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| Esta semana retomei alguns contatos com amigos nos EUA e, claro, inevitável, falamos dos drinks do Lula e da expulsão do jornalista americano.
Ao receber um link de um artigo americano comentando a decisão do nosso presidente de expulsar o jornalista, enviei um e-mail em resposta dizendo que me sentia envergonhado da barbaridade da republiqueta. (não vou mais discutir o tema, todo mundo já o fez, a coisa já está resolvida e isso já nos cansou..). Quero olhar outro ângulo. No momento me sentia efetivamente envergonhado, assim como me incomoda ouvir nosso presidente falando errado e engolindo letras a torto e a direito, e minha resposta expressava isso. Qual não foi minha surpresa quando recebo, em segundos, uma resposta do meu amigo: “se você se sente envergonhado aí, imagina nós aqui com tudo o que está acontecendo com o nosso presidente!” Parei para refletir. É verdade. O que me envergonhava naquele dia não passava de um deslize momentâneo (corrigido em seguida) e, mais do que isso, era algo bobo, sem maiores conseqüências. Os erros do Lula continuam me incomodando mas, na real, são quase inofensivos. Tudo isso se formos comparar ao que estamos vendo acontecer nos EUA é café pequeno, como diria minha mãe. É nada. Refleti um pouco mais, e me voltei a algo que já discuti aqui nessa tribuna: a nossa auto-estima. Ela é, em geral, tão baixa que daria quase que para chamar de baixa-estima (eu sei, eu sei… é só um trocadilho infeliz e que sugere um erro (do mesmo tipo dos descuidos do presidente)… mas não resisti…). Como morei fora, precisamente nos EUA, as pessoas me perguntam muito como é trabalhar lá. Sempre respondo que é igualzinho no conteúdo e que apenas muda um pouco na forma. Uso sempre um exemplo. Um brasileiro que tem uma reunião às 11h chega sem problemas às 11:30h e acha isso quase normal. Um americano, 2 minutos para as 11h liga e diz que vai se atrasar 15 minutos, 2 minutos para as 11:15h liga de novo e reforça que precisa de mais 15. No fim, os 2 atrasam, o fazem de uma forma diferente mas dá tudo na mesma, não dá? Quando olhamos os países e nos perguntamos por que somos 3º mundo e eles 1º, podemos sustentar nossa resposta em inúmeros fatores, questões históricas e assim por diante… mas será que a diferença real não está só na auto-estima deles que está sempre na lua e a nossa, sempre na fossa? Simplista demais? Pode ser, mas olhe você mesmo, quando sua auto-estima está em alta não parece que as coisas acontecem? Que os seus sonhos se realizam, que a energia a sua volta o faz brilhar? O empreendedor, por exemplo, é uma pessoa com auto-estima altíssima! Se hoje me perguntarem o que o empreendedor americano tem de melhor em relação ao brasileiro, respondo na lata: auto-estima mais alta. Só! O resto são apenas características de um ou de outro. Nada de melhor ou pior. A auto-estima, essa sim, é anos-luz maior. Pro bem e pro mal, claro. |
How a startup called Method roused a tired category and turned household cleaning products into objects of desire.
Neste final de semana, lendo a revista americana Business2.0, me deparei com esse artigo aí de cima. Li e comecei a refletir. Não me considero Americanófilo, morei 1 ano nos EUA e pude testemunhar tudo o que aquele país incrível também tem de ruim, como qualquer país.
É inegável, por mais que se queira negar, a capacidade que os americanos têm de empreender, de buscar o novo, de inventar e de, em última análise, enxergar oportunidades. Eles são mestres em enxergar espaço para novas idéias e novas empresas onde todos imaginam não existir muito espaço.
No artigo mencionado, é contada a história de 2 rapazes que no auge do boom pontocom resolvem montar uma empresa em uma área sem graça e antiga: produtos de consumo. Apesar de ser um espaço ocupado por gigantes como Procter, Unilever, Palmolive, eles perceberam uma oportunidade e foram atrás.
Passeando pelas gôndolas de supermercados e “grocery stores” notaram que todas as embalagens se parecem muito e que o que muda entre uma e outra é praticamente apenas a marca. Além disso, perceberam que a exploração dos espaços para a marca e para os atributos do produto é tão grande nas embalagens que ninguém tem vontade de deixar o produto à vista na sua casa. Olhando tudo isso, com a experiência adquirida em agências de propaganda que atendiam a produtos de consumo e com a ousadia que é particular aos americanos, foram a luta. Montaram a empresa na garagem e no começo faziam eles mesmos as misturas dos produtos. O diferencial: bons produtos, com embalagens bonitas (que as pessoas tivessem vontade de deixar à vista) e, claro, com preços competitivos em relação aos produtos “normais”. Visitaram centenas de “grocery stores” e começaram a emplacar seus primeiros produtos. Nessa altura, levantaram capital (um mecanismo interessantíssimo, muito comum nos EUA e muito raro por aqui ainda, infelizmente) e começaram a crescer. Faturaram 10 milhões de dólares em 2003 (pouco para o mercado americano, mas muito para o estágio da empresa) e já têm uma presença nacional naquele país através de uma rede de lojas que vendem seus produtos.
Enfim, a empresa vai bem obrigado, seus clientes pedem diariamente que ela ofereça mais categorias de produtos e até mastodontes como a Procter os vê como concorrentes!
Trouxe tudo isso a você pois, como disse no início, li esse artigo (ah, o link está lá embaixo) e comecei a refletir: como ainda somos limitados aqui em terras tupiniquins, como pensamos sempre em copiar tudo e como achamos que não podemos inovar e criar coisas novas. Não quero ser injusto, há exceções, claro mas, de forma geral, vejo uma dificuldade enorme do brasileiro em inovar, em acreditar que pode fazer diferente algo que já é feito igual há anos.
Vejo coisas interessantes acontecerem, reconheço a capacidade dos empreendedores e empresários brasileiros mas, de uma forma geral, se alguém chegasse a você numa roda de chopp e dissesse: vou criar uma empresa para competir com a Unilever e a Procter….. antes mesmo de ouvir o que ele tinha a dizer, você já estaria pensando: “se toca, cara, competir com esses monstros?, Você está louco… monta uma franquia e sossega! ou então arruma um emprego e não se mete a besta!”, não é? Sei que é. Talvez você, leitor do EB!, já esteja em outro momento da sua vida mas, assim mesmo, o que você responderia a si mesmo se pensasse em competir com a Unilever? Hum?
Na mesma edição da Business2.0, há uma empresa de malas de viagens que apresenta um série de novidades e que foi criada por um ex-piloto comercial que sentia na pele o quanto eram ruins as soluções de malas criadas por gente que viaja muito menos do que pilotos!
Interessante, não? Cool business opportunities, no?