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Essa semana, participando de um evento de jovens empreendedores (SIFE, Students in Free Enterprise, se você não conhece, vale a pena conhecer http://www.sife.org/brazil/index.asp?ID=BR), acabei assistindo uma palestra do amigo e grande profissional Robert Wong (já citado outras vezes aqui no EB!). Robert, como já fiz anteriormente, tomo a liberdade de citá-lo novamente para os leitores do EmpresaBRASIL!, seus ensinamentos são muito valiosos. Espero que aprecie meu gesto. O crédito é todo seu!
Em certo momento, Robert explica aos jovens que estão para iniciar suas vidas profissionais que chegar ao topo, virar o presidente de uma empresa por exemplo, é um alvo que todos devem considerar, que é possível chegar lá (muitos dos estudantes provavelmente chegarão lá mesmo) mas, ao mesmo, ressalta que há um preço a ser pago. Esse preço está nas coisas que você vai deixar de fazer ou viver. Está na falta de tempo para os filhos, na falta de um significado verdadeiro para sua vida, na perda de relacionamentos pessoais… enfim…. naquilo que você estará trocando para chegar lá.
Muito sabiamente, na minha opinião, Wong sugere aos estudantes que reflitam.
Em seguida, coincidentemente, Robert toca no ponto que discutimos semana passada: as mulheres executivas. Conta ele que perguntado certa vez por que existem menos mulheres no topo da pirâmide, pensou 3 razões: incompetência, preconceito e opção.
Incompetência, coloca Robert, certamente que não é o caso. Wong compartilha a opinião de que as mulheres são até mais competentes do que os homens. Preconceito? Pode ser, reflete ele. Mas, por outro lado, certamente, há menos mulheres no topo da pirâmide pois muitas delas não acham que vale a pena pagar o preço e fazem a opção consciente de não chegar lá, conclui Robert.
Interessante, não? Parece fazer um enorme sentido que as mulheres sejam mais conscientes do preço a ser pago durante o processo e não anos depois, como muitas vezes acontece com os homens, quando já é tarde demais. Parece também fazer sentido que as mulheres se sintam mais tranqüilas para fazer essa opção que, para os homens, pode soar muito mais como uma desculpa para o “insucesso” do que realmente uma opção. Há muito preconceito ainda.
E se focarmos nosso olhar para o empreendedorismo, o que encontraremos? Será que ser empreendedora também tem seu preço e muitas mulheres preferem não pagá-lo? Será que muitas mulheres deixam de se aventurar no mundo do empreendedorismo por opção?
Essa semana um amigo que é head-hunter me confidenciou algo muito interessante. A empresa dele – uma das maiores multinacionais de seleção de altos executivos – tem uma metodologia fantástica de auto-avaliação de profissionais, desenvolvida durante anos por profissionais competentes e já testada em mais de 600 mil pessoas em todo o mundo.
Me disse ele: “quando fizemos alguns estudos comparando os executivos homens e as executivas mulheres no mercado americano, o idealizador do estudo e responsável pela metodologia chegou à uma conclusão: as mulheres são melhores!” Completou ele: “na época, ficamos com receio de divulgar esse resultado uma vez que associações de classe, ONGs ou sindicatos americanos poderiam contestar legalmente nosso estudo e poderíamos cair em uma enorme armadilha jurídica. Resolvemos não publicar, mas estava lá”.
Não vi os resultados do estudo mas me parece que as mulheres são mais centradas, mais detalhistas, têm mais bom-senso, têm um senso de responsabilidade talvez mais humano e conseguem gerir negócios de forma um pouco mais emocional, o que é bom, em muitos sentidos, penso eu.
Nos últimos anos temos visto cada vez mais mulheres ascenderem às esferas mais altas do mundo dos negócios. “CEOAs”, como brincou meu amigo, são cada vez mais comuns e suas histórias, cada vez mais interessantes.
Aqui mesmo por nossas bandas vemos mais e mais executivas em altos postos de comando. Ainda se trata de uma minoria, é verdade, mas todo dia surge mais um caso.
E as mulheres empreendedoras?
Não tenho nenhum estudo em mãos, nem sei se alguém já o realizou (vou procurar – e me mandem, se souberem de algo), mas me parece que número de mulheres empreendedoras também está crescendo. Mas, por outro lado, aquelas que tenham se destacado ainda são poucas (ou elas são menos visíveis, quem sabe). Talvez eu esteja influenciado pelo número de empreendedores homens que se destacam e não esteja atento o suficiente. Quem sabe. Vou pesquisar mais.
Temos no Brasil uma ONG de fomento ao Empreendedorismo da qual faço parte – Instituto Empreender Endeavor (citada em outros editoriais) – que faz um trabalho fantástico e é dirigida por uma mulher. A Endeavor nos EUA também foi fundada e é dirigida por uma mulher.
Interessante.
Será que, ironicamente, as mulheres estão incentivando e fomentando uma atividade ainda predominantemente masculina?
Pode até ser mas, penso eu, isso será por muito pouco tempo! Veremos.