, depois dele, tudo daria errado mas, no fundo, lá no fundo, a verdade é que a web veio pra mudar tudo mesmo.

Não tem conteúdo, não tem sistema, não tem comércio, não tem comunicação que possa se dar ao luxo de passar ao largo ou não ser afetada pelo que veio por aí. Ou tem?

Quer um aperitivo?

Hoje a Bia, minha mulher, achou um site que é um Museu dos Modernos Betas – MoMB – http://momb.socio-kybernetics.net/ onde se acha tudo que está sendo criado em todo o mundo e, com 2 ou 3 cliques dá pra se ter uma noção de quanta coisa nova está sendo criada a cada instante e, lembrando que a web é uma jovem criança, dá pra imaginar quanto ainda ver por aí!

Essa semana, participando de um evento de jovens empreendedores (SIFE, Students in Free Enterprise, se você não conhece, vale a pena conhecer http://www.sife.org/brazil/index.asp?ID=BR), acabei assistindo uma palestra do amigo e grande profissional Robert Wong (já citado outras vezes aqui no EB!). Robert, como já fiz anteriormente, tomo a liberdade de citá-lo novamente para os leitores do EmpresaBRASIL!, seus ensinamentos são muito valiosos. Espero que aprecie meu gesto. O crédito é todo seu!

Em certo momento, Robert explica aos jovens que estão para iniciar suas vidas profissionais que chegar ao topo, virar o presidente de uma empresa por exemplo, é um alvo que todos devem considerar, que é possível chegar lá (muitos dos estudantes provavelmente chegarão lá mesmo) mas, ao mesmo, ressalta que há um preço a ser pago. Esse preço está nas coisas que você vai deixar de fazer ou viver. Está na falta de tempo para os filhos, na falta de um significado verdadeiro para sua vida, na perda de relacionamentos pessoais… enfim…. naquilo que você estará trocando para chegar lá.

Muito sabiamente, na minha opinião, Wong sugere aos estudantes que reflitam.

Em seguida, coincidentemente, Robert toca no ponto que discutimos semana passada: as mulheres executivas. Conta ele que perguntado certa vez por que existem menos mulheres no topo da pirâmide, pensou 3 razões: incompetência, preconceito e opção.

Incompetência, coloca Robert, certamente que não é o caso. Wong compartilha a opinião de que as mulheres são até mais competentes do que os homens. Preconceito? Pode ser, reflete ele. Mas, por outro lado, certamente, há menos mulheres no topo da pirâmide pois muitas delas não acham que vale a pena pagar o preço e fazem a opção consciente de não chegar lá, conclui Robert.

Interessante, não? Parece fazer um enorme sentido que as mulheres sejam mais conscientes do preço a ser pago durante o processo e não anos depois, como muitas vezes acontece com os homens, quando já é tarde demais. Parece também fazer sentido que as mulheres se sintam mais tranqüilas para fazer essa opção que, para os homens, pode soar muito mais como uma desculpa para o “insucesso” do que realmente uma opção. Há muito preconceito ainda.

E se focarmos nosso olhar para o empreendedorismo, o que encontraremos? Será que ser empreendedora também tem seu preço e muitas mulheres preferem não pagá-lo? Será que muitas mulheres deixam de se aventurar no mundo do empreendedorismo por opção?

Essa semana um amigo que é head-hunter me confidenciou algo muito interessante. A empresa dele – uma das maiores multinacionais de seleção de altos executivos – tem uma metodologia fantástica de auto-avaliação de profissionais, desenvolvida durante anos por profissionais competentes e já testada em mais de 600 mil pessoas em todo o mundo.

Me disse ele: “quando fizemos alguns estudos comparando os executivos homens e as executivas mulheres no mercado americano, o idealizador do estudo e responsável pela metodologia chegou à uma conclusão: as mulheres são melhores!” Completou ele: “na época, ficamos com receio de divulgar esse resultado uma vez que associações de classe, ONGs ou sindicatos americanos poderiam contestar legalmente nosso estudo e poderíamos cair em uma enorme armadilha jurídica. Resolvemos não publicar, mas estava lá”.

Não vi os resultados do estudo mas me parece que as mulheres são mais centradas, mais detalhistas, têm mais bom-senso, têm um senso de responsabilidade talvez mais humano e conseguem gerir negócios de forma um pouco mais emocional, o que é bom, em muitos sentidos, penso eu.

