Posts Tagged ‘governo’

Não sou eleitor do Lula mas, como quase todo brasileiro, aderi à onda de esperança: finalmente chegaria a nossa vez. O país do futuro se transformando no país do presente, a corrupção que nos suga dando espaço à seriedade, nossa auto-estima em ascensão nos dando coragem para crescer, criar, ousar, enfim, para assumirmos um papel importante nesse mundo globalizado e complicado.

Cheguei a escrever a esse respeito e, como empreendedor, colocando-me à disposição para a enorme batalha, que certamente nosso presidente enfrentaria.

Logo de início, os cupons de comida e as lindas campanhas publicitárias do Fome-Zero me fizeram estranhar…. mas por que não um voto de confiança? Um trabalhador, homem nordestino, que veio lá de baixo, tem o direito de sonhar ainda mais alto e querer – por decreto – acabar com a fome no país, não tem? Claro.

O que veio (e principalmente o que não veio) depois, todos nós vimos. Destaque especial para o aumento da Cofins!

Um ano depois, nos encontramos numa situação que antes de mais nada, me parece bizarra: a corrupção e o tráfego de influências rondam o PT de forma tão intensa que esta era a última coisa que eu poderia imaginar que nos aconteceria.

Canetadas violentas (governar por MP), um certo retrocesso (à moda de Chaves, Fidel, etc), promessas de campanha mesmo após a eleição, alguma vontade estatizante, etc, etc, eram coisas que passavam pela minha mente, afinal, eram parte do histórico do partido. Mas corrupção com bicheiros? Essa já é demais, não? Nosso ministro Dirceu, homem honrado, ex-guerrilheiro, metido nessa enrascada até o pescoço? Demais pra cabeça, não?

Um amigo – que circula muito por Brasília – me contou na semana passada que o Dirceu Jr (Zeca, o filho poderoso) anda barbarizando (também) no poder. Nem competência para ser discreto ele tem! Dizem que a coisa é escancarada e, dizem mais, a imprensa sabe de tudo, está só esperando a hora certa (o que pode significar milhares de coisas, não sejamos inocentes) para jogar no ventilador.

Cada vez que leio o Diogo Mainardi na Veja falando do nosso Presidente – hoje, domingo, ele nos brinda com mais uma coluna brilhante falando dos whiskies do Lula (para bom entendedor meia coluna basta) – fico mais irritado e nervoso: perdemos, de novo, a chance de mudar esse país, perdemos a oportunidade de acabar com o período das capitanias hereditárias e do coronelismo e entrar numa era moderna, perdemos o bonde que passou na nossa cara e que nós, preocupados com o marketing e com os bicheiros, não vimos! Triste, triste, triste.

Apesar de não ter votado nele, um homem do povo, como o Lula, chegar democraticamente a Presidente de um país como o nosso é coisa para se orgulhar, não é? O mundo se orgulhou de nós, lembram-se? Verdade. Minha auto-estima subiu, ganhei coragem e como empreendedor, pensei com meus botões: vamos viver uma fase boa, de crescimento, de maior decência na coisa pública e o empreendedorismo vai ganhar muito com isso.

Doce ilusão. Nada disso aconteceu, muito pelo contrário e hoje minha auto-estima ficou, mais uma vez, ameaçada.

Mas como não sou de ficar me lamentando, pois isso não leva a nada e detesto o imobilizado que só reclama, tomei uma decisão: vou voltar aos tempos dos planos (Cruzado, Collor, etc) e das nossas maiores patacoadas (morte de Trancredo, Itamar, Sarney) onde eu simplesmente ignorava o que se passava no poder. Eles não estão aí para nos ajudar mesmo e, mais uma vez, só estão preocupados com eles próprios.

Então, que se lixem!

Vamos construir nós mesmos o país dos nossos sonhos e, quando eles perceberem, perderam o próximo bonde também!

Nessa semana participei de 2 eventos na área de Empreendedorismo. O primeiro, uma palestra na Faap para alunos do seu MBA e o segundo o lançamento de um program de capacitação em Empreendedorismo que estou implementando junto a Fapesp/Endeavor, com apoio do Sebrae.

Em ambos fiquei, mais um vez, impressionado como o tema desperta o interesse das pessoas. Como sou um empreendedor e não um palestrante ou professor (*), sinto que as pessoas querem me sugar, saber tudo, extrair tudo e, em muitos casos, sinto olhares de admiração, idealização até saio dos eventos ‘drained’, como tão bem definiriam os gringos – sugado, talvez em Português – pela intensidade que se discutem os temas, as perguntas e como as pessoas estão inebriadas por conhecimento ou informação.

