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Estudo realizado pela EmpresaBrasil! em parceria com a Invent mostra que a grande maioria dos estudantes universitários pensa em empreender.
Numa iniciativa da EmpresaBrasil! com o apoio estratégico da Invent, empresa especializada em investimentos na Internet, foi realizado um estudo junto a universitários de todo o país com vistas a entender o que pensam do Empreendedorismo, como se posicionam, quais os fatores motivadores e quais os limitantes, onde vêem as dificuldades e o que esperam de suas carreiras face ao Empreendedorismo.
O estudo foi realizado através do envio de um convite a um mailing de 20mil estudantes universitários de todo o país que fazem parte do cadastro da “O Carteiro” – uma das empresas Invent. Não havia brindes, incentivos especiais ou qualquer tipo de recompensa para quem respondesse.
Logo de cara, uma surpresa muito animadora: nos 3 dias seguintes ao disparo do convite aos 20000 e-mails (fizemos um único disparo), tivemos 2750 respondentes (questionários completos) o que dá uma taxa excepcional de quase 14% da base. Note-se que não houve qualquer tipo de motivação especial como prêmios, concursos, nada.
Não é óbvia a cena de um jovem estudante, preocupado com suas festas, namoradas, roupas que usa, marcas que consome, carro que tem (ou quer ter), parar o que estiver fazendo para responder a 9 perguntas sérias sobre o que pensa de um assunto qualquer, concorda? Ainda mais sem nenhum benefício visível e palpável sendo oferecido, além de um muito obrigado ao final.
Podemos então inferir, sem medo de errar, que o assunto está na cabeça do jovem, além, claro, de estarmos trabalhando com uma base boa.
Nossa primeira pergunta era a natural: você pensa em Empreender? E, de novo, uma surpresa animadora – 86,1% disseram que SIM, sendo 42,8% – Sim, muito e 43,3% – Sim. Sabemos que declarações desse tipo em sondagens são sempre subjetivas pois estamos perguntando coisas hipotéticas e tentando entender atitudes futuras mas, mesmo assim, esse resultado de mais de 80% de SIM é muito importante. Sabíamos, ou quem sabe intuíamos, que a questão do Empreendedorismo vinha crescendo muito na cabeça dos estudantes e sabemos também que o emprego formal, bem remunerado e atraente, vem se reduzindo muito no mundo todo, fatos que levam a uma atenção especial com novos caminhos. O que não tínhamos noção é que esses índices já fossem tão altos, que o assunto fosse tão “top of mind” na cabeça da moçada a ponto de investirem (não acho mais que pensaram estar perdendo) tempo para responder o questionário.
Um vez respondida a primeira pergunta, dividimos os entrevistados em 2 grupos: aqueles que pensam em Empreender e os que não o querem. Procuramos, a partir daí, entender as principais razões que os levam a pensar em empreender, assim como as maiores dificuldades. Perguntamos também o que esperam do Governo, se o ambiente influencia ou não, se a crise atrapalha o Empreendedorismo, o que é mais importante para o Empreendedorismo e por fim, como os jovens vêem os empreendedores brasileiros.
A seguir apresentamos as conclusões mais importantes. Caso seja de seu interesse, disponibilizamos a apresentação completa do estudo.
O DESEJO DE EMPREENDER
Ao contrário do que se pudesse pensar, as maiores razões para Empreender apontadas pelos jovens são Realização Profissional (35%) e Desejo de Ter o Próprio Negócio e não a Falta de Emprego (11%). É interessante como, ao menos na cabeça dos entrevistados, eles não percebem o Empreendedorismo só como uma saída, ou a última saída, para suas vidas profissionais. Enxergam sim realização pessoal e têm vontade de montar negócios. Interessante.
O NÃO DESEJO DE EMPREENDER
O grupo que diz que não pensa em empreender afirma que não o faz por uma razão predominante – Falta de Capital (36%), mas 35% dos respondentes diz ter outras razões para não fazê-lo que não as apontadas na pergunta (Capital, Falta de Preparo, Preconceito, Desconhecimento). Aqui, precisaríamos estudar mais para entender a que se deve essa resposta. Lembre-se que estamos falando de cerca de 14% dos respondentes apenas.
A DIFICULDADE
Perguntamos aos jovens onde eles julgam estar a maior dificuldade para realizar seus sonhos de Empreender. Naqueles que querem Empreender, uma parcela significativa (46%) acredita que a falta de capital é a principal dificuldade a ser superada. Convém notar que no grupo dos que não pretendem Empreender, a falta de Capital não se mostra tão importante (25%) e a Falta de Oportunidades aparece em seguida como um item importante (24%).
PATERNALISMO
Quando perguntamos o que eles esperam do governo, os jovens (de ambos os grupos) dividem suas respostas de forma quase igualitária entre Facilite a Entrada de Capitais (25%), Fomentador – Ex. Sebrae (24%), Financiador – Ex. BNDES (26%) e Faça as Reformas (19%). A alternativa Não se Meta foi escolhida por apenas 6% dos respondentes. Essa pergunta não nos reserva grandes surpresas. Vemos que os jovens ainda estão muito influenciados por décadas de governos paternalistas e que coisas como o velho coronelismo ainda fazem parte de nossa cultura. Infelizmente ainda esperamos que ALGUÉM faça algo por nós.
O MAIS IMPORTANTE
Tentando complementar a informação das maiores dificuldades, perguntamos ao jovens o que eles julgam ser mais importante para o Empreendedorismo. Capital aparece em primeiro lugar (38%), coerentemente com a resposta da maior dificuldade. Em seguida, encontramos Acesso a Informação (32%). Educação é o próximo item, com 18% apenas. Alarmante? Talvez, mas buscando refletir com calma sobre o que esses números nos dizem, pensamos que eventualmente a melhor tradução desses resultados é a de que os jovens não vêem na educação um caminho natural para o Empreendedorismo e, quando pensam em se preparar para Empreender, pensam mais em cursos, leituras, etc que podem ter sido englobados em Acesso a Informação (32%). Seja como for, é para se pensar, não?
O EMPREENDEDOR BRASILEIRO
Para terminar nossa questionário, perguntamos ao jovens como eles vêem o Empreendedor Brasileiro. Criativo (39%) responderam os que pensam em Empreender, com Competente (21%) e Inovador (20%) vindo em seguida. Já os que não pensam em Empreender não consideram o Empreendedor brasileiro tão criativo (26%) e o vêem mais Competente (25%) e Inovador (25%). A diferença me parece mais relacionada ao próprio respondente (como ele se vê a si próprio) do que de fato a alguma diferença do Empreendedor. Em ambos os grupos, no entanto, há uma visão muito positiva da Empreendedor brasileiro. Incompetente aparece com apenas 6 e 7% (nos 2 grupos).
Vemos que os jovens estão sim considerando o Empreendedorismo como um alternativa de carreira e de realização pessoal.
Essa talvez seja a conclusão mais importante do estudo pois nos coloca cara a cara com outras várias questões: como ajudar esse jovem a se formar? Como ajudá-lo, posteriormente, a Empreender? Como mudar nossa mentalidade “assistencialista”? Como fomentar o Empreendedorismo no país? Como? Como? Como?
Lembre-se, mais de 80% dos estudantes está contemplando essa possibilidade, portanto precisamos buscar algumas dessas respostas. Urgentemente.