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Se você que está lendo isso já fez algum dinheiro na vida e tem uma aplicação qualquer, seja quanto for e o que for, queremos falar justamente com você. Dá uma lida, quem sabe não temos algo interessante para você. E, por outro lado, se você ainda não é um desses, certamente você conhece alguém que seja, então atue como empreendedor e mande esse artigo pra ele(a), quem sabe você não motiva essa pessoa a refletir?
Isso mesmo, não queremos nada além de uma reflexão, de um minuto de sua atenção. Temos que, juntos, tentar mudar um pouco o curso das coisas desse nosso país no que tange ao Empreendedorismo (tem muita coisa pra mudar, mas nosso assunto é esse!).
Essa semana, como na maior parte delas, recebi vários e-mails me perguntando o que fazer quando se quer empreender e não se tem dinheiro. Resposta simples essa, não é mesmo? Começo minhas respostas sempre lançando mão do maior chavão do mundo: “se conselho fosse bom….” , mas não me furto de tentar encontrar algumas respostas, alguns caminhos e, quase que invariavelmente, caio na discussão do papel dos Angels Investors frente ao capital de risco e, conseqüentemente, no desenvolvimento de um país.
Em novembro do ano passado, aqui mesmo no EB! escrevi: “O Brasil é um país pródigo, surpreendente, e tudo aqui deve ser olhado com atenção e cuidado. A área de investimentos não deve ficar de fora, penso. Existe uma modalidade de investidor pessoa física nos EUA que é conhecida como ‘Angel Investor’ (ou Investidor Anjo) que costuma ser composta de pessoas endinheiradas, muitos deles empreendedores bem sucedidos, que acreditam na fórmula INVESTIDOR-EMPREENDEDOR e que aportam os recursos iniciais para que o negócio comece (por isso anjos). Essas pessoas têm uma visão de que há risco envolvido, claro, mas desejam retorno sobre seu dinheiro. Isso é importante que seja entendido e que fique claro na relação.
No Brasil, formalmente, temos pouquíssimos Angels mas, como em todo o resto, nossa informalidade é enorme e todo o dia escuto alguém dizendo: ‘conseguimos uma grana para começar com um amigo do meu tio’, ou ‘o fulano tá botando uma grana, depois a gente acerta com ele’…. Os anjos estão por toda a parte e a criatividade do brasileiro é impressionante.
Tenho certeza de que uma parte enorme do que se cria no Brasil em termos de novas empresas tem um (ou vários) anjos por trás, mesmo que nenhum deles saiba disso. ”
Lendo alguns artigos em revistas americanas nesse últimos dias, me chamou mais uma vez a atenção como o papel dos Angels na economia americana é levado a sério. Eles são tidos como fonte criadora de novos negócios. A eles é devotado um papel de agentes da inovação, de fomentadores da economia, de roda que move os jovens em busca de sonhos, de realização pessoal, de ousadia e de coragem para mudar.
Mas, mais importante do que tudo isso, é reconhecidamente aceito nos EUA que os Angels representam uma força econômica motriz enorme, sendo um dos agentes responsáveis pelo crescimento do país. E isso não é pouca coisa.
Naturalmente, tudo isso está arraigado na cultura americana e é comum ouvir de jovens (às vezes até de crianças) que quando eles crescerem irão criar um Business Plan e falar com um Angel! Como tudo no mundo, claro, isso tem seu lado ruim. Mas não vamos focar nisso.
O lado bom é que esse processo gera perspectivas para os jovens daquele país, gera alguma chance, cria oportunidades e faz a bicicleta da economia rodar. Se um jovem americano tem uma boa idéia, há a chance de que ele encontre alguém com dinheiro que queira bancá-lo, investir na sua idéia. Um empresário bem sucedido, assim que vende sua empresa, por exemplo, ou ganha muito dinheiro, quase que naturalmente se torna um investidor na outra ponta. E assim a coisa vai rodando e novas empresas vão surgindo.
Numa dessas revistas li uma colocação sobre capital de risco que me parece muito interessante: “estamos financiando (ou não) as Microsofts, as Intels, as Siscos dos próximos 20 anos”.