Na Faap, em plena terça-feira, 14hs, palestrei para uma audiência grande, atenta, interessante e que, ao contrário de muitos outros locais por onde passei, me pareceu procupada com seu futuro profissional e que já percebeu que o tal do tão sonhado emprego não existe mais. As perguntas foram pertinentes e incisivas. Um delas, que penso vale reproduzir aqui, foi mais ou menos assim: o que mais aprendi nos meus momentos de insucesso (faço sempre questão de deixar claro que os tive e os tenho aos montes!)? Quais as dicas que daria? Pensei um segundo: a primeira – converse com você mesmo. Em 99% dos casos você sabe o que fazer, sabe a resposta para o problema e apenas tem dificuldade de ver isso claramente ou, na maior parte das vezes, de agir! Fazer o que tem que ser feito às vezes é doloroso, demanda um esforço especial. É comum que eu ande pela quadra falando comigo em voz alta! É conveniente não fazer isso na frente das pessoas que podem achar que você tem outros problemas também! E a segunda dica é: relaxar. Muitas vezes você fica procurando respostas, soluções, saídas ou novas alternativas para sua vida profissional e sua cabeça fica como que girando em círculos, como que num labirinto mental. É preciso apagar isso. É preciso dar uma espécie de ‘re-boot’ em seu cérebro. Se você não se abrir para outras coisas, muitas vezes a solução mais óbvia de seus problemas não aparece. Foi assim, contei para a turma, que apareceu meu mais recente negócio: o Fotosite. Num momento de baixa, me dediquei um pouco à Fotografia como hobby…. e após publicar um trabalho pessoal no Fotosite, nasceu uma relação de trabalho que está extremamente interessante, tanto do ponto de vista do negócio como pessoal.

Nos EUA o insucesso (ou fracasso, apesar dessa palavra ser forte demais e até errada para a situação de um negócio que não vingou, penso) é valorizado. Um investidor pensa que alguém que já ‘não deu certo’ tem mais experiência em negócios e até mesmo está mais vacinado pessoalmente contra loucuras típicas de empreendedores principiantes. Um sócio que já teve a experiência de ‘não vingar’ será também um sócio mais prudente e é sempre útil saber como a pessoa agiu no momento da crise. Isso pode evitar grandes surpresas em momentos difíceis.

No final do evento, caímos em uma discussão que, penso, é importantíssima. Temo até estar me tornando repetitivo e monotônico, mas ouso mais uma vez trazer à tona a questão. Apesar de ser totalmente favorável a que as pessoas tenham uma vida decente e tenham o que comer, sou contra o ‘mood’ que o governo federal vem dando à solução dos nossos problemas. Sou contra FomeZero, por exemplo, por várias razões: é assistencialismo puro; cupons de comida são comprovadamente a forma errada de erradicar probreza; é um mecanismo perverso e que permite muita corrupção e não existem recursos para sustentabilidade mas, afora tudo isso, existe um fator que a meu ver é o pior de todos: o Fome-Zero não favorece em nossa sociedade a noção de co-responsabilidade, de auto-responsabilidade e baixa ainda mais a nossa auto-estima. O leitor pode pensar: não seria justamento ao contrário? Penso que não. É um programa que, por mais nobre que a causa seja, nos faz lembrar o tempo todo que uma parte enorme do país não come (isso é meio polêmico tambem…) e que se não ‘dermos’ a nossa colaboração, isso não vai mudar. Hum? Mais colaboração? Os mais de 50% de impostos sobre tudo o que produzimos não bastam? Hum? E, por outro lado, não se cria auto-suficiência em nada, nem no programa e muito menos na cabeça do cidadão. Péssimo isso!

Na pesquisa que publiquei semana passada sobre os universitários face ao Empreendedorismo, vemos claramente isso se refletindo: perguntados o que esperam do governo em relação ao empreendedorismo deram uma resposta acachapante: TUDO!. Apenas 6% foram capazes de dizer: ‘que não se meta!’.

Pena. Mas, como Empreendedor que sou, mantenho meu otimismo e penso que somos maiores do que qualquer PT ou PSDB ou ACM e que eu viverei o suficiente para ver o Brasil se tornar o país do presente! O futuro já foi!

(*) Nada contra palestrantes ou professores, muito pelo contrário. Contra sim aqueles que professam experiência de algo que não tem.

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