Nos últimos anos temos visto cada vez mais mulheres ascenderem às esferas mais altas do mundo dos negócios. “CEOAs”, como brincou meu amigo, são cada vez mais comuns e suas histórias, cada vez mais interessantes.

Aqui mesmo por nossas bandas vemos mais e mais executivas em altos postos de comando. Ainda se trata de uma minoria, é verdade, mas todo dia surge mais um caso.

E as mulheres empreendedoras?

Não tenho nenhum estudo em mãos, nem sei se alguém já o realizou (vou procurar – e me mandem, se souberem de algo), mas me parece que número de mulheres empreendedoras também está crescendo. Mas, por outro lado, aquelas que tenham se destacado ainda são poucas (ou elas são menos visíveis, quem sabe). Talvez eu esteja influenciado pelo número de empreendedores homens que se destacam e não esteja atento o suficiente. Quem sabe. Vou pesquisar mais.

Temos no Brasil uma ONG de fomento ao Empreendedorismo da qual faço parte – Instituto Empreender Endeavor (citada em outros editoriais) – que faz um trabalho fantástico e é dirigida por uma mulher. A Endeavor nos EUA também foi fundada e é dirigida por uma mulher.

Interessante.

Será que, ironicamente, as mulheres estão incentivando e fomentando uma atividade ainda predominantemente masculina?

Pode até ser mas, penso eu, isso será por muito pouco tempo! Veremos.

uma semana onde o que mais se viu e ouviu foi sobre os drinks do presidente com o NYT, vivi uma maravilhosa experiência ao palestrar sobre empreendedorismo em Santa Maria, no Rio Grande de Sul.

O presidente da empresa Jr da Universidade Federal de Santa Maria – Bruno Weiblen – estava à minha caça desde o ano passado. Por e-mail e por telefone, persistentemente, tentava me convencer de que meu investimento em tempo e dedicação valeria à pena. Não só me convenceu como me fez convidar alguns amigos para me acompanhar. Um deles mordeu minha isca e, apesar de todas as dificuldades (distância, inexistência de vôo para a cidade e nenhuma remuneração), percebeu que tínhamos na mão algo interessante e lá fomos nós.

Obrigado MAK!

Chegando lá, logo na entrada da universidade, minha primeira surpresa: haviam cartazes anunciando nossa palestra por tudo quanto é lugar. Cartazes impressos, bem feitos, divulgando o evento. Interessante! Além dos cartazes, Bruno mandou rodar alguns flyers também e, olhando um deles atentamente, notei um “pequeno” detalhe: a palestra era paga. Estava muito bem impresso: investimento R$ 5,00! Aquilo me chamou a atenção. Incrível. Não disse nada ao Bruno, que esperava um público de cerca de 350 pessoas (pagantes!!!), mas pensei comigo mesmo…. será que vai dar certo?

Deu!

Chegando ao local da palestra já se podia notar o burburinho e, com apenas 10 minutos de atraso, começamos nosso papo para mais de 450 jovens estudantes. 450 pagantes, note bem! Inacreditável.

Comentei com o Bruno que no “eixo Rio/SP” ninguém consegue colocar 450 estudantes pagando R$ 5 em lugar nenhum a não ser que seja na balada (ou festa, como eles dizem lá). Fiquei impressionado. O evento estava pago com a bilheteria! Alguém viu isso acontecer por aqui em São Paulo? Eu não vi!

Outra coisa que me chamou a atenção foi o interesse. A platéia permaneceu atenta, focada e em silêncio por 3 horas e 30 minutos seguidos! (calma, não palestramos por mais de 3 horas, claro. Antes do MAK e de mim, houve alguns discursos políticos, além do mestre de cerimônias, que seguia lentamente o seu ritual de apresentações).

Findo o evento, seguimos para a “janta” (como os gaúchos se referem ao jantar). Tínhamos ainda que dirigir quase 4 horas para Porto Alegre para tomar o avião de volta no dia seguinte cedo, mas não dava para não participar. Eles contavam com isso e queriam mais alguns minutos conosco. Estavam felizes por estarmos lá e queriam nos proporcionar algo bom: a janta!