Como escrevi em novembro, penso que há mais Angels do que sabemos aqui no Brasil, mas INFELIZMENTE, muito menos do que poderia existir, e quase tudo ainda acontece de uma forma um tanto quanto limitada: o pai que investe no filho, a pessoa que investe no melhor amigo ou o marido que investe na mulher! Nada contra esses caminhos, mas por que não pensar maior, ampliar o leque? Profissionalizar a coisa?
Uma enorme parte do que ganhamos vai pro IR ou para um monte de bobagens que não precisamos ou fica lá no banco para sempre ou, pior, nos acompanha pra debaixo da terra.
Será que não vale considerar colocar uma pequena parcela disso no sonho de alguém e, quem sabe, ajudar a criar a Gerdau, o Pão de Açúcar ou Votorantin dos próximos 20 anos?
Costumo pautar meus artigos e editorias pelo que os leitores pedem, reclamam ou sugerem. Na semana que passou, Lucas Marinho, estudante universitário, me mandou um e-mail que coloca: ‘muitos de nós temos sonhos de empreender, mas cadê a grana?’.
Fiquei pensando no que poderia responder ao Lucas e a tantos outros leitores que, tenho certeza, têm a mesma dúvida e resolvi elaborar um pouco meu pensamento, como diria nosso ministro da cultura.
Antes de sugerir caminhos ou respostas, gostaria de dividir um pensamento. Estive nos últimos anos envolvidos com investimentos em novas iniciativas, start-ups, sou eu mesmo um empreendedor de longa data e também fiz muitos negócios com grandes fundos de investimento. Atuei, portanto, nas várias pontas, ora como investidor, ora como investido e sempre como empreendedor e, posso afirmar seguramente que a fórmula INVESTIDOR-EMPREENDEDOR é muito interessante. Gente com dinheiro que quer investir em gente com projetos e energia é uma idéia vencedora. Claro que não são relações fáceis, que conflitos existem e que é uma arte manejar esses relacionamentos comercias mas, por outro lado, a complementaridade é fantástica e pode levar a resultados muito promissores. Precisamos fazer com que isso aconteça mais e mais em nosso país. Precisamos fazer com que o governo entenda que pode estimular isso (via fomento, legislação, etc) sem colocar necessariamente recursos e precisamos fazer os empreendedores entenderem que a relação só será positiva se cada parte entender seu papel: investidor quer retorno financeiro e empreendedor quer alguém que o ajude a viabilizar seu negócio.
Interessante, não? Mas o Lucas deve estar se perguntando: afinal, onde arrumo a grana, pô?
Não tenho a resposta exatamente, mas vou tentar apresentar alguns caminhos que me parecem interessantes.
Em primeiro lugar, está realmente complicado se conseguir um investidor para um projeto iniciante pequeno. Se pensarmos nos fundos, são raros no país os que realizam investimentos de pequena monta e em projetos iniciantes, muito raros. Isso significa, sem dúvida, uma grande barreira, mas não pode significar a desistência.
O Brasil é um país pródigo, surpreendente, e tudo aqui deve ser olhado com atenção e cuidado. A área de investimentos não deve ficar de fora, penso. Existe uma modalidade de investidor pessoa física nos EUA que é conhecida como ‘Angel Investor’ (ou Investidor Anjo) que costuma ser composta de pessoas endinheiradas, muitos deles empreendedores bem sucedidos, que acreditam na fórmula INVESTIDOR-EMPREENDEDOR e que aportam os recursos iniciais para que o negócio comece (por isso anjos). Essas pessoas têm uma visão de que há risco envolvido, claro, mas desejam retorno sobre seu dinheiro. Isso é importante que seja entendido e que fique claro na relação.
No Brasil, formalmente, temos pouquíssimos Angels mas, como em todo o resto, nossa informalidade é enorme e todo o dia escuto alguém dizendo: ‘conseguimos uma grana para começar com um amigo do meu tio’, ou ‘o fulano tá botando uma grana, depois a gente acerta com ele’…. Os anjos estão por toda a parte e a criatividade do brasileiro é impressionante.
Tenho certeza de que uma parte enorme do que se cria no Brasil em termos de novas empresas tem um (ou vários) anjos por trás, mesmo que nenhum deles saiba disso. O importante, penso, é que na maioria das vezes esquece-se que esse anjo quer retorno, merece respeito e tem suas próprias demandas. Se o empreendedor entende isso, a relação é muito mais fácil, transparente e fluída. Outro problema é que as práticas ainda são muito novas e coisas como a perda total do investimento, por exemplo, fato absolutamente normal e até esperado, é pouco discutido e quando acontece (na maioria das vezes, por razões naturais) gera um enorme mal estar entre as partes. Quanto mais falarmos e discutirmos o assunto, mais anjos teremos por aí e mais negócios poderemos criar.
Outro caminho que julgo interessante destacar é chamado nos EUA (não sou americanóide, mas eles padronizam tudo e acabam criando, quase sempre, os conceitos mundiais) de Corporate Investment (investimento corporativo). Grande empresas chegam a criar áreas dedicadas apenas a fazer investimentos. A Intel, por exemplo, tem uma área de investimentos enorme voltada para projetos que sejam relacionados aos produtos Intel. O que é interessante é que muitas empresas menores também acabam criando suas áreas de investimento e gerando oportunidades para os empreendedores. Aqui em nosso país, isso está apenas começando, engatinhando mesmo, mas o empreendedor deve ficar atento a essa possibilidade. Ou até mesmo gerar ele mesmo a oportunidade, procurando uma empresa da mesma área de seu projeto para que ela se torne investidora.
Nesse ano um amigo queria que eu investisse em seu projeto, uma nova revista. Mostrei a ele que o tipo de recursos que costumo investir não é compatível com as necessidades de uma revista. Ele insistiu, persistiu e eu também. Seria irresponsável de minha parte investir num projeto desses sem os recursos para 1 ou 2 anos de prejuízos. Como ele é amigo, entendeu e continuou amigo. Pediu dicas de como fazer, de como sair dessa sinuca. Todos os investidores com quem falou adoraram o projeto mas queriam algo mais maduro! Sugeri a ele procurar uma editora como investidor, idéia que ele mesmo já tinha tido e eu apenas reforcei. Foi lá, contou sua história. Fechou negócio e lançou a revista Seu Sucesso pela Editora Europa nesse ano. Viabilizou o início do seu negócio e está construindo seu sonho de empreendedor.
Outra forma de realizar as coisas sem dinheiro é sendo criativo, inclusive com o próprio dinheiro. Clientes, muitas vezes, viram o financiador de empresas iniciantes. Fazer coisas sem dinheiro é, muitas vezes a única saída. Use de tudo: permutas, escambos, trocas de favores. Numa das empresas que sou sócio nos aconteceu um desses momentos criativos. Certo dia, nos procuraram 2 meninas que queriam montar uma pequena produtora de web mas não tinham dinheiro para divulgação e nem eram conhecidas no mercado. Acharam que nossa empresa era uma boa vitrine e nos propuseram re-fazer o design do nosso portal (www.fotosite.com.br) sem nos cobrar nada. Em troca nos pediram que divulgássemos para o mercado de fotografia o trabalho delas. Topamos. O site ficou lindo e nós fizemos nossa parte. Hoje elas têm trabalho até março do ano que vem, estão se estruturando, crescendo e, como nós também crescemos, acabamos gerando um belo faturamento para elas todos os meses.
Então Lucas, sei que não respondi totalmente e de forma definitiva a sua pergunta, até porque essa forma definitiva e única não existe. Concordo com você que a grana no Brasil para investimentos é curta mesmo e está super difícil ter acesso a ela. Tudo isso é verdade mas, por outro lado, todo o dia as pessoas pensam formas novas de iniciar seus projetos, metem a cara e muitos são bem sucedidos nessa empreitada.
O dinheiro é um dos fatores importantes, é verdade. É um limitador em muitos casos, mas, ao contrário do que muitos pensam, não é impossível empreender com muito pouco dinheiro. Muitas histórias de sucesso começaram com capital baixíssimo (se algum) e encontraram formas criativas de se financiar.
Tem uma outra maneira de fazer: durante muito tempo a American Express era minha sócia investidora, toda a vez que eu tinha que pagar salários na empresa e não tinha dinheiro em caixa!!! Não sugiro que você faça isso para viabilizar seu negócio, mas se preciso for….
;-)