Todos os 27 “executivos” da Objetiva Jr, a empresa Jr. da EFSM, estavam presentes para jantar conosco. O restaurante era de um cliente da Objetiva Jr e, portanto, parceiro do evento. Numa enorme mesa quadrada, presidida pelo Bruno, aqueles jovens riam, se divertiam, brincavam porém, mais do que tudo isso, faziam planos. Pedimos que todos se apresentassem e que falassem um pouco sobre o que faziam e de seus projetos, idéias e sonhos. Foi inebriante presenciar aquela energia. Nos confins do país, vendo aquela moçada sonhando alto, querendo fazer diferença num mundo tão igual, bebendo do conhecimento que eles tanto batalharam para levar até lá, me deixou sem palavras. Olhava aquelas cenas com um misto de felicidade, esperança, otimismo e indignação. Está na hora do país fazer alguma coisa por quem está disposto a mudar, não?

Saímos de lá estarrecidos. MAK vinha comentando na estrada: “Bob, que coisa incrível, que energia boa, que oportunidade maravilhosa que tivemos”. E eu não consegui dizer nada além do concordar totalmente com ele.

Foi impressionante.

Já que só se fala nos drinks do presidente e como meu último editorial (feito antes do caso Lula/NYT!!) falava do Jack (o Daniels), queria então enviar um brinde à turma de Santa Maria e ao Bruno em especial. Continuem assim! Vai dar certo!

Prosit!!

MAK = Marco Aurélio Klein

Virou lugar comum as pessoas que desejam empreender reclamarem que no Brasil não existe apoio, que o capital é muito limitado, que o incentivo inexiste e assim por diante.

Concordo em vários desses pontos e, em muitos deles, existem estatísticas que comprovam o que as pessoas dizem.

Outro dia, numa palestra para jovens estudante do ensino médio, uma aluna me perguntou se é mais fácil empreender nos EUA ou na Europa do que aqui.

Respondi a ela que não. Concordo que em países como os EUA existe um enorme fomento ao empreendedorismo e que até mesmo a cultura do país incentiva a iniciativa. Mas, apesar disso, penso que no Brasil vale aquele velho ditado: “em terra de cego, quem tem um olho é rei”. Existe uma pequena parcela da população que tem acesso a estudo, internet, informação, etc face à enorme fatia da população que só se preocupa em sobreviver. Nos EUA, por exemplo, se de um lado existe mais incentivo, de outro, existe muita mais gente capacitada tentando empreender.

Se falta capital, apoio, incentivo, por outro lado também faltam projetos bons e consistentes. O conhecimento de Planos de Negócios é novo, recente, e muita gente ainda pensa que ele é um plano qualquer para se convencer alguém a financiar nossa maluquice. E, assim, fazem qualquer coisa do seus planos de negócio. Erram feio. Não convencem a ninguém e perdem a oportunidade de testar suas idéias, seus projetos e suas capacidades de planejar um negócio.

No meu livro perguntei a várias pessoas qual a importância do Plano de Negócio. Antonio Bonchristiano, hoje no GP Investimentos e um dos fundadores do Submarino, nos diz que o Plano de Negócios é uma ferramenta importante para o investidor pois permite medir a capacidade de síntese e análise do empreendedor. “Todos sabem que não será seguido à risca, mas é ótima ferramenta para se conhecer o empreendedor e seu projeto”. Sandra Chemin, empreendedora da área de web, por sua vez, arremata de forma brilhante: “Planos de Negócios? Tem que ter, nem que seja num guardanapo de papel!”.

Temos a ilusão de que um Plano de Negócios é algo formal, inútil e que fazemos para alguém outro. Não pode haver engano maior. Se alguém de fato se beneficia de um Plano de Negócios bem feito é o próprio empreendedor.

Essa semana, chegando em meu escritório (numa charmosa vila no Brooklin em SP), me deparei com uma pequena equipe lavando o carro de um dos meus sócios. Reparei que havia também um veículo de apoio à operação, estacionado na minha vaga com o porta-malas aberto.

Como a curiosidade de empreendedor é enorme, chega ao ponto de me fazer ouvir a conversa da mesa ao lado em restaurante, não pude deixar de perguntar o que estava acontecendo.

Para minha grata surpresa, estava diante de mais um dos milhares de empreendedores criativos desse nosso país.

Seu Raimundo (ou algo assim, não tenho certeza se é esse o nome mesmo dele, o cartão ficou lá na Vila) tem um Fusca e faz lavagem de carros a domicílio. Tem o Zé como ajudante, preparou o porta-malas do possante para acondicionar os produtos de limpeza e atende sua clientela se deslocando até ela. 12 reais é o que cobrou pra lavar o meu carro – já virei cliente dele!

Encontrou (ou criou) um nicho, e dele tira seu sustento. Parece feliz. De quebra, é apaixonado por Fusca e decorou o seu com vários modelos miniatura (veja a foto).

Pode-se, claro, olhar tudo isso sob a ótica do desemprego, da informalidade, da falta de oportunidades de trabalho em nosso país ou, sob uma ótica diferente, podemos identificar alguém que, mediante todas essas dificuldades, resolveu empreender. Soube se virar, gera 1 emprego (informal, claro, mas há renda real pro Zé), criou um negócio e dele tira seu sustento.

Particularmente, fico com a segunda opção e cada vez que me deparo com uma pessoa dessas, que foi capaz de enxergar uma brecha e de criar seu próprio mercado, fico motivado a tocar em frente, a perseguir meus sonhos e maluquices.

E viajo, claro. Já vejo o seu Raimundo daqui uns anos como o dono da Home-KarKlin, a maior rede nacional de lavadores móveis de carros, administrando 20 escritórios Brasil afora, gerindo mais de 500 empreendedores-lavadores, criando empregos e ajudando a mudar nosso país.

Sonho? Pode ser, mas se não os tivermos…

Essa semana ficamos sabendo da fusão/associação da AMBEV com a InterBrew, que resultou na criação da maior cervejaria mundial!!!

Apesar de se tratar da maior transação empresarial que o Brasil já realizou, apesar de estarmos participando da criação da maior cervejaria do mundo, apesar de estarmos levando algumas marcas nossas pro mundo e apesar de termos 3 empreendedores brasileiros sócios/gestores de uma das maiores empresas do planeta, observando a reação das pessoas, vi algumas falando das questões do CADE (caso Kaiser) , outras mencionando o fato de perdemos a maior empresa multinacional tupiniquim, outras ainda preocupadas com os empregados da empresa no Brasil e um grupo final que diz que só ganharam os sócios (Telles, Sicupira e Lemann) e perdeu a empresa.

Com raríssimas exceções, muito raras mesmo, só vi gente descendo a lenha no acordo, dizendo até que nem acordo é, e sim uma venda mesmo.

Antes de mais nada, quero registrar meus parabéns. Me orgulho do que vejo, me motiva pensar que 3 brasileiros puderam comprar uma empresa semi falida por 60 milhões de dólares, levanta-la, criar a Ambev anos depois e agora serem sócios de um império como a Interbev. Como empreendedor que sou, fico extremamente gratificado e instigado a fazer mais, buscar mais, lutar mais, a pensar que o nosso país pode gerar coisas como essa que vimos agora.

Entendo, naturalmente, que se deve conhecer bem o acordo, que minoritários não podem perder, que se houve super valorizações elas devem ser claras e transparentes, etc, etc.. só não entendo como a gente não consegue olhar tudo isso e, por instantes que seja, fazer uma tremenda festa, ter orgulho, aumentar nossa auto-estima!

Passei a semana lendo as notícias e os comentários e pensando: será que sou do contra? Será que entendo tudo errado? Será que tenho complexo de Pollyana? Será que estou vendo coisas boas onde elas não existem?

Não! Tenho certeza que não.

Trata-se SIM de um momento especial para nosso país, para nossos heróis empreendedores, para toda a gente que cria emprego, abre mercados, vai à luta. É uma coroação do empreendedor brasileiro. É talvez o primeiro exemplo de sucesso internacional de fato. É só um começo, concordo. Seria ideal que os 3 sócios tivessem o controle da empresa? Sim, ela seria mais brasileira, mas e daí? O que isso de fato muda? Eles ganharam um prêmio especial pelo que fizeram? Sim. Ótimo. Mereceram. Ou seria melhor uma Brahma e uma Antarctica, pouco eficientes, atrasadas, semi-falidas, que não pensassem grande e que gerassem muitos prejuízos, mas fossem legítimas verde-e-amarelas? (SIC) Sem eles, muito provavelmente elas sequer existiriam hoje. Não é muito mais interessante esses 3 mega empreendedores co-gerindo uma das maiores organizações do mundo? Penso que sim.

Parabéns, mais uma vez! Continuem pensando grande pois, no mínimo, vocês mostram para essa gente empreendedora que vale persistir. Que vale, apesar do país não dar a menor bola, empreender e criar novas empresas. Que vale sonhar grande, mesmo que seu projeto seja pequeno, tenha nascido ontem e esteja semi-falido.

Chega desse pensamento pequeno e míope, né?

Um dos poucos que falou bem. Nizan Guanaes no BlueBus www.bluebus.com.br

Essa semana que passou recebi um e-mail de um leitor que, dizendo me acompanhar através de meus textos há tempos, resolvera, após muita dúvida, pedir licença para me mandar uma mensagem. Ele queria ajuda. Estava perdido e precisava de uma luz.

Respondo todos os e-mails e, portanto, o do Orlando não ficaria de fora. Deixei-o por último, claro, afinal não era nada fácil responder a tantas dúvidas e, principalmente, a questões tão profundas. Certos e-mails têm a capacidade de fazer você próprio se questionar.

Em primeiro lugar, deixei absolutamente claro que eu não tinha as respostas a tudo o que ele me inquiria mas, mesmo assim, resolvi ir comentando item a item a sua mensagem. Argumentei cada ponto, apontei uma nova perspectiva de muitas questões e propus que ele procurasse o lado bom de algumas das coisas que tinham acontecido a ele. Por fim, sugeri que ele focasse em algumas e poucas das saídas propostas e que, nestas, colocasse toda a energia do mundo. O resto viria. Estava respondido.

Pouco tempo depois de enviada minha mensagem, recebo a replica dele que dizia algo mais ou menos assim: obrigado Bob, você tem razão. Não estou tão pessimista assim, de verdade. Vou à luta…. e finalizava sua resposta dizendo que o fato da mensagem dele estar escrita em azul já mostrava isso…. o que me pareceu um argumento (novo) absolutamente genial!

O que houve então com nosso amigo Orlando, entre o primeiro e o segundo e-mail? Algo tão importante assim mudou? Teria eu escrito algo tão forte que fosse capaz de mudar sua visão de mundo? Não, não e não!

O que mudou foi apenas seu estado de espírito que, por conseqüência, o fez ver os seus problemas (e principalmente as soluções dos mesmos) de forma mais clara, mais simples, mais viável, mais próxima. E isso, apenas isso, abriu uma nova perspectiva para ele. Não fui eu! Meu papel, tenho a mais absoluta consciência, foi mínimo, insignificante. Quaisquer que fossem minhas palavras, o efeito seria semelhante. O fato de eu ter respondido, por si só, já provocaria uma reação positiva que desencadearia em uma visão mais tranqüila do mundo ao seu redor e em todo o resto que se seguiu aconteceria.

E então, o que se pode aprender com tudo isso?

Fui me observar, olhar amigos empreendedores, e percebi que muitos passam por processos semelhantes e que muitos deles criaram artifícios e mecanismos de auto-ânimo.

Não falo de motivação, pois motivação é uma coisa externa. Não falo de pensar no seu filho ou na sua mulher, ou num carro novo, ou numa vida sem dívidas ou com menos problemas. Muito menos em qualquer coisa onírica ou esotérica. Falo de algo totalmente íntimo, de conversas com você mesmo, de busca da luz lá dentro de você, do encontro de uma energia extra naquele dia que tudo parece estar errado, da capacidade de sorrir para a vida num dia negro para você. É disso que falo.

Eu, por exemplo, tenho meu artifício: vou andar (a pé ou muitas vezes de carro) e converso comigo mesmo. Falo (para mim mesmo e em voz alta): “Bob, relaxa.” Pergunto-me: “o que está te parecendo tão ruim? O que está tão errado? O que está te incomodando tanto?” e me respondo, claro. Conto para mim mesmo os meus problemas, as minhas dúvidas, as minhas incertezas, as minhas tristezas. Me auto-elogio também, naturalmente, e muitas vezes tento me auto-enganar, como é tão natural no ser humano, mas aí repito em voz alta “bobíííí, tá maluco, vai ficar puto com uma bobagenzinha dessas? Deixa isso pra lá, cara, vai resolver as coisas e bola pra frente!!!”. Falo comigo mesmo, sozinho, dando voltas na quadra a pé e, dando bronca em mim mesmo e, podem acreditar, funciona! Funciona muito.

O empreendedor é alguém assim, que tem, ou criou, aprendeu ou incorporou à sua vida (não há nenhum dom especial aqui) uma enorme capacidade de auto-ânimo, de resolver consigo mesmo suas dúvidas e incertezas mais profundas.

Isso, a meu ver, é uma das razões que faz com que os empreendedores acreditem tanto em coisas (aparentemente) impossíveis ou muito improváveis.